ALERTA AOS SINTOMAS 03.05.2026 | 07h00

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Reprodução
O câncer de esôfago é considerado uma das doenças mais graves e agressivas pelo fato de, na maioria das vezes, ser silencioso nas fases iniciais. Quase 80% dos pacientes diagnosticados já estão em estado mais avançado e já estão tendo impacto na qualidade de vida e alimentação.
Com alta taxa de letalidade quando diagnosticado tardiamente, o tema acende um alerta importante para a população, especialmente em Mato Grosso, onde o acesso ao diagnóstico pode ser um desafio.
A atenção aos sintomas e a adoção de hábitos saudáveis são fundamentais para reduzir riscos e aumentar as chances de tratamento eficaz. Em entrevista ao
, o cirurgião oncológico Marcus Lindote explicou os principais fatores de risco, sintomas e formas de tratamento da doença.
Gazeta Digital - O que é o câncer de esôfago e quais são os principais tipos?
Doutor Marcus Lindote - O câncer de esôfago é um tumor maligno que se desenvolve no órgão responsável por levar o alimento da boca ao estômago. Trata-se de uma doença grave, que muitas vezes evolui sem sintomas iniciais, o que dificulta o diagnóstico precoce. No Brasil, são estimados cerca de 11 mil novos casos por ano, com predominância em homens. Em Mato Grosso, a estimativa gira em torno de 160 novos casos anuais. Existem dois principais tipos: o carcinoma espinocelular, mais associado ao consumo de álcool e cigarro, e o adenocarcinoma, geralmente ligado ao refluxo gastroesofágico e à obesidade. Cada um apresenta características, fatores de risco e tratamentos diferentes.
Gazeta Digital - Quais são os principais fatores de risco?
Doutor Marcus Lindote - Os principais fatores incluem tabagismo, consumo excessivo de álcool, obesidade, refluxo crônico, dieta pobre em frutas e verduras, desnutrição e consumo frequente de bebidas muito quentes. A combinação entre álcool e cigarro é especialmente perigosa, pois potencializa o risco de forma significativa. Outro ponto de atenção é o refluxo não tratado, que pode evoluir para uma condição chamada esôfago de Barrett, considerada precursora do câncer.
Gazeta Digital - Quais são os sinais de alerta?
Doutor Marcus Lindote - O principal sintoma é a dificuldade progressiva para engolir, conhecida como disfagia. Inicialmente, ocorre com alimentos sólidos, mas pode evoluir até dificultar a ingestão de líquidos. Outros sinais incluem perda de peso sem causa aparente, dor ao engolir, sensação de alimento parado no peito, vômitos frequentes, rouquidão e anemia. Segundo o especialista, esse é um ponto crítico: quando os sintomas aparecem, a doença muitas vezes já está em estágio avançado.
Gazeta Digital - Quais são as opções de tratamento?
Doutor Marcus Lindote - O tratamento depende do estágio da doença. Em casos iniciais, pode ser possível realizar procedimentos endoscópicos menos invasivos. Já em estágios mais avançados, o tratamento pode envolver cirurgia, quimioterapia e radioterapia, muitas vezes combinadas. A cirurgia, chamada esofagectomia, é complexa e exige equipe especializada. Nos casos com metástase, o foco passa a ser o controle da doença e a qualidade de vida do paciente.
Gazeta Digital - Como a doença impacta a alimentação e a qualidade de vida?
Doutor Marcus Lindote - O impacto é significativo. Como o esôfago está diretamente ligado à alimentação, o paciente pode apresentar dificuldade para comer, perda de peso e desnutrição. O acompanhamento nutricional é essencial durante todo o tratamento. Apesar das dificuldades, com suporte adequado, muitos pacientes conseguem manter boa qualidade de vida e retomar atividades após o tratamento.
Gazeta Digital - O câncer de esôfago pode ser prevenido?
Doutor Marcus Lindote - Sim, em muitos casos. A prevenção passa por hábitos saudáveis, como não fumar, evitar álcool em excesso, manter peso adequado e tratar o refluxo. Também é recomendado evitar o consumo frequente de bebidas muito quentes e buscar atendimento médico diante de sintomas persistentes.
Gazeta Digital - Quais hábitos devem ser evitados?
Doutor Marcus Lindote - Os principais são o tabagismo e o consumo abusivo de álcool. Além disso, sedentarismo, má alimentação e negligência com sintomas de refluxo aumentam o risco. A automedicação também deve ser evitada, principalmente em casos de sintomas persistentes.
Gazeta Digital - Existe rastreamento para a doença?
Doutor Marcus Lindote - Não há recomendação de rastreamento para a população geral. No entanto, pessoas com maior risco, como pacientes com refluxo crônico, podem precisar de acompanhamento com endoscopia. O especialista reforça que, mais importante que o rastreamento amplo, é garantir diagnóstico rápido para pacientes com sintomas de alerta.
Tratamento em Mato Grosso
Para concluir, o cirurgião oncológico explicou como funciona o tratamento em Cuiabá, que é referência no estado
“No Hospital de Câncer em Cuiabá, referência em Mato Grosso, recebemos pacientes geralmente já com diagnóstico de câncer de esôfago após biópsia. Avaliamos o estado nutricional e a extensão da doença por exames de imagem. A maioria dos casos é avançada, então o tratamento começa com quimioterapia e radioterapia. Quando necessário, realizamos gastrostomia para garantir a alimentação. Após essa fase, reavaliamos o paciente e, se houver condições clínicas e possibilidade de retirada do tumor, indicamos cirurgia, que aumenta as chances de cura. É um tratamento complexo, que exige acompanhamento multidisciplinar e seguimento a longo prazo", finalizou.
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