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15.06.2008 | 03h00

Polícia Civil identifica mais 3 que ajudaram na fuga de Célio Alves

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A Polícia Civil identificou mais três pessoas que ajudaram Célio Alves a fugir da Penitenciária Central de Cuiabá, antigo Pascoal Ramos, em 24 julho de 2005, e já confirmou que após sua fuga Célio passou 6 dias em um sítio em Santo Antônio do Leverger e depois foi para a casa de seu irmão, Walter Alves, que mora próximo ao presídio de onde fugiu, onde ficou mais 10 dias. Walter Alves é inclusive uma das pessoas que serão indiciadas por apoio externo à fuga, assim como o proprietário do sítio onde o réu se escondeu nos primeiros dias, Lázaro Fortunato, e um primo de Célio, identificado até o momento como "Baixinho".

Estas são as três primeiras pessoas já identificadas que deram apoio externo. Com isso, sobe para 7 pessoas envolvidas na fuga. A polícia tenta agora identificar quem era a pessoa que dirigiu uma caminhonete S10 branca, cabine dupla, na qual Célio saiu da frente do presídio e foi para o sítio. E ainda falta confirmar quem financiou todo o processo.

Célio ficou quase 2 anos foragido e foi recapturado no dia 7 de julho do ano passado. No dia 5 de novembro, o delegado Geraldo Magela de Araújo foi designado para dar continuidade ao inquérito da fuga, que até aquele momento só tinha identificado a participação de quatro agentes prisionais.

Quatro dias depois, em 9 de novembro, Magela foi para Campo Grande, onde Célio está preso. Ouviu Célio, Hércules de Araújo Agostinho e João Arcanjo Ribeiro.

Depoimento de Célio - Em seu depoimento na Penitenciária Federal de Campo Grande, Célio disse que planejou sua fuga sozinho e que fez isso durante os últimos três anos. Preso no dia 2 de outubro de 2002, Célio relatou que ficou 2 anos na ala da triagem e depois mais 1 ano no módulo de aço.

Ele relatou ao delegado que o módulo de aço era, no início, destinado para os presos considerados de alta periculosidade. Depois de 20 fugas, os presos mais perigosos foram transferidos para as alas. Mas como ele tinha "bom comportamento", ficou no mesmo local, de onde acabou fugindo.

Célio afirma que fugiu por volta das 16h30, aproveitando o momento da saída das visitas. Alega que não houve pagamento para agentes prisionais e disse que gastou apenas 1 minuto para deixar o presídio.

Célio usou uma corda para pular o muro e alega que foi ele quem jogou a corda, mas não quis contar onde o artefato estava escondido. Também não quis responder sobre o veículo usado e nem quem estava dirigindo. Ele confirmou que ficou 10 dias em Cuiabá, mas não contou para onde foi depois. Afirma que o último ano passou na Bolívia, trabalhando em uma fazenda.

O réu afirma que as pessoas que facilitaram a sua fuga não fazem parte de sua família e nega que o ex-contador de João Arcanjo Ribeiro, Luiz Alberto Dondo, tenha dado auxílio, assim como nega a participação de seu irmão e de policiais militares.

O sítio - Durante o depoimento, o delegado afirma que Célio se manteve "fechado". Entretanto, quando Magela questionou sobre o sitiante Lázaro Fortunato, afirma que Célio mudou a expressão. Diante disse é que o delegado decidiu fazer a diligência no sítio Primavera. O proprietário, Lázaro Fortunato, confessou que deu apoio. Lázaro ainda reconheceu a foto do irmão de Célio como a pessoa que o procurou. Ele recebeu uma oferta de R$ 5 mil para "hospedar" o réu. Quatro dias após o contato, Lázaro afirma que Célio chegou em uma caminhonete branca, mas que não conseguiu ver quem o levou.

A casa onde Célio passou 6 dias fica localizada em uma área alta e, de acordo com o delegado, era possível ver a aproximação de qualquer pessoa. Lázaro contou ainda que depois de 6 dias levou Célio para a casa do irmão dele, que fica próxima ao antigo presídio Pascoal Ramos, de onde Célio fugiu. A viagem foi feita de moto.

