veja como ajudar 14.07.2019 | 14h30
Giovana Figueiredo, 11, e João Augusto Oliveira, 15, tinham tudo para não estarem ali, mas, às 18h30 de uma quarta-feira, compunham uma orquestra de flautas doce no bairro Jardim Vitória, em Cuiabá. "Foco, meninos, vocês precisam de foco", advertia o maestro Gilberto Mendes, enquanto as vozes se misturavam com o som dos instrumentos, em busca da composição perfeita.
Projeto Flauta Mágica existe há 21 anos e já atendeu mais de 5 mil alunos, contudo, hoje em dia precisa do reconhecimento da sociedade para continuar a funcionar. Sem dinheiro em caixa, o maestro teme que a instituição não tenha mais viabilidade de funcionar.
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Não fosse pelo projeto, tanto Giovana quanto João poderiam ter se perdido e começado a ir para o caminho errado, assim como vários de seus conhecidos, vizinhos e colegas de escola, como eles mesmo afirmam. Desde o início, o objetivo de Gilberto era ressocializar e democratizar a música no bairro periférico.
"As crianças não tinham nenhuma opção de lazer e de cultura muito menos. Então eles frequentavam a escola e no contra-turno ficavam a mercê das drogas, da marginalidade, então era um problema social gravíssimo aqui no bairro", afirmou o maestro.
No início, instituição ganhou R$ 20 mil reais da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), para aquisição dos materiais necessários para manutenção do projeto. Por um problema com a diretora da escola do município, contudo, foram expulsos e ficaram sem lugar para as aulas.
Depois de ministrar em uma sala da igreja do bairro e em um galpão alugado pela empresa de energia elétrica da época, Gilberto encontrou um terreno para comprar enquanto andava pela rua. Ele conseguiu fazer um empréstimo e adquiriu o local onde hoje funciona o projeto. De pouco em pouco, conseguiu montar o espaço em que hoje são ministradas aulas de coral, balé, violão e flauta.
"O diferencial do Flauta Mágica é a qualidade do trabalho. A pedagogia, metodologia, didática que a gente desenvolve aqui. Tem que fazer uma, duas, dez mil vezes a mesma coisa até ficar perfeito. Eu como sou regente e condutor do projeto eu os guio pelos meus ouvidos. Eu cobro foco, atenção, respira aqui, não respira ali, amplia sua caixa torácica para ter uma maior amplitude de respiração", explicou.
Os onze monitores que ministram as aulas foram alunos de Gilberto e hoje compartilham seu legado com a nova geração. O maestro, contudo, continua interferindo no trabalho com o intuito de aperfeiçoar a técnica e desenvolver um nível profissional para a músicas. Pelo seu entendimento, ninguém nasce com o dom, tudo é resultado de esforço e transpiração.
"A gente desenvolve uma pedagogia que parte do princípio da inexistência do talento inato. Não temos teste de seleção para crianças. A criança está automaticamente matriculada se ela quiser e se tiver vaga."
Sem a ajuda da Unesco desde 2016, o instituto mantém seu funcionamento com doações de empresas, além de trocos solidários. Ao todo, têm a renda fixa de R$ 5 mil, duas vezes menor do que o gasto mensal de R$ 15 mil.
"Desde janeiro desse ano estamos com defasagem, que até agora estava sendo coberta por uma série de ações pontuais. Mas estamos chegando agora em julho com o caixa vazio. Temos um trabalho de transformação social do bairro incrivelmente forte, seria muita irresponsabilidade fechar o Flauta Mágica por falta de recursos", pontuou Gilberto.
Tanto Giovana quanto João, que está há 4 e 7 anos no projeto, respectivamente, se vêm abandonados sem o funcionamento do Flauta. Eles acreditam que as chances de que eles fiquem parados em casa com o tempo ocioso sejam grandes, visto que não há outro projeto social dessa magnitude nas proximidades.
"O projeto me ajudou a desenvolver mais foco, mais comunicação com os colegas, mais habilidade. Melhorou muito meu desempenho na escola", contou João. "Sem ele acho que vou ficar largado em casa."
Espetáculo
Para angariar fundos para as contas de julho, o show Aplausos está sendo organizado. Previsto para acontecer no dia 19 de julho, no Cine Teatro Cuiabá, o valor do ingresso é de R$ 30, que deve ser o suficiente para custear as despesas com água e luz, por exemplo.
"É importante que a gente mostre para a sociedade que esse patrimônio de Mato Grosso está em perigo por falta de investimento. Mostramos que é possível, que é viável, agora vamos fechar porque não temos R$ 15 mil por mês sendo que este dinheiro atende 470 alunos?", questionou o maestro.
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