DEU EM A GAZETA 01.04.2026 | 06h54

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Chico Ferreira
Com uma média de 40 casos por dia e seis mortes confirmadas este ano, Mato Grosso entre os estados com maior incidência de arboviroses. Em três meses, já são 3.200 casos de dengue e 495 de chikungunya, com três óbitos confirmados para cada doença. Apesar da alta incidência, 117,88 casos de dengue e 18,7 de chikungunya por 100 mil habitantes, que mantém o estado entre os cinco primeiros no ranking nacional, a curva de casos cresce de forma menos acelerada do que em 2025, quando houve pico das doenças.
A diferença de cenário fica ainda mais evidente na comparação com Mato Grosso do Sul, que enfrenta situação mais crítica e já decretou emergência em saúde pública diante do avanço da dengue. Especialista aponta que a diferença está, principalmente, no comportamento epidemiológico após o surto do ano passado. Com uma parcela significativa da população já infectada, há redução no número de pessoas suscetíveis, o que contribui para desacelerar a transmissão neste ano. Em 2025, Mato Grosso acumulou 35.424 casos confirmados de dengue, com 23 mortes e outros 12 óbitos em investigação. Já a chikungunya somou cerca de 50,2 mil casos prováveis e 68 mortes confirmadas, números que evidenciam a intensidade da transmissão e ajudam a explicar o ritmo mais lento observado agora.
Segundo o infectologista João Pedro Alves, o comportamento mais controlado neste ano está diretamente ligado ao impacto do surto anterior sobre a população.
“No ano passado, tivemos uma circulação muito intensa do vírus, o que fez com que uma parcela significativa da população já tivesse contato com a dengue. Isso reduz o número de pessoas suscetíveis agora e, consequentemente, desacelera a transmissão”, explica.
No caso da chikungunya, essa lógica é ainda mais evidente. A infecção tende a gerar imunidade duradoura, o que faz com que a doença, na prática, raramente se repita na mesma pessoa, embora médicos ressaltem que casos atípicos ainda são estudados. Mesmo assim, o alerta permanece. A combinação de calor e chuvas mantém condições ideais para a proliferação do mosquito transmissor.
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