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Cuiabá, Sexta-feira 27/02/2026

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EM ÁREAS DE RISCO 27.02.2026 | 08h16

Prefeitura intensifica ajuda para famílias atingidas por alagamentos e reforça alerta

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Divulgação

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As chuvas intensas que atingem Cuiabá desde o último domingo (22) continuam mobilizando a Prefeitura em uma força-tarefa permanente de assistência, monitoramento e intervenção técnica nas regiões mais vulneráveis da capital. Com fevereiro já acumulando 274,4 milímetros de precipitação, volume superior ao registrado no mesmo período dos dois anos anteriores, o município segue em alerta e com equipes em campo para reduzir danos e proteger vidas.

 

Nesta semana, a atuação conjunta da Secretaria Municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e Inclusão, da Defesa Civil e da Secretaria de Obras garantiu atendimento emergencial a famílias da área conhecida como Dante de Oliveira, ocupação irregular vizinha ao bairro Voluntários da Pátria, na região do Pedra 90, além de moradores do Sampaio, no Sampaio 2.

 

Ao todo, cerca de 80 famílias foram assistidas na capital desde o início do período mais crítico das chuvas, com a entrega de cestas básicas, kits de alimentação e higiene, colchões, cobertores e travesseiros. O trabalho inclui ainda visitas técnicas, cadastramento e acompanhamento contínuo pelo Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do Pedra 90.

 

Drama e resistência em área de risco

Na ocupação Dante de Oliveira, a moradora Luzimara Ramos Dias, de 37 anos, descreveu como “terror” o momento em que a água invadiu sua casa. Residente no local desde 2018, ela precisou resgatar os três filhos pequenos e retirar a avó cadeirante às pressas para garantir a segurança da família. Segundo relatou, uma valeta nos fundos da residência direciona a água da chuva diretamente para o imóvel, agravando o problema.

 

Sem condições financeiras para repor os bens perdidos, Luzimara destacou a importância do apoio recebido, especialmente a doação de colchões. Antes da ajuda, a família dividia uma única cama, após as anteriores terem sido inutilizadas pela enchente.

 

Também morador da área, o padeiro Kalla Nascimento de Almeida, 54 anos, vive há oito anos na ocupação e reconhece o risco constante de alagamentos. Ele agradeceu a entrega de mantimentos e itens básicos, mas afirmou que a idade e as condições de saúde tornam inviável recomeçar em outro local. Seu desejo é que a região receba infraestrutura e urbanização para oferecer mais segurança às famílias.

 

Vanessa Landim, 37 anos, manicure e auxiliar de logística, mora na comunidade há seis anos com os filhos Heitor e João Cleiton. Ela classificou como “muito boa” a ação da Prefeitura e relatou que, sempre que chove, a água desce com força semelhante a “rios e cachoeiras”. Após a regularização da energia elétrica, os moradores agora aguardam pavimentação e melhorias no abastecimento de água.

 

No Sampaio, o mecânico Benedito Nunes da Silva, 55 anos, relatou que a área foi completamente tomada pela água nos últimos dias, resultando na perda de pertences. Ele descreveu a chegada da assistência municipal como uma “bênção”, mas reforçou que os alagamentos são recorrentes e exigem solução estrutural.

 

Desafios técnicos e limites legais

A Prefeitura mantém monitoramento constante da área do Dante de Oliveira. Segundo diagnóstico técnico da equipe de engenharia, o local é uma zona de baixa altitude e característica pantanosa, cortada por córrego e situada em área de preservação permanente, o que impõe recuos ambientais obrigatórios.

 

As intervenções emergenciais incluem desassoreamento e acompanhamento do curso d’água para aumentar a vazão, patrolamento das vias e medidas paliativas de drenagem. A gestão também busca licenciamento ambiental para intervenções técnicas no leito do córrego, respeitando o ecossistema local.

 

No entanto, a natureza do solo e a topografia dificultam soluções definitivas. Grandes volumes de chuva continuam representando risco elevado, especialmente em áreas ocupadas irregularmente, onde a drenagem natural foi comprometida.

Assistência humanitária e apelo à prevenção

 

A secretária municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e Inclusão, Hélida Vilela, afirmou que as equipes foram mobilizadas de forma integrada para atender imediatamente as famílias afetadas.

 

Ela explicou que o Dante de Oliveira não é um bairro oficialmente constituído, mas uma ocupação em área de risco, e que seis famílias foram atendidas no local em uma única tarde, com entrega de itens essenciais. No Sampaio, outras quatro famílias receberam suporte emergencial.

 

A secretária destacou que o CRAS realiza o acompanhamento socioassistencial, incluindo cadastramento para benefícios eventuais, e reforçou a preocupação com a previsão de continuidade das chuvas até o fim de março. Segundo ela, as famílias foram orientadas a deixar temporariamente as áreas de risco, mas muitas resistem por medo de furtos e pela insegurança quanto ao futuro.

 

A gestão municipal ressalta que a assistência emergencial é fundamental, mas que a ocupação de áreas de preservação e de risco agrava os impactos das chuvas e limita a atuação do poder público. Soluções estruturais exigem planejamento, investimento de longo prazo e respeito à legislação ambiental.

 

Planejamento permanente

Como parte da estratégia de prevenção, o prefeito instituiu, nesta semana, o Comitê Gestor de Redução de Riscos de Desastres (CGRRD), responsável por acompanhar a elaboração do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso. O objetivo é fortalecer políticas de prevenção e ampliar a resiliência da cidade diante de eventos climáticos extremos.

 

Enquanto as medidas estruturais avançam, a Prefeitura mantém estado de alerta, equipes de prontidão e canais de emergência ativos (193 e 199). A orientação é evitar áreas alagadas, não enfrentar enxurradas e redobrar atenção em regiões próximas a córregos e encostas.

 

Em meio ao cenário desafiador, a administração municipal reforça que a prioridade é preservar vidas, oferecer apoio humanitário imediato e ampliar ações preventivas. A combinação entre planejamento técnico, responsabilidade ambiental e solidariedade coletiva é apontada como caminho essencial para enfrentar um período de chuvas que exige vigilância constante e compromisso público com a segurança da população.

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