ALERTA À SAÚDE 25.08.2026 | 08h39
BRUNA MARIA FERREIRA
Infectologista do Complexo Hospitalar Jardim Cuiabá destaca as doenças mais frequentes e orienta quando procurar atendimento.
O período de estiagem em Mato Grosso exige atenção redobrada com a saúde. Em Cuiabá, a combinação de calor, baixa umidade e maior presença de poeira e partículas em suspensão pode afetar as vias respiratórias e aumentar a vulnerabilidade da população, especialmente de crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.
No fim de julho, a Defesa Civil de Cuiabá chegou a alertar para índices de umidade entre 14% e 30%, com previsão de dias abaixo de 20%, faixa considerada crítica. O órgão também destacou que o ar seco, quente e com poeira em suspensão pode afetar o sistema respiratório e aumentar a procura por atendimento de saúde.
De acordo com a infectologista Dra. Eva Grigoli, do Complexo Hospitalar Jardim Cuiabá, as infecções respiratórias estão entre as principais demandas relacionadas às doenças infecciosas, ao lado das infecções urinárias, gastrointestinais e de pele e partes moles.
Também merecem atenção as síndromes febris e as infecções relacionadas a procedimentos e internações hospitalares. Na região, o diagnóstico diferencial das arboviroses, como dengue e chikungunya, permanece importante, assim como a circulação de vírus respiratórios, incluindo a influenza.
A tuberculose também continua entre as doenças respiratórias que exigem atenção, especialmente para que o diagnóstico seja realizado de forma adequada.
O período seco, portanto, não significa que toda doença respiratória seja provocada pelo clima. A baixa umidade pode, porém, favorecer o ressecamento das mucosas e tornar as vias respiratórias mais suscetíveis a infecções e irritações.
Para a Dra. Eva, mais importante do que identificar apenas o tipo de infecção é reconhecer precocemente os sinais de gravidade. Febre persistente ou muito elevada, falta de ar, dor no peito, queda da saturação de oxigênio, alteração do nível de consciência, prostração intensa, desidratação, pressão arterial baixa, redução importante da urina, sangramentos ou piora rápida do estado geral são sinais que justificam avaliação médica imediata.
Entre idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas ou imunossupressão, a recomendação é procurar atendimento com maior rapidez, já que a evolução dos quadros infecciosos pode ser mais rápida e menos previsível.
Nos idosos, inclusive, uma infecção grave nem sempre começa com febre alta. Alteração do estado mental, fraqueza intensa, queda do estado funcional, redução da ingestão alimentar ou piora súbita de uma doença crônica podem ser sinais importantes.
Outro cuidado é evitar a automedicação. Segundo a infectologista, o uso inadequado de antibióticos pode selecionar bactérias resistentes e provocar eventos adversos, interações medicamentosas, alterações da microbiota e infecções por Clostridioides difficile.
Usar sobras de tratamentos anteriores, compartilhar medicamentos ou interromper o tratamento sem orientação médica são práticas que devem ser evitadas.
A resistência aos antimicrobianos é considerada uma prioridade de saúde pública. A Anvisa estabeleceu, no PNPCIRAS 2026-2030, metas e ações para fortalecer a prevenção e o controle das infecções relacionadas à assistência à saúde, ampliar a vigilância e combater a disseminação de microrganismos multirresistentes.
No Complexo Hospitalar Jardim Cuiabá, a atuação da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) é voltada à vigilância epidemiológica, prevenção e controle das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS), monitoramento de indicadores, investigação de eventos e surtos, educação permanente das equipes e implantação de medidas preventivas baseadas em evidências.
Entre as práticas adotadas estão a higienização adequada das mãos, o uso correto de equipamentos de proteção individual, a adoção de precauções e isolamento quando indicados, a limpeza e desinfecção de ambientes e equipamentos e os protocolos para prevenção de infecções associadas a dispositivos e procedimentos cirúrgicos.
A Infectologia também atua de forma integrada ao Pronto Atendimento, à internação, à UTI, ao Centro Cirúrgico, ao laboratório, à enfermagem, à fisioterapia, à farmácia, à CCIH e às demais especialidades. A integração permite uma abordagem coordenada de acordo com a gravidade e a complexidade de cada paciente.
A estratégia está alinhada a uma prioridade nacional. O PNPCIRAS 2026-2030, aprovado pela Anvisa, prevê o fortalecimento dos programas de prevenção e controle de IRAS, da vigilância e das práticas assistenciais, além de ações para evitar a disseminação de microrganismos multirresistentes.
Para a infectologista, o enfrentamento das doenças infecciosas exige mais do que o tratamento de pacientes já doentes.
“Envolve prevenção, diagnóstico precoce, vigilância epidemiológica, interpretação adequada dos exames, microbiologia e uso racional dos antimicrobianos, uma abordagem que ganha ainda mais importância diante dos desafios impostos pela resistência bacteriana e pelas condições climáticas do período seco”, completa ela.
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