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projeto vaga lume 13.10.2026 | 15h02

Escolas apoiadas por bibliotecas comunitárias da lideram Ideb da rede municipal

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Reprodução

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Em Chapada dos Guimarães, um dos 23 municípios da Amazônia Legal onde a Vaga Lume atua, professoras de duas escolas municipais transformaram a circulação de livros em parte da rotina escolar. Em 2025, a Escola Municipal Professora Abinel Freitas Pereira, na comunidade Cohab Véu de Noiva, e a escola do Distrito de Água Fria alcançaram as maiores notas do Ideb entre as unidades municipais nos anos iniciais: 6,2. O resultado supera os índices de Chapada dos Guimarães (5,7), Mato Grosso (6,1) e Brasil (6,0) no mesmo período. Às vésperas do Dia dos Professores, celebrado em 15 de outubro, as experiências destacam o papel dessas profissionais na aproximação dos estudantes com a literatura e na construção de práticas de leitura no cotidiano escolar.

Nas duas comunidades, bibliotecas apoiadas pela Vaga Lume mantêm os livros em circulação há anos: desde 2008, na Cohab Véu de Noiva, e desde 2022, em Água Fria. Embora os espaços não estejam dentro das escolas, os acervos chegam às salas de aula e são incorporados pelas professoras às atividades com os estudantes. Os dados do Ideb, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), apontam uma correlação entre a presença das bibliotecas e a trajetória das duas escolas.

Para Lia Jamra Tsukumo, diretora executiva da Vaga Lume, os dados reforçam a importância de uma relação contínua com os livros.Os dados da Chapada dos Guimarães mostram que as comunidades construíram uma relação contínua com o livro. Quando a leitura ganha frequência, mediação e presença no cotidiano das crianças, amplia repertórios e cria condições importantes para a aprendizagem e os dados do Ideb confirmam isso”, afirma.

Na Escola Abinel, os livros circulam entre a biblioteca comunitária e a unidade de ensino e são utilizados em atividades de leitura, interpretação e produção de texto. “O acesso dos estudantes aos livros da Vaga Lume, aliado às mediações de leitura realizadas pelos professores, despertou o interesse dos alunos pela literatura, fortaleceu a compreensão leitora, ampliou o vocabulário e desenvolveu habilidades de interpretação e produção textual”, diz Mayra Barboza, diretora da escola.

A professora Dalva, aposentada da Abinel e hoje voluntária do projeto, percebe os efeitos desse trabalho quando os alunos seguem para outras unidades de ensino. “Os professores que recebem nossos alunos perguntam por que os alunos da Abinel têm esse diferencial. É porque têm o gosto, têm o prazer e têm o livro em mãos”, conta.

A experiência também acompanha os educadores em suas trajetórias profissionais. Maria Lúcia, a Malu, trabalhou durante seis anos com turmas de 5º ano da Abinel e hoje é gestora da Escola Municipal Monteiro Lobato, para onde levou o trabalho com os livros. “No 5º ano a criança deixa de aprender a ler e passa a ler para aprender”, resume.

Para Lia, os professores têm papel central nesse processo. “Garantir que o livro chegue às crianças é fundamental, mas são os professores, educadores e os mediadores de leitura que transformam esse acesso em hábito. Quando a leitura é incorporada ao cotidiano, com mediação e troca, ela passa a fazer parte da vida dos estudantes e da comunidade”, finaliza.

Sobre a Vaga Lume
Criada em 2001, a Vaga Lume está presente em 23 municípios da Amazônia Legal com 102 bibliotecas comunitárias em funcionamento. Desde de sua fundação, já doou 209 mil livros e formou mais de 6 mil mediadores de leitura, voluntários que leem para as crianças, trabalho esse que já impactou a vida de 113 mil crianças e jovens. O seu propósito é empoderar crianças e jovens de comunidades rurais da Amazônia por meio da leitura e da gestão de bibliotecas comunitárias, promovendo intercâmbios culturais com a leitura, a escrita e a oralidade para ajudar a formar pessoas mais engajadas na transformação de suas realidades.

Em 2024, a Associação Vaga Lume recebeu, pela terceira vez, o Selo de Direitos Humanos e Diversidade da Prefeitura de São Paulo. Em 2023, foi eleita pela terceira vez, sendo duas consecutivas, como a Melhor ONG de Educação do Brasil pelo Prêmio Melhores ONGs do Instituto Doar. No mesmo ano foi contemplada pelo novo prêmio United Earth Amazônia, na categoria ESG, da sigla em inglês Environmental, Social, and Corporate Governance (Ambiental, Social e Governança) e, também, foi uma das organizações selecionadas em todo o mundo para receber uma doação da filantropa MacKenzie Scott. Em 2022 foi vencedora do Prêmio Jabuti na categoria Fomento à Leitura. Conheça o mini documentário Vaga Lume no YouTube e acesse o site da associação.

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