DEFESA TESTADA 30.04.2026 | 08h57
Reprodução/Facebook/Estado-Maior Ucraniano
Um exercício realizado pelo Departamento de Guerra dos Estados Unidos em um aeródromo na Flórida levou a uma revisão significativa nas estratégias de combate a drones. A simulação reproduziu táticas semelhantes às utilizadas recentemente pela Ucrânia em ataques contra a Rússia, marcando uma mudança na forma como o país testa e prepara suas defesas contra esse tipo de ameaça.
A operação, chamada “Clear Horizon”, ocorreu na base aérea de Eglin e envolveu militares das Forças Especiais que executaram um ataque com múltiplos drones. O objetivo foi recriar condições reais de combate observadas no leste europeu, especialmente no cenário da guerra na Ucrânia, incorporando aprendizados recentes do campo de batalha.
Durante o exercício, os operadores utilizaram uma ampla variedade de drones, desde modelos comerciais simples até versões mais sofisticadas, com tecnologias projetadas para resistir a interferências eletrônicas e radares. Entre os recursos empregados estavam antenas direcionais, sistemas de salto de frequência e até drones controlados por fibra óptica e redes celulares, permitindo que operadores em outro estado conduzissem ataques à distância, algo inédito para os militares norte-americanos.
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A simulação representou uma mudança em relação aos testes tradicionais realizados pelo Pentágono. Normalmente, os exercícios evitam o uso de interferência eletromagnética devido ao risco de impactar sistemas de navegação aérea e redes de comunicação. Em vez disso, priorizam métodos alternativos para neutralizar drones, como tecnologias mais baratas que substituam o uso de mísseis de alto custo.
Outro problema identificado foi a fragmentação dos dados gerados por diferentes testes. Entre setembro e dezembro, foram realizados 67 experimentos por diversas áreas das Forças Armadas, mas sem um sistema integrado que permitisse comparar os resultados de forma eficiente. Essa limitação dificultava a tomada de decisões estratégicas baseadas em evidências consolidadas.
A partir do novo exercício, o Pentágono passou a priorizar a integração dessas informações. Uma das mudanças foi a adoção de um software único para rastreamento de drones, capaz de conectar sensores e sistemas de defesa entre diferentes unidades e até entre forças de países parceiros. A ideia é permitir uma visão contínua e compartilhada do espaço aéreo em tempo real.
A simulação também destacou a necessidade de reforçar a defesa contra drones de longo alcance, capazes de atingir alvos estratégicos como centros de comando, logística e sistemas de defesa aérea. Para ameaças menores, como drones de pequeno porte, a estratégia inclui o desenvolvimento de interceptadores mais baratos, reduzindo a dependência de mísseis caros.
Segundo autoridades envolvidas, as lições aprendidas na Ucrânia têm sido fundamentais para orientar essas mudanças. Representantes do Pentágono estiveram recentemente no país europeu para observar diretamente as operações de defesa, incluindo a proteção da capital Kiev contra ataques noturnos.
Essas observações passaram a influenciar não apenas os testes, mas também as decisões de compra de equipamentos e o planejamento de defesa em diferentes regiões, incluindo o Oriente Médio. Nos últimos meses, mais de US$ 600 milhões foram destinados à integração rápida de novas tecnologias contra drones.
Além disso, a proposta orçamentária para 2027 prevê um investimento de US$ 75 bilhões em tecnologias relacionadas a drones, um valor superior ao orçamento atual do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA e ao Produto Interno Bruto de alguns países.
Apesar de os Estados Unidos já possuírem sistemas eficazes para derrubar drones, muitos deles foram originalmente projetados para interceptar mísseis, o que eleva significativamente os custos operacionais. A nova abordagem busca integrar essas capacidades com soluções mais acessíveis e adaptadas à realidade atual dos conflitos.
Outro ponto destacado é a relação cada vez mais estreita entre operações ofensivas e defensivas com drones. Segundo especialistas, essas dimensões estão “intrinsecamente ligadas”, exigindo uma abordagem coordenada tanto no ataque quanto na proteção.
Por fim, autoridades alertam que a evolução dos drones ocorre em ritmo acelerado, impulsionada pelo setor comercial e pelo avanço da inteligência artificial. Diferentemente de ameaças anteriores, como dispositivos explosivos improvisados, os sistemas não tripulados se beneficiam de aplicações civis, o que amplia sua capacidade de desenvolvimento e representa novos desafios para a segurança global.
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