05.02.2004 | 03h00
A Polícia Civil identificou em Cuiabá a entrada de um remédio produzido por um laboratório paraguaio - cujos efeitos são desconhecidos -e está sendo vendido, clandestinamente, como o genérico do vaso dilatador Viagra. O proprietário da Drogaria Goiás, no bairro CPA IV, foi detido ontem pelo Grupo de Combate ao Crime Organizado (GCCO) com oito pílulas do "Pramil Sildenafil", oferecido como alternativa econômica ao consumidor que reclamava do preço da pílula azul.
Se uma caixa com quatro comprimidos de Viagra custa R$ 100, o Pramil estava sendo oferecido por R$ 8 a R$ 15 a pílula. O Viagra é protegido pela lei de marcas e patente, o que evita que ele tenha um genérico como concorrente por mais dois anos. Porém, aproveitando-se da desinformação dos consumidores, a Polícia acredita que o Pramil esteja sendo comercializado amplamente em todo o Estado. "Esse remédio não tem registro nos órgãos de Vigilância Sanitária, não se sabe se ele garante os efeitos que o cliente procura e muito menos o que provoca no organismo", avalia o advogado e membro da Associação Brasileira de Combate à Falsificação, Fábio Kielberman, responsável pela denúncia ao GCCO.
Kielberman informa que a Vigilância Sanitária determinou por portaria de 2002, quando o Pramil foi identificado no Brasil, que o medicamento fosse apreendido.
A associação, que tem sede em São Paulo, recebeu a denúncia anônima de que o remédio estava sendo vendido em Cuiabá. A partir de então, encaminhou uma equipe para fazer o trabalho de checagem. "Visitamos cerca de 30 farmácias e localizamos o remédio no CPA, mas não conseguimos descobrir quem está fazendo a distribuição. Não checamos todos, mas supomos que a comercialização esteja acontecendo em outros lugares do Estado", avaliou.
Segundo o delegado Carlos Cunha, que registrou o flagrante, o dono da farmácia vai responder inquérito pela acusação do artigo 273, do Código Penal, que fala do crime de falsificação. A pena de reclusão varia de 10 a 15 anos. "O proprietário alega que as pílulas não eram dele e que os funcionários é que estavam vendendo. São oito funcionários e nós ouviremos todos. Porém, mesmo que algum assuma a responsabilidade, o dono do estabelecimento também responde pelo crime", disse Cunha.
O laboratório que produz o Pramil é o Novopar, com sede em Cidade do Leste, Paraguai.
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