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desabamento 29.09.2018 | 08h09

Mais de 2 mil casas são monitoradas por estarem em locais de risco

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Chico Ferreira

Chico Ferreira

Mais de duas mil casas são monitoradas pela Defesa Civil de Cuiabá por estarem em locais de risco e extremo risco. A maior parte dos imóveis foi construída a menos de 15 metros da margem de córregos e é fruto de ocupação irregular. Além das inundações, há o risco da proliferação de doenças com o início do período chuvoso por causa da falta de infraestrutura sanitária nas áreas.

 

Na noite desta quinta-feira (27), Cuiabá teve a chuva considerada mais volumosa do ano pelo Instituto de Nacional de Meteorologia em Mato Grosso (Inmet/MT). A precipitação começou às 23h de quinta-feira e ontem, por volta das 9h da manhã, já tinha atingido 50 mm, o que a classifica como moderada.

 

A partir de agora, até o mês de março do ano de 2019, as chuvas serão constantes, o que coloca os órgãos de segurança em estado de alerta. Diretor da Defesa Civil de Cuiabá, coronel Paulo Wolkmer explica que a comunidade do Praeirinho, por exemplo, pode ficar totalmente coberta se o rio subir oito metros, como já aconteceu em outras situações. Vale lembrar, que o ápice aferido na régua em tempo de cheia foi de 150 metros, registrado em 1974, quando houve a maior cheia registrada no Estado.

 

De acordo com Wolkmer, todas as construções feitas a 30 metros da margem do córrego estão em local de risco, sendo que as inseridas em um perímetro inferior a 15 metros já se caracterizam como extremo risco.

 

Em Cuiabá, os pontos considerados perigosos geralmente estão no entorno dos córregos do Abacaxi, Barbado, Ana Poupina e Ribeirão do Lipa. E, além das inundações, são acompanhados os pontos com risco de deslizamento, como na região do Despraiado.

 

Wolkmer lembra que foram realizados vários trabalhos para a retirada dos moradores, mas alguns acabam retornando. Baseado na experiência profissional, o coronel relata que os argumentos são inúmeros, mas geralmente fundamentados no fato da família estar no local há 20 ou 30 anos. “Eles criam laços, trabalham e estudam na comunidade. Tudo isto faz com que tenham dificuldade em se adaptar em outros locais”.

 

O pedreiro Antônio Jaime de Moraes, 63, é um exemplo. Ele conta que perdeu tudo que tinha em uma enchente há muito tempo e, na época, foi instalado pela prefeitura no residencial Milenium, nas imediações da avenida das Torres. “Era muito difícil. Eu era pescador e tinha que vir de bicicleta todos os dias para trabalhar ou, então, dependia de ônibus. Aqui não tinha nem rua direito, mas era melhor. Não consegui ficar lá mais de um ano”.

 

Moraes mora na comunidade desde que iniciou a ocupação e afirma que muita coisa mudou. Antes, eram várias casas à beira do córrego, que foi assoreando e atingindo os imóveis.

 

Quem estava à beira foi retirado, mas a cada período chuvoso, a água volta a atacar o barranco e faz com que ele se aproxime da rua. 

 

Leia a matéria completa na edição do jornal A Gazeta deste sábado (29).

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