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'memória não é de mandatos' 16.01.2026 | 11h52

Família em luto repudia retirada de acervo de Dante e Cuiabá alega reparos

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Chico Ferreira

Chico Ferreira

Em meio ao luto pela perda da matriarca Maria Benedita Martins de Oliveira, 104, a família do ex-governador Dante de Oliveira enfrenta situação delicada diante do desmonte do memorial que homenageia o “homem das Diretas Já”. Peças do acerto da família que integram a exposição foram retiradas repentinamente do espaço na Praça Rachid Jaudy, em frente à casa onde Maria Benedita residiu por décadas até seus últimos dias.


Em nota, a família lamentou o episódio e disse que não comunicada da mudança. Por outro lado, a prefeitura informou que houve diálogo com Leonardo de Oliveira, neto da idosa e presidente do Instituto Dante de Oliveira.


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Em comunicado, o instituto repudiou a atitude diante do desmonte da exposição, que foi inaugurada em um dos últimos atos do ex-prefeito Emanuel Pinheiro (PSD), em 2024.


“A decisão ocorre justamente no momento em que a família enfrenta o luto pela perda de sua matriarca, Maria Benedita, o que torna a situação ainda mais sensível e dolorosa”, começa o comunicado da família.


A família pondera que compreende ser decisão do Executivo a destinação dos espaços públicos, mas a conduta adotada, sem aviso prédio, foi encara como um desrespeito à memória do político, aos familiares e todos que admiram sua trajetória.


“A escolha da Praça Rachid Jaudy para sediar o memorial não foi aleatória. O local possui profundo valor simbólico por estar situado em frente à residência onde a família Oliveira construiu sua história durante mais de seis décadas. Ali, memória, afeto e identidade se entrelaçam, representando um ponto de referência para Cuiabá e para todos que preservam o legado de Dante”, diz parte da nota.


Antes de sediar o memorial, o espaço abrigou o Centro de Atendimento ao Turista (CAT), idealizado para a Copa do Mundo de 2014, mas que acabou abandonado e servindo de abrigo para sem-teto. Queixas quando a criminalidade na região eram constantes.


“Reiteramos que a memória de Dante de Oliveira não pertence a gestões ou mandatos, mas ao povo cuiabano e à história nacional. Atos que desconsideram esse legado atingem não apenas uma família, mas a memória coletiva de toda uma sociedade”, encerra o instituto.


Outro lado
Diante da situação, a Prefeitura de Cuiabá informou que as peças foram cuidadosamente removidas para limpeza e manutenção. Garantiu que houve diálogo com a família e que informações sobre o “desmonte” são falsas.

 

Após os devidos reparos, o acervo integrará, no futuro, uma exposição temporária no Museu do Morro da Caixa d’Água Velha.


“A secretaria também esclarece que a decisão de retirar temporariamente o acervo do espaço anterior foi técnica e necessária. A estrutura do antigo memorial apresentava condições deficitárias, sem a infraestrutura adequada para conservação, o que já vinha ocasionando processos de deterioração dos materiais históricos. A mudança, portanto, foi uma medida de proteção ao patrimônio, e não um gesto de desrespeito ou apagamento da memória”, diz texto publicado pela prefeitura.


Após o período expositivo e a devida reestruturação, todo o acervo retornará ao espaço atualmente ocupado pela Secretaria de Trabalho, de forma mais organizada, estruturada e adequada tanto à conservação quanto à visitação pública. O local abriga a Secretaria do Trabalho.


“A gestão municipal reafirma seu compromisso com a história, a memória coletiva e o respeito às personalidades que ajudaram a construir a democracia brasileira. Preservar o legado de Dante de Oliveira é garantir que sua luta, seus valores e sua contribuição continuem acessíveis às atuais e futuras gerações, com verdade, dignidade e alcance ainda maior”.

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