13 de junho 13.06.2024 | 17h00

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Autor Desconhecido / Mariana da Silva / Montagem G
É comum encontrar por Cuiabá ruas cujos nomes remetem a datas. Uma delas é a famosa 13 de junho, localizada no Centro da cidade e onde se concentra o comércio. A razão histórica por trás deste nome remonta a Guerra do Paraguai, ocorrida no século XIX, como explica o arquiteto e superintendente de Preservação do Patrimônio Histórico e Museológico, Robinson de Carvalho Araujo.
“O dia 13 de junho marca a retirada das tropas paraguaias que ocupavam a região de Corumbá, na província de Mato Grosso. Em janeiro de 1865, Corumbá e o Forte de Coimbra foram militarmente tomados por tropas paraguaias lideradas pelos coronéis Vicente Barrios e Izidoro Resquin. A missão deveria tomar o Forte de Coimbra, as Vilas de Albuquerque e de Corumbá”, narra.
Em 1867, o presidente da província de Mato Grosso, Couto Magalhães, decidiu pela retomada do território para o Império Brasileiro e iniciou os preparativos militares elaborando a estratégia das operações, que ficou sob o comando do então tenente-coronel Antônio Maria Coelho. No dia 15 de maio daquele ano, teve início a ação militar para Retomada de Corumbá com a partida das tropas do Porto de Cuiabá, acampando próximo de Corumbá às 18 horas do dia 12 de junho.
Já na madrugada do dia 13, a tropa tomou rumo ao norte, caminhando pelas margens do rio Paraguai. Depois de 25 quilômetros de marcha, os soldados pararam perto da vila de Corumbá, para observação e plano tático de seus comandantes. Às 14 horas começaram os ataques em pontos distintos, que duraram até às 18 h.
Ao todo, as tropas brasileiras perderam 9 homens, dentre os quais, o tenente Manoel de Pinho e o capitão Cunha e Cruz. Outros 27 ficaram feridos. Foram aprisionados 27 paraguaios, do total de uma tropa de 200 homens, instalados em Corumbá.
Epidemia de varíola e o cemitério do Cae Cae
Robinson explica que pouco após o episódio, a cidade de Cuiabá recebeu um grande contingente de militares paraguaios detidos. Contudo, não esperavam que os prisioneiros estavam acometidos com varíola, ou bexiga preta, como era conhecida na época.
“Instalou-se a crise da varíola na capital mato-grossense, a qual passou por um momento de gravidade sanitária e que levou ao falecimento de inúmeros pessoas, alguns relatos chegam a citar metade da população. Como solução foi criado o cemitério do Cae Cae, localizado na atual avenida São Sebastião, bem próximo ao cruzamento com a rua Tenente Thogo da Silva Pereira, denominado atualmente como Praça Manoel Murtinho”.
No local foi aberta uma vala comum onde os corpos eram jogados e incinerados devido à grande quantidade de mortos e a premissa temporal para eliminação do vírus, pois a estrutura existente à época não era capaz de atender a demanda desproporcional.
“Essa denominação ‘Cae Cae’ remonta ao transporte dos corpos de charrete pela atual avenida Dom Bosco, a qual tem relativa inclinação, o que permitia que os corpos escorregarem e caírem para fora do transporte, sendo necessário recolocá-los na charrete por várias oportunidades durante o trajeto. A região fora escolhida por estar distante da cidade, na atual parte do Centro Histórico, todavia, o desenvolvimento urbano acabou incorporando a região”, descreve.
De um romance, surge um nome de rua
Até o século XIX, a rua 13 de Junho teve outras 4 denominações. Do cruzamento com a rua Poconé (atual Getúlio Vargas) até a rua do Coxim (atual Generoso Ponce) era denominada como rua Bela do Juiz. No mandato do Capitão General Rolin de Moura houve embate entre o então gestor do Estado e um ouvidor que morava em um casarão colonial onde atualmente abriga a agência dos correios na Praça da República.
“Ambos disputavam o amor de uma senhora detida no Quartel da Força Nacional, demolido no início do século XX para dar lugar ao Palácio da Instrução. Após grande burburinho, o capitão General acabou por transferir o ouvidor para Belém, sendo este escoltado até sua chegada à capital do Pará, encerrando assim a disputa pelo amor da Bela mulher”, afirma o superintendente.
Após o fato, a rua passou a ser chamada de Cruz das Almas, a frente da atual Praça Ipiranga. Isso se deve ao fato de que, no local ocorriam muitas execuções para cumprimento de sentenças de juízes de várias regiões do país. Com isso o local chegou a ter fama de mal-assombrado.
“A pessoa condenada à morte era levada à forca, que ficava em um largo onde hoje temos a Praça Ipiranga. Com o tempo o local se tornou centro de comércio devido a sua proximidade com a Prainha, o que possibilitava a comunicação com a região do Porto e, com isso, transferiram o ponto de execução para o Campo D ́Ourique, por volta do início do século XIX. Isso fez com que a denominação perdesse força até que caísse no esquecimento popular”.
Ainda mais a frente, no atual cruzamento com a Avenida Dom Bosco, a rua mudava novamente de nome, passando a se chamar Santa Rita, em homenagem à Capela que ainda existe no local. Na quadra seguinte, próxima ao local onde atualmente temos o Hospital Geral, a Rua recebia seu nome definitivo, sendo denominada caminho que vai para o Porto, encerrando seu trajeto no córrego 8 de abril.
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