DIA DAS CRIANÇAS 27.09.2026 | 10h15
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colagem/montagem
Em meio aos produtos fabricados em larga escala e ao domínio das telas aos olhares dos pequenos, artesãos apostam em brinquedos feitos à mão e personalizados para criar peças que carregam afeto, memória e histórias de família. Enquanto as prateleiras das lojas começam a ganhar ainda mais espaço para os brinquedos que prometem conquistar o público infantil no Dia das Crianças, existe quem siga por outro caminho: o das peças feitas uma a uma, com tempo, criatividade e trabalho manual.
A história de Marilin Wolker Soares Costa, 53 anos, conhecida como Mëël Wolker, começou quase por acaso. Uma colega pediu ajuda para produzir uma bonequinha de pano para presentear a sobrinha.
“Eu sempre fazia alguns trabalhos artesanais lá onde eu trabalhava, tipo chaveirinhos, lacinhos de cabelo, fazia customização nas roupas jeans. Daí ela veio e me pediu para eu ver se eu conseguia montar uma bonequinha de pano que ela queria dar de presente para uma sobrinha dela”, conta Marilin Wolker.
Marilin não tinha certeza se conseguiria, mesmo assim, tentou. “Foi uma boneca, toda artesanal, costurada à mão, pois na época não tinha máquina de costura, só vontade e sonhos. Não foi muito fácil, mas hoje vejo que tudo valeu a pena”, lembra Marilin Wolker.
O resultado pode não ter sido perfeito aos seus olhos, mas conquistou quem recebeu o presente e, principalmente, despertou nela o gosto pela produção.
A partir dali, as bonecas de pano deixaram de ser apenas uma experiência e passaram a ocupar um espaço cada vez maior em sua vida. Vieram outros personagens infantis e, em 2015, uma encomenda mudou de vez a relação de Marilin com o artesanato: 85 minibonecas e outras 35 bonequinhas para uma festa de aniversário.
“Quando peguei em 2015 uma encomenda de 85 minibonecas e 35 bonequinhas, como lembrancinhas de aniversário, ali meu sonho começou a virar realidade. As indicações vieram de amigas que acreditaram no meu potencial”, afirma Marilin Wolker.
As indicações de amigas fizeram o trabalho crescer e ajudaram o que começou como vontade e curiosidade a se transformar em renda. “Depende muito da peça. Uma boneca de pano mais básica leva um dia, mas tem modelos que levam até três dias. Brinquedos lúdicos e afetivos, às vezes, até quatro dias, porque têm mais detalhes. E por trás de tudo tem muito amor, carinho e afeto, além de muita atenção e cuidado em cada detalhe”, explica Marilin Wolker.
O tempo de produção não é apenas uma questão de horas. Cada peça recebe atenção aos detalhes e, principalmente, um significado. Uma das criações que mais marcou sua trajetória foi uma Branca de Neve negra, encomendada por uma mãe que queria apresentar às crianças uma versão diferente da personagem tradicional. A partir daquele pedido, outras bonecas com diferentes tons de pele começaram a fazer parte de seu trabalho.
“Essa boneca me traz muitas recordações boas, porque foi produzida a pedido de uma mãe. Ela veio até meu espaço para ver se eu confeccionava a personagem Branca de Neve negra, porque as crianças tinham em mente a Branca de Neve branquinha, então queria trabalhar a diversidade com as crianças. Isso para mim foi encantador”, conta Marilin Wolker.
Hoje, as bonecas produzidas pelo ateliê Doce Mëël Bonecas de Pano já viajaram para lugares como México, Orlando, Flórida e Portugal. Para Marilin Wolker, ver uma criança brincando com algo que saiu de suas próprias mãos é uma das maiores recompensas do trabalho.
“Ver uma criança com uma criação minha nos braços é uma emoção que não cabe no peito! É uma mistura de gratidão, alegria pura e a certeza de que todo o empenho valeu a pena. Ali, eu vejo a minha arte ganhando vida de verdade!”, afirma Marilin Wolker.
Quando a brincadeira atravessa gerações
O caminho de Eraldo Fauth também começou pelas mãos, mas com outro material. Empresário do ramo da carpintaria, ele encontrou na madeira uma maneira de transformar criatividade em brinquedo e começou, em Cuiabá, com casinhas de boneca acompanhadas de kit cozinha.
A confirmação de que poderia transformar a ideia em negócio veio rapidamente: “A partir do momento que vendi, em uma semana, sete casinhas, percebi que poderia transformar a ideia em negócio”, afirma Eraldo Fauth.
Desde então, cada peça é produzida individualmente e pode ser personalizada de acordo com o pedido do cliente.
Diferente da fabricação em série, o trabalho artesanal permite que cada brinquedo tenha características próprias. Mas existe uma parte do trabalho que vai além da madeira e das ferramentas. Entre os clientes de Eraldo, estão avós que retornam anos depois para comprar uma casinha para os netos, muitas vezes, o mesmo brinquedo que um dia presentearam aos próprios filhos.
“Cada peça é produzida individualmente, personalizada para cada cliente. Já o industrializado se faz em série”, explica Eraldo Fauth.
Segundo ele, algumas dessas histórias acabam atravessando gerações.
“Temos muitos avós que retornam após terem sido pais que deram a casinha a seus filhos, presenteando seus netos com o que foi importante a eles um dia na infância de seus filhos, hoje já pais. Eles sempre nos contam do prazer e da importância de preservar o mundo lúdico vivo nas gerações que os precedem”, relata Eraldo Fauth.
São histórias que mostram como uma brincadeira pode atravessar gerações e continuar carregando significado dentro de uma família. Hoje, o trabalho com os brinquedos representa 100% da renda de Eraldo e também uma realização profissional.
E a recompensa, segundo ele, aparece justamente quando a peça deixa a oficina e chega às mãos de uma criança.
“O coração se alegra. É prazeroso ver o resultado do meu trabalho no sorriso delas e na alegria quando recebem o presente, com isso, entendo que vim a esse mundo com um propósito”, diz Eraldo Fauth.
Criatividade que também ganha espaço na internet
Marilin e Eraldo fazem parte de um movimento que também ganhou força nas redes sociais. No Instagram, pequenos empreendedores transformam seus perfis em vitrines para apresentar brinquedos artesanais, receber encomendas e alcançar novos clientes.
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São diferentes formas de criar, mas com algo em comum: transformar uma habilidade em trabalho e mostrar que, mesmo em meio à produção em larga escala, ainda existe espaço para aquilo que é feito devagar, de forma personalizada e pelas próprias mãos.
No Dia das Crianças, cada uma dessas peças chega acompanhada não apenas de uma embalagem, mas de uma história, seja a de quem passou horas produzindo, de quem escolheu aquele presente ou da criança que, a partir dali, vai criar suas próprias memórias.
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Milho Disponível
R$ 66,90
0,75%
Algodão
R$ 164,95
1,41%
Boi à vista
R$ 285,25
0,14%
Soja Disponível
R$ 153,20
1,06%
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