CUIABÁ 05.03.2019 | 10h00
Arquivo Pessoal
Individualidade. Independência. Autonomia. São esses os princípios que fizeram duas creches estaduais de Cuiabá, Maria Eunice Duarte de Barros, no Centro Político Administrativo (CPA) e Nasla Joaquim Aschar, na Avenida do CPA, decidirem por colocar irmãos gêmeos, os denominados 'múltiplos', em salas distintas.
De acordo com a coordenadora pedagógica da Maria Eunice, Eunice Joanadart Albertini, a medida foi adotada desde a fundação da escola, há 25 anos. Os gêmeos são separados no segundo ano, a partir dos três anos.
"A gente acredita a partir da nossa experiência que as crianças separadas elas se desenvolvem mais. Elas são diferentes, têm personalidades diferentes e a iniciativa tem por objetivo trabalhar a individualidade de cada um", afirmou.
Eunice explicou que psicólogos e assistentes sociais constataram que um dos irmãos sempre se sobressai ao outro, seja em qualquer atividade ou brincadeira, e têm mais autonomia e liderança. A separação obriga que o irmão 'dependente' entre em um círculo de amizade próprio e desenvolva sua individualidade.
"A orientação é que a gente continue propondo essa metodologia até para evitar frustrações futuras. Quando crescer um pode ser engenheiro e o outro não, um pode arranjar um namorado e outro não. Aqui desde muito cedo cada um tem sua mochila, seu chinelo, seu copo. Tudo é separado. Tentamos tirar isso de tudo ser igual. Se um gosta de amarelo e outro de verde tem que respeitar a individualidade da criança", disse.
Casos
Jornalista Alana Casanova, 38, é mãe das pequenas Giovana e Isadora, de pouco menos de 3 anos. Ela aceitou com naturalidade a decisão de separar as filhas e, inclusive, gostaria que as pequenas tivessem sido separadas desde os 2 anos.
Como Giovana era mais autoritária que Isadora, Alana percebeu que a pequena estava ficando escondida atrás das decisões da irmã. Era Giovana quem escolhia os brinquedos, os desenhos, as brincadeiras e assim por diante. Por isso, ela queria que Isadora tivesse mais autonomia e pudesse desenvolver sua própria identidade.
"Uma até se desenvolveu primeiro que a outra, até na questão da fala. Uma começou com 1 ano e a outra só com 2. Quando perguntavam o nome delas a própria Giovana já dizia 'me chamo Giovana e ela é a Isadora'. Então foi uma coisa que eu sempre quis", disse.
O processo de adaptação para que as gêmeas se acostumassem a ficar separadas durou 2 dias. Os pais foram até a escola e cada um ficou com uma em sala de aula. Depois disso, a mãe assegura que elas melhoraram no convívio tanto na creche quanto em casa.
"Elas ainda brigam, têm atritos, mas melhorou muito. Agora elas brincam mais, ficam mais tempo em atividades sozinhas. Antes elas sempre estavam disputando a nossa atenção quando chegavam em casa, agora elas sentam juntas e brincam sem a gente", relatou.
No caso da empresária Elaine Cristina, 36, mãe das pequenas Maísa e Heloísa, de 4 anos e 6 meses, elas precisaram ser separadas de sala depois de não se adaptarem a um novo colégio particular. Em um ambiente diferente, elas começaram a ficar agressivas e brigar entre si.
A mãe foi chamada à coordenação diversas vezes, mas como nenhuma medida era efetiva uma professora decidiu tentar a separação como a última alternativa. Elaine, contudo, acostumada a criar as duas juntas, não aceitou muito bem a decisão.
"Aquilo para mim foi como um tiro no peito. Eu não aceitava de jeito nenhum. Eu chorava muito. Alguns psicólogos dizem que não é correto, mas eu faço assim. Eu visto elas sempre iguais, faço as coisas tudo iguais", disse.
Os 4 meses em que as pequenas ficaram separadas, no entanto, foram suficientes para que elas voltassem a ter um relacionamento saudável. Como as irmãs sentiam saudades uma da outra, a hora em que se viam não brigavam.
"Elas demoraram a aceitar, mas aí se adaptaram bem e quando se viam aproveitavam o tempo para brincar. Até que a professora chegou a conclusão que elas poderiam voltar e elas simplesmente voltaram. Mas esse período foi importante".
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