O sitiante afirma que chegou a cobrar o valor combinado por algumas vezes, mas com medo de Walter Alves desistiu de receber. Segundo ele, o único dinheiro repassado foi de apenas R$ 50, de uma viagem de táxi que ele fez.

Lázaro confirmou ao delegado que sabia que Célio ia fugir, quando aceitou que ele ficasse em sua casa, mas alega que não sabia os crimes que ele já havia praticado.

Mais fugas - Além de Célio, Lázaro ainda esperava outros presos que iam fugir junto. A proposta feita a ele era para "hospedar alguns presos". Quando Célio chegou, Lázaro foi informado que os outros não conseguiram "sair".

Além do irmão de Célio, Lázaro afirma que o primo dele também estava junto quando o valor foi combinado. "Baixinho" era pedreiro e estava trabalhando na construção de uma casa no sítio de Lázaro.

Arcanjo - João Arcanjo Ribeiro também foi ouvido em novembro do ano passado pelo delegado Magela, também na penitenciária de Campo Grande. Disse que não ficou sabendo da fuga de Célio, porque na época estava preso no Uruguai. Reafirmou que não conhece Célio Alves e nunca teve contato com ele, nem antes de ser preso, nem depois.

Hércules - O ex-cabo da Polícia Militar de Mato Grosso diz que ficou sabendo que a corda utilizada por Célio foi jogada do lado de fora, com uma lata de leite, cheia de concreto, e amarrada na ponta. Diz que a caminhonete que ajudou na fuga era uma picape S10 branca, cabine dupla.

Afirmou ainda que Célio passou por três estados antes de ir para a Bolívia, entre eles Rondônia e afirmou que quem delatou que Célio estava na Bolívia foi um traficante preso na antiga Penitenciária Pascoal Ramos, chamado Lourenço Leite.

Hércules disse não saber mais detalhes, porque como delatou Célio em vários crimes, nos quais ele acabou sendo condenado, depois que Célio foi recapturado não tiveram mais contato.

Prisão de Célio - Célio Alves foi recapturado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) no dia 6 de julho do ano passado. Ele foi preso em uma estrada vicinal que liga o Brasil a Bolívia. Os promotores e policiais do Gaeco chegaram a ficar de espera na estrada por vários dias, porque tinham a informação de que Célio viria para o Brasil. No momento que foi dada a ordem de prisão, Célio disparou contra os policiais e acabou sendo atingido por um tiro de fuzil, no quadril.

Célio foi transferido no mesmo dia para Cuiabá. Ficou preso no antigo Pascoal Ramos até o dia 16 de julho, quando foi transferido para a Penitenciária Federal de Campo Grande junto com o ex-cabo da PM, Hércules de Araújo Agostinho.

Indiciados - Já respondem a processo pela fuga de Célio Alves os agentes prisionais Augusto Alexandre de Barros Santa Rita, Lenildo Arruda Zark e Eliezer Vitorino da Silva. Augusto e Lenildo foram demitidos do cargo público em julho do ano passado, após a conclusão do processo administrativo que comprovou que os dois tiveram participação ativa na fuga do réu.

Eliezer, no entanto, teve apenas uma pena administrativa de suspensão por 60 dias.

Eliezer era o responsável, no dia dos fatos, pela vigilância do portão da administração, entretanto afirmou que foi ameaçado por Célio e por isso, sua participação foi considerada não dolosa, ou seja, que ele não teve a intenção de contribuir com a fuga.

Luiz Alberto Dondo afirmou em depoimento que no dia da fuga de Célio Alves ele alertou o agente prisional Lenildo que o ex-PM estava no corredor que antecede o portão principal, em área restrita aos visitantes e aos presos em celas especiais. De acordo com Dondo, o agente nada fez.

Consta dos autos, também, que Célio teria ultrapassado dois portões que não deveriam ser abertos ao mesmo tempo, mas estavam. Dali, o réu percorreu mais de 130 metros até alcançar os fundos do presídio, onde havia uma corda escondida atrás de uma cabine de transformação de energia, onde os policiais militares das torres de segurança não conseguiam visualizar.

Uma testemunha afirma que Célio pagou R$ 5 mil para o terceiro agente, Augusto Alexandre. Uma quarta agente prisional, Neide Barni, não é processada pela fuga, mas responde a um processo com os outros três por formação de quadrilha.

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