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Cuiabá, Sábado 31/10/2026

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GAZETA INDICA 31.10.2026 | 15h00

Maestro transforma vozes em encontros e faz da música um instrumento de cidadania

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Helena Werneck - Especial para o GD

redacao@gazetadigital

Uma voz sozinha pode emocionar. Muitas vozes reunidas podem transformar vidas. É nesse encontro entre histórias, sentimentos e melodias que o maestro Carlos Eduardo Cursino Ferraz, conhecido como Carlos Taubaté, construiu grande parte de sua trajetória. Aos 61 anos, o regente carrega a convicção de que a música não existe apenas para encantar os ouvidos, mas também para desenvolver a sensibilidade, fortalecer vínculos e formar cidadãos.

 

Com uma carreira iniciada em São Paulo e consolidada em Mato Grosso, Taubaté dedicou décadas à formação de grupos vocais e à valorização do canto coral. Sua trajetória inclui trabalhos em instituições como o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), a Assembleia Legislativa (ALMT) e o Tribunal de Justiça (TJMT), levando a música a diferentes espaços e públicos.

Atualmente, está à frente do Coral Municipal de Cuiabá, cujos ensaios acontecem no Museu da Imagem e do Som de Cuiabá (MISC). Entre partituras, exercícios vocais e pessoas que descobrem o prazer de cantar juntas, o maestro segue defendendo a arte como instrumento de transformação social.

 

Divulgação

Concerto UFMT Carlos Taubaté

 

 

“Eu acho que a música, a arte como um todo, é fundamental no país todo, no mundo todo, mas eu acho que, em especial aqui em Mato Grosso, que, por ser um estado, no meu sentir, ainda em formação, ela é um elemento fundamental para o desenvolvimento do aculturamento e, por consequência, o desenvolvimento da cidadania”, afirma.

 

Para o regente, o crescimento de uma sociedade não pode ser medido apenas pelo desenvolvimento econômico. A cultura também precisa acompanhar esse processo, fortalecendo identidades e ampliando oportunidades de conhecimento.

Ao falar sobre Mato Grosso, Taubaté reconhece a riqueza artística regional, mas observa que ainda existem desafios para ampliar o acesso da população às manifestações culturais.

 

“Mato Grosso tem uma cultura bastante pujante, música regional, artistas plásticos com bastante desenvolvimento. Agora foi criada recentemente a primeira orquestra sinfônica do estado de Mato Grosso, é um acontecimento sob a regência do maestro Murilo Alves. Então Cuiabá está devagarzinho buscando seu desenvolvimento, assim como também a cidade desenvolve e as artes estão acompanhando a cidade.”

 

Apesar dos avanços, ele considera que a distância dos grandes centros culturais ainda representa uma dificuldade para quem busca referências e formação musical. Por outro lado, destaca-se a importância da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) na qualificação de novos regentes.

 

“O canto coral, nós temos bastante corais, mas ainda a imensa maioria em desenvolvimento. Uma das coisas que eu acho que é um desafio é o fato do nosso isolamento, né? A distância dos grandes centros, não tem referência, não tem muito o que assistir, mesmo que hoje nós tenhamos o acesso à internet, YouTube, etc. Não é a mesma coisa que você poder assistir a consertos direto, né? Mas assim, está buscando e a faculdade de regência da UFMT foi um diferencial imenso, né? Hoje nós estamos com maestros muito mais capacitados e, por consequência, corais também mais habilitados.”

 

Divulgação

CORAL MUNICIPAL

 

 

Muito além de cantar

Para quem participa de um coral, a experiência ultrapassa o aprendizado musical. Cantar em grupo também significa desenvolver a confiança, aprender a escutar o outro e compreender a importância de cada voz dentro de uma construção coletiva.

 

É nesse aspecto humano que Taubaté encontra uma das maiores riquezas de seu trabalho. Para ele, a prática estimula habilidades que acompanham os integrantes muito além dos ensaios e apresentações.

 

“Os benefícios são imensos! Como eu disse agora já, o aculturamento dos cantores, sobretudo, e principalmente porque, como a gente trabalha com letra, vem junto da música o crescimento da literatura com essas pessoas, eu acho que a socialização, a desinibição e, sobretudo, os elementos fundamentais da inteligência humana, que são a memória, a concentração e a disciplina.”

 

Para uma pessoa tímida, encontrar coragem para cantar pode representar uma conquista. Para outra, o coral pode significar novas amizades, acolhimento e a descoberta de capacidades que desconhecia.

 

Entre vozes diferentes, cada integrante aprende que a harmonia não depende de cantar mais alto, mas de saber ouvir e respeitar o espaço do outro. Uma lição musical que também pode ser levada para a vida.

 

A emoção que permanece

O canto coral também estabelece uma ligação especial com quem está do outro lado do palco. Cada apresentação carrega meses de dedicação, inseguranças superadas e sentimentos que encontram na música uma forma de expressão.

 

Para Carlos Taubaté, essa troca entre cantores e público é parte fundamental da experiência artística.

 

“Ah, eu acho que não existe... Eu acho que essa sinergia é fundamental. Eu acho que sai todo mundo ganhando com essa história.”

 

A simplicidade da resposta revela muito sobre a maneira como o maestro compreende a arte. Mais do que reunir pessoas para executar uma composição, seu trabalho busca criar experiências que aproximem indivíduos e despertem emoções.

 

Aos 61 anos, Taubaté segue dedicando seu conhecimento à música e à formação de novas vozes em Mato Grosso. Sua trajetória mostra que o legado de um maestro não se resume aos concertos realizados, mas também às pessoas que encontram na arte uma oportunidade de crescimento.

 

Porque, quando uma apresentação termina, os aplausos silenciam e o público volta para casa, mas aquilo que a música desperta em cada pessoa pode permanecer por toda a vida.

 

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