Corte de energia e risco de morte 22.08.2026 | 15h15

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Agosto é considerado o mês das pipas. Com os ventos mais fortes, crianças e adolescentes aproveitam o período para colocar o brinquedo no ar. A diversão, no entanto, exige cuidados e pode representar riscos graves não apenas para quem empina, mas também para pedestres, ciclistas, motociclistas e motoristas.
Além dos acidentes provocados pelo uso do cerol e da linha chilena, as pipas também podem causar choques elétricos, curtos-circuitos, rompimento de cabos e interrupções no fornecimento de energia em bairros inteiros.
Entre janeiro e julho de 2026, a Energisa registrou 259 ocorrências envolvendo pipas que provocaram danos à rede elétrica e deixaram consumidores sem luz. Em um único dia, três ocorrências foram registradas no bairro Osmar Cabral, em Cuiabá.
O principal perigo é o contato da pipa ou da linha do brinquedo com a rede elétrica. Uma única interferência pode provocar acidentes graves e até fatais, além de afetar o abastecimento de energia de ruas, bairros inteiros ou até regiões maiores.
Pipa presa na rede elétrica jamais deve ser retirada
Um dos momentos de maior risco ocorre quando a pipa fica enroscada na fiação. A tentativa de recuperar o brinquedo usando as mãos, varas, bambus ou qualquer outro objeto pode aproximar a pessoa de partes energizadas e provocar uma descarga elétrica fatal.
Objetos como madeira e bambu não devem ser considerados isolantes. Dependendo das condições, especialmente se estiverem úmidos ou sujos, eles conduzem corrente elétrica. Além disso, a simples aproximação de um objeto de uma estrutura energizada pode gerar um arco elétrico de altíssima voltagem.
Por isso, a orientação é clara: se a pipa ou a linha ficar presa na fiação, não tente retirá-la. O brinquedo deve ser abandonado e a pessoa precisa manter distância da estrutura. Caso seja identificado algum dano ou situação de emergência, a Energisa deve ser acionada pelos canais oficiais de atendimento.
Cerol e linha chilena multiplicam os riscos
A própria pipa pode provocar o contato entre os condutores da rede e causar curtos-circuitos ou o rompimento dos cabos. O perigo é multiplicado quando são usados materiais cortantes, como cerol e linha chilena.
Além da ameaça direta a motociclistas e pedestres, esses materiais têm alto poder de corte e cortam com facilidade a isolação e os cabos da rede elétrica, aumentando a frequência de apagões.
Nas redes de alta tensão, compostas por estruturas maiores como torres e grandes postes, uma ocorrência pode atingir uma área muito mais extensa. Já nas redes de distribuição residenciais, os impactos costumam ficar restritos a quadras e bairros.
Outro alerta é voltado ao uso de componentes metálicos. Linhas com fios de metal ou aplicações de papel-alumínio aumentam significativamente a condutividade e o risco de choque elétrico. A recomendação é nunca utilizar nenhum elemento metálico na confecção do brinquedo ou do carretel.
Acidentes mais comuns
Em entrevista ao
, o 2º Tenente Vinicius de Freitas, do Corpo de Bombeiros, detalhou as ocorrências mais frequentes registradas pela corporação nesta época do ano.
Entre os casos mais graves estão motociclistas e ciclistas atingidos no pescoço por linhas cortantes, crianças ou adolescentes que sofrem quedas de altura ao tentar recuperar uma pipa, atropelamentos durante a correria atrás do brinquedo e choques elétricos.
Quando a linha possui cerol ou outro produto abrasivo, ela passa a agir como uma lâmina. Dependendo da velocidade do veículo e da tensão do fio, podem ocorrer cortes profundos, lesões em vasos sanguíneos, vias aéreas e outras estruturas vitais do pescoço, provocando hemorragias graves e risco iminente de morte.
