remuneração 26.08.2023 | 11h40

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Arquivo pessoal
No mundo imaginário da boneca Barbie, mulheres e homens desfrutam dos mesmos direitos, inclusive a igualdade salarial. Entretanto, o Brasil segue muito atrás da Barbieland. Neste sábado (26), é o “Dia Internacional da Igualdade Feminina” e a jornalista, professora e doutora, Nealla Machado Valentim, pesquisadora em gênero e sexualidade, pontua que machismo é ponto central para frear o avanço dos direitos femininos.
Recentemente, o presidente Lula sancionou o Projeto de Lei n° 1.085/2023, que assegura a igualdade salarial entre homens e mulheres que exerçam o mesmo cargo. Isso porque o rendimento médio das mulheres é 21% inferior ao dos homens (R$ 3.305 para eles e R$ 2.909 para elas), de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PnadC), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no terceiro trimestre de 2022.

Para Nealla, embora seja um passo significativo, a lei sancionada pelo presidente não é suficiente. Ela enfatiza que a conscientização, especialmente por parte das empresas, é outro pilar fundamental, juntamente com uma fiscalização rigorosa para evitar a banalização da lei.
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“É um passo importante. Mas só uma lei não é suficiente, precisamos de conscientização, principalmente das empresas e dos empregadores, de que eles não estão prestando nenhum favor, e sim fazendo o mínimo e o necessário, o justo para uma sociedade mais igualitária [...], mas ela precisa ser também fiscalizada. E precisamos de educação de gênero, para a conscientização popular, para uma mudança efetiva na sociedade”, afirmou ao
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“É fundamental falarmos sobre gênero, debatermos as questões de gênero. Principalmente depois que essa palavra ficou um pouco ‘proibida’. Porque é só assim que vamos à raiz do problema, que é o machismo. Gênero não é coisa de ‘mulher’, muito menos coisa errada. Estamos falando aqui de diminuir e erradicar desigualdades sociais históricas que afetam milhões de pessoas no mundo inteiro, e que só vão acabar através da educação”, ressaltou.
Entrevistada observa que empresas frequentemente usam justificativas infundadas para explicar a disparidade salarial e aponta o machismo como a razão velada.
“A realidade é que a principal razão para a desigualdade salarial é o machismo da nossa sociedade, que enxerga o trabalho feminino como inferior. Os dados do IBGE são claros quando mostram que as mulheres, em média, ganham 77,7% do salário dos homens; apesar da população feminina ter um nível educacional mais alto. Quando se considera apenas cargos de gerência, diretoria e outros de maior salário, a diferença é ainda maior. Vemos que as mulheres nesses cargos ganharam, na média, apenas 61,9% do que os homens receberam. Quando falamos de mulheres negras, essa disparidade é ainda mais gritante, e tudo por conta do machismo”, disse.
Diferença salarial impacta muitas mulheres, não só financeiramente. Com a menor remuneração, filhos e dependentes, a situação as torna dependentes de companheiros e reféns de abusos.
“Temos dados também do IBGE que mostram que as mulheres ainda são os principais ‘pilares’ da família, o que o pessoal chama de ‘arreio de família’; são elas que sustentam a casa e cuidam dos filhos. Se elas recebem menos, e o que elas recebem mal dá para cuidar dos filhos e da casa, é lógico que esse processo será de empobrecimento dessas mulheres e dessas famílias. Além de deixá-las mais vulneráveis. Pesquisas indicam que esse empobrecimento pode deixar as mulheres mais expostas à violência doméstica, por exemplo”, finalizou.
A data
Celebrada desde 1973, em alusão à um dia para se refletir e reivindicar direitos iguais para homens e mulheres, a data foi instituta após à conquista do voto feminino nos Estados Unidos, em referência à 19ª emenda constitucional do país norte-americano de 1920.
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