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Patrimônio histórico 25.07.2019 | 21h16

Santuário de Sant´Ana inaugura museu de arte sacra

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João Vieira

João Vieira

O Santuário de San´Ana, primeira igreja a ser tombada como patrimônio histórico em Mato Grosso, em 1957, sempre despertou a atenção dos viajantes que passaram por Chapada dos Guimarães (a 62 km de Cuiabá). Com sua singela estrutura externa, o templo guarda em seu interior um rico acervo em ornamentos e baixos relevos dourados, altares em madeira e imagens sacras.  

 

Mas por trás das paredes do salão principal, existe um conjunto de obras que, até então, não estava ao alcance dos olhos dos devotos e visitantes e que, agora, estará exposto para a apreciação do público no recém-criado Museu de Arte Sacra do Santuário. A inauguração será nesta sexta-feira (26), durante o encerramento da programação da Festa de Sant´Ana 2019.  

 

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João Vieira

Fotos / Museu de Santana / Restauração / Abertura

 

Tudo começou com a chegada do padre Diêggo Ferreira Bento, que assumiu a paróquia há 10 meses, em recuperar a memória do Santuário. Ele vislumbrou no espaço, na parte superior do prédio centenário, construído em 1778, que serviu de dormitório aos padres jesuítas, um local adequado para expor as peças e objetos guardados ao longo dos anos.   

 

“Trata-se de um grande acervo, mas que não foi exatamente armazenado de forma adequada. Então, foi preciso realizar a separação, catalogação, higienização e tombamento de centenas de peças, do século 18, por volta de 1700”, explica o antropólogo e curador do museu, Elias Jaunário – que aceitou o convite do religioso para coordenar todo o trabalho.  

 

João Vieira

Fotos / Museu de Santana / Restauração / Abertura

 

As atividades tiveram início em março de 2019 e resultaram na identificação de 214 peças - artes sacras produzidas em madeira e metal, e algumas etnográficas, mas que foram utilizadas pelos padres jesuístas para evangelizar, como retroprojetores.

 

São coroas de prata, esculturas em madeira, imagens de santos, objetos sagrados e peças de utilidade diária, como prensa para fazer hóstias, além de móveis antigos. Muitas delas vieram de Portugal.  

 

“Depois do trabalho de catalogação é feito um livro de registro, o chamado livro tombo, e posteriormente registrado em cartório. O mais importante na iniciativa do padre Diêggo e da diocese é a criação do museu. Em 2007, houve um ato político para sua instalação, porém não deram sequência ao trabalho e nem oficializaram sua instalação. Agora, passa a ter um decreto de criação, um regimento interno e o plano diretor que todo museu precisa ter”, explica o curador, acrescentando que o tombamento será realizado sob orientação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).  

 

De acordo com Elias, o espaço será aberto ao público de quinta a domingo, das 7h30 às 11h30 e das 13h30 às 15h30 e será cobrada uma taxa de manutenção no valor de R$ 5. “O local tem limite de visitação, por isso, podem subir e percorrer os corredores da parte superior apenas 8 pessoas por vez. Para isso, o museu contará com um guia para acompanhar e orientar os visitantes”.  

 

João Vieira

Fotos / Museu de Santana / Restauração / Abertura

 

Para o antropólogo a iniciativa tem uma importância histórica – porque permitirá a exposição e manutenção de objetos dos séculos 18, 19 e 20. Para a cidade que é um local turístico, o museu passa a ser um equipamento cultural de referência.

 

“Como está sendo criado nos termos e normas do Ibram, ele será credenciado no circuito nacional de museu de arte religiosa, de turismo religioso. Seu funcionamento irá fomentar o turismo, além disso, contribuíra na questão da evangelização da igreja, porque é uma forma de trazer escolas, as crianças, para conhecer as peças e objetos litúrgicos.”

 

O regimento do museu permite inclusive a realização de palestras, discussões, seminários, eventos e pesquisas – a maior parte desses objetos não foram estudados, apenas foram inventariados. Sendo assim, o espaço pode se tornar um local para estudos de pesquisadores, teses de doutorados, futuramente, a partir do interesse de pesquisadores e estudantes.  

