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espaço histórico em abandono 11.10.2026 | 13h00

'O mundo se curva diante de Santa Elina, exceto Mato Grosso', alega historiador

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Sofia Fuckner - Especial para o GD

redacao@gazetadigital

Divulgação

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Abrigado na Serra das Araras, no município de Jangada (80 km ao Norte), o Sítio Arqueológico de Santa Elina carrega discretamente o título de segundo sítio mais antigo do Brasil, pela presença de vestígios de ocupação humana de até 27 mil anos. Abandonado pelas instituições responsáveis, ativistas voluntários lutam para abrir o sítio à visitação pública, para a preservação e reconhecimento do patrimônio arqueológico mato-grossense.


Descobertas por pessoas nativas da região, as escavações começaram em 1984 por arqueólogos franco-brasileiros do Museu Nacional de História Natural de Paris e pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), que encontraram mais de 25 mil artefatos que comprovam a convivência humana e da fauna, além de mil inscrições rupestres com forma de figuras humanas e de animais e 800 fragmentos de ossos, modificados pelo ser humano, de uma preguiça gigante de cerca de cinco metros.


Até o ano passado, apenas uma preguiça gigante de 10 mil anos tinha sido identificada. No sítio, descobriu-se outra com 20 mil anos. O local tem importância científica mundial, por comprovar a existência de humanos pré-históricos na região de Mato Grosso e sua convivência com animais gigantes, a megafauna.

 

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Atualmente, todo o material retirado de Santa Elina está depositado no Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, ambiente apropriado onde são desenvolvidas pesquisas com base no acervo e também onde são armazenados adequadamente. As pinturas rupestres continuam expostas em Jangada.


As últimas escavações em Santa Elina foram feitas em 2005, por pesquisadores chegarem a um teto de profundidade onde não encontraram mais vestígios de datação.

 

Valdizar Andrade, de 66 anos, é historiador e empresário na região de Jangada. Apaixonado por arqueologia, desde 2001 estuda todo o poder de pesquisa do espaço tombado. O empresário conta que este ano recebeu a informação de que o Museu de História Natural de Paris e a USP buscam formas de continuar as pesquisas em outra parte não escavada do abrigo. A expectativa é de que as pesquisas sejam retomadas no próximo ano.

 

Valdizar relata que a maior preocupação atualmente é a preservação do sítio. A área é tombada pelo Estado de Mato Grosso desde 2011, mas não tem delimitação física.

 

“O agricultor pode plantar soja ou criar gado em cima da área tombada. Existe um projeto com o governo do Estado que é a possibilidade de se fazer a demarcação e a cerca da área tombada, porque o IPHAN não tem essa responsabilidade. A responsabilidade seria do fazendeiro ou do Estado que tombou a área”, explica o historiador.

 

Historiadores e arqueólogos têm lutado para abrir visitações para o público geral no sítio, com o objetivo de atrair mais visibilidade e condições para a conservação e infraestrutura do sítio.

 

O historiador de Jangada defende que a demanda para o turismo é alta e conta que o Iphan está disposto a contribuir com o processo de abertura, mas ainda depende de um plano de manejo para a estruturação de passarelas e cercas para receber o público, o que tem um alto custo.

 

“O nosso objetivo não é simplesmente econômico. Nosso objetivo é a preservação da pré-história, e que, se não cuidar, daqui a alguns anos, ele pode desaparecer com a chuva, com o mato, com uma série de outras coisas”, argumenta.

 

Valdizar Andrade cita um abandono compartilhado dos órgãos competentes e pede ação estadual e municipal para a preservação e visibilidade do sítio.

 

“Preservar Santa Elina é garantir que as gerações futuras terão acesso à pré-história e ao conhecimento científico da maior relevância possível. O mundo se curva diante de Santa Elina, exceto Mato Grosso”, conclui.

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