10.11.2006 | 03h00
Os pilotos Décio Chaves Júnior e o co-piloto Thiago Jordão Cruso, comandantes do Boeing da Gol Linhas Aéreas, tentaram recuperar o controle do avião antes de perderem a consciência no acidente que deixou 154 mortos, após o choque com o jato Legacy 600 da ExcelAire, no dia 29 de setembro. (Veja no box as últimas palavras dos comandantes).
Conforme informações veiculadas no Correio Braziliense, autoridades que ouviram as transcrições das caixas-pretas, contendo diálogos dos pilotos, contam que as falas foram "gritadas e rápidas". Fontes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) dizem que houve a impressão de que os comandantes não sabiam sobre o choque entre as aeronaves e teriam adotado os procedimentos preconizados para retirar o avião do parafuso.
O trem de pouso baixado e travado nos destroços do acidente, quando localizado pelos peritos, comprova a situação. As transcrições mostram que os diálogos duraram poucos segundos e causaram a impressão de pânico.
Ontem, o delegado Luciano Inácio da Silva, que presidia o inquérito da Polícia Civil desde a data do acidente, disse que finalizará até a próxima semana o relatório conclusivo sobre as investigações da instituição. Os quatro volumes somam 710 páginas, decorrentes de depoimentos e outros dados referentes à tragédia.
O material será encaminhado à Justiça Federal de Sinop, que ficou com a competência de julgamento do caso, após decisão da 3ª seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ). "Como não tem mais diligência, a ordem judicial será cumprida", destacou.
Neste inquérito, assim como no da Polícia Federal, dois funcionários da Embraer e os pilotos foram ouvidos, além de três testemunhas de uma fazenda vizinha à Jarinã, onde foi montada a base da Aeronáutica durante as buscas dos corpos e destroços do avião.
Os controladores de vôo que trabalharam no dia do acidente ainda não foram ouvidos pois estavam de licença médica.
A comissão militar que atua na investigação sobre as causas da queda do vôo 1907 esteve anteontem no Cindacta 1 para verificar os dados armazenados no sistema de controle. Ontem estiveram em Manaus para realizar um trabalho semelhante no Cindacta 4. Conforme nota divulgada pelo Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (Cecomsaer), o objetivo do trabalho é levantar os fatores operacionais do acidente, "relacionados ao ser humano e o ambiente operacional com a aeronave e seus sistemas."
Segundo um oficial da Aeronáutica, o objetivo do grupo agora é avaliar a conduta e as ordens transmitidas pelo controle de tráfego aéreo de Brasília (Cindacta-1) aos pilotos do Legacy. A idéia do relatório preliminar é de que deva conter somente dados incontestáveis, como hora de decolagem dos aviões, do choque, do pouso do Legacy, sem dados da degravação da caixa-preta ou do controle de vôo. O objetivo é dar informações básicas para reduzir expectativas.
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