“Existe ainda um segundo problema: mesmo que o corte não seja profundo, o condutor pode se assustar, perder o controle do veículo, cair ou colidir. Portanto, podemos ter dois mecanismos de trauma na mesma ocorrência: o ferimento provocado pela linha e o acidente de trânsito em seguida”, explica o tenente.
Para o pedestre, o risco também é alto. Uma linha esticada atravessada em um caminho pode enroscar nas pernas, provocar tropeços e quedas violentas, principalmente se a pessoa estiver correndo.
Como agir em caso de corte por linha
O tenente orienta como prestar os primeiros socorros caso alguém seja atingido. O primeiro passo é avaliar a gravidade do ferimento. Se houver sangramento ativo, deve-se fazer compressão direta sobre o local, utilizando gaze, compressa ou um pano limpo, mantendo a pressão constante.
Se o corte for profundo, sobretudo na região do pescoço ou do rosto, ou se houver sangramento intenso, dificuldade para respirar, alteração de consciência e sinais de choque, o atendimento de emergência do Corpo de Bombeiros deve ser acionado imediatamente pelo telefone 193.
Caso haja algum objeto ou pedaço da própria linha encravado no ferimento, não o remova. A retirada inadequada pode agravar a lesão e intensificar a hemorragia.
Onde brincar com segurança
A prática de empinar pipa não é proibida, mas precisa ocorrer em locais adequados e seguros. A regra principal é escolher espaços abertos e totalmente livres de fiação elétrica.
Os locais mais indicados são campos abertos, parques e áreas de lazer afastadas da fiação, de ruas movimentadas e de rodovias. Pais e responsáveis devem acompanhar e orientar as crianças continuamente.
Recomendações fundamentais
Utilizar apenas linha lisa, de algodão ou nylon simples;
Jamais usar cerol, linha chilena ou outros materiais cortantes;
Não empinar pipas em vias públicas ou sob a rede elétrica;
Evitar locais com tráfego de pedestres, ciclistas e veículos;
Nunca utilizar materiais metálicos na pipa ou na rabiola;
Não tentar resgatar pipas ou linhas presas na fiação;
Não fornecer materiais ilegais a terceiros, principalmente a menores;
Denunciar pontos de venda irregulares ao órgão competente.
Fiscalização e legislação em Cuiabá
Na capital, a fiscalização é realizada pela Secretaria Municipal de Ordem Pública (SORP) por meio de rondas em vias públicas, campanhas educativas e apuração de denúncias.
Ao constatar a infração, o agente pode apreender todo o material e lavrar o auto de infração, conforme previsto no Código de Posturas do Município.
A comercialização e o uso desses materiais são proibidos na capital pela Lei Municipal nº 6.652/2021, atualizada pela Lei nº 7.485/2026, que enrijeceu as penalidades para casos graves. Em âmbito estadual, a Lei nº 8.845/2008 também proíbe a prática em todo o território de Mato Grosso.
Quem for flagrado utilizando materiais proibidos está sujeito a multa que varia de R$ 1.000 a R$ 1.354,43. Para os comerciantes que venderem cerol ou linha chilena, a sanção varia de R$ 5.000 a R$ 6.772,21, além da apreensão das mercadorias e do risco de cassação do alvará.
Responsabilidade civil e criminal
Com as atualizações na legislação municipal em 2026, os casos de maior gravidade geram responsabilização direta.
Se o uso da linha cortante resultar em lesão corporal ou morte de pessoa ou animal, o responsável pela utilização, ou quem forneceu o material, responderá nas esferas civil e penal.
Quando o infrator for menor de idade, a multa administrativa recairá sobre os pais ou responsáveis legais. Em situações que resultem em ferimentos graves ou morte, os responsáveis também responderão civil e criminalmente, sem prejuízo das medidas socioeducativas aplicáveis ao adolescente.
A população pode denunciar a venda ou o uso de linhas cortantes de forma anônima pelo portal oficial sorp.cuiaba.mt.gov.br.
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Milho Disponível
R$ 66,90
0,75%
Algodão
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1,41%
Boi à vista
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Soja Disponível
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1,06%
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