 

O acervo

João Vieira

Fotos / Museu de Santana / Restauração / Abertura

 

As peças têm origem diversa, a maior parte sabe-se que veio de Portugal, porém algumas têm histórias curiosas. “Muitas das imagens de santos e santas, como as de Nossa Senhora, são entregues por pessoas que deixam de ser católicos, ou se convertem a outras religiões. "Algumas peças são deixadas em sacolas na porta da igreja. São dezenas delas.”  

 

Entre os objetos do acervo, o antropólogo destaca a prensa de fazer hóstias (utilizadas durante as missas na hora da comunhão) - forjada em ferro fundido, pesando cerca de 10 kg.

 

João Vieira

Fotos / Museu de Santana / Restauração / Abertura

Prensa de fazer hóstias forjada em ferro fundido, pesando cerca de 10 kg.

“Os itens de maior valor econômico são, com certeza, as coroas de prata, porém, para mim, essa é de maior valor histórico. Imagina as freiras fazendo ‘o pão sagrado’ no fogo, em brasa, no calor. Cada prensa produzia apenas duas partículas, imagina na época de Semana Santa, por exemplo, quando são realizadas muitas missas, elas deviam trabalhar muito”, admira o antropólogo. 

 

Existem ainda sinos, confecionários, crucifíxos, castiças, documentos, entre outros. Além disso, também fazem parte da exposição itens que estavam em poder de devotos e que estão sendo, aos poucos, doados à igreja. “Por muito anos, as famílias guardaram consigo como lembranças e relíquias, mas agora, ao verem o trabalho de conservação do patrimônio histórico do museu, estão se dispondo a doá-las para que outras pessoas possam apreciá-las”.

 

Neste aspecto, o destaque fica por conta das vestes de celebração que pertenceram ao Frei Osvaldo – um ícone para a então pacata Chapada dos Guimarães. O missionário alemão que fixou residência no município na década de 1940 se dedicava à vida religiosa e aos cuidados ‘médicos’ da população. 

 

João Vieira

Fotos / Museu de Santana / Restauração / Abertura

 

Ainda é possível conhecer a pequena gaveta de madeira adaptada a uma das janelas laterais da igreja, na parte interna, onde ele guardava uns poucos remédios, como purgativos, vermífugos e ervas naturais – alguns exemplares foram guardados e também serão expostos no museu.  

 

João Vieira

Fotos / Museu de Santana / Restauração / Abertura

Destaque fica por conta das vestes de celebração que pertenceram ao Frei Osvaldo – um ícone para a então pacata Chapada dos Guimarães.

Frei Osvaldo Braun nasceu em 23 de dezembro de 1906 em Höchst, perto de Frankfurt sobre o Meno (Alemanha). Em 1929 entrou na Ordem Franciscana, em Frauenberg (Monte de Nossa Senhora), Fulda; em 1941 veio para o Brasil, para a missão em Mato Grosso; desde 1942 atuou em Chapada. Em 8 de setembro de 1969 foi ordenado diácono por D. Vunibaldo Talleur; morreu em 8 de janeiro de 1978 em Fulda (Alemanha).  

 

Programação 

Após uma intensa programação que teve início no último dia 15, a comunidade encerra as atividades da Festa de Sant´Ana nesta sexta-feira (26) – Dia de Sant´Ana, padroeira de Chapada dos Guimarães.  

 

Às 6h será oferecido aos devotos o tradicional ‘chá co bolo’, com bolo de arroz e biscoitos e polvilho e fubá, franscisquito, entre outros, produzidos pelas voluntárias nos últimos 15 dias – ao todo são mais de 8 mil pacotinhos. 

 

O café da manhã antecede à procissão, que ocorre às 8h, e à missa festiva – que será celebrada por Dom Dereck Byrne, Bispo da Diocese e Primavera do Leste – Paranatinga, da qual o Santuári o de Sant´Ana pertence, às 9h.   

 

Já no salão paroquial, às 11h30, ocorre o almoço popular que é ofertado pelos devotos a toda comunidade de forma gratuita. A programação se encerra com show de prêmios e baile das cozinheiras, com a participação da banda Os Ciganos.  

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Comentários

Wilson Pereira junior - 26/07/2019

Parabéns a toda equipe pelo excelente trabalho realizado, o povo chapadense e todo povo matogrossense merecem conhecer a sua história de perto .

1 comentários

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