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da caixa registradora ao pix 02.06.2024 | 15h12

Tradicional bolixo cuiabano resiste ao tempo em área nobre

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Mariana da Silva - Especial para o GD

redacao@gazetadigital.com.br

Luiz Leite

Luiz Leite

Quem passa pela famosa rua 24 de Outubro pode reviver a nostalgia dos tempos dos tradicionais bulixos cuiabanos e adquirir utilidades domésticas no Armazém Abraão. Este mês, o local completa dois anos de sua reabertura e desperta memórias afetivas em quem entra no estabelecimento, com itens que remetem aos pais e avós de muita gente.

 

Com a frase “sempre servindo bem” no toldo da fachada, o negócio familiar atravessa gerações e resiste em meio às mudanças e transformações da contemporaneidade. Hoje quem gerencia o estabelecimento é o comerciante Leonardo Antonio Moraes Zaque, 33, bisneto do patriarca seo Abraão, fundador da venda. A reabertura mais recente do espaço teve ajuda de Francisco Carlos Monteiro da Silva Zaqui, 67, pai de Leonardo e neto de Abraão.

 

“O nome Armazém Abraão é por conta de meu avô, mas antigamente lá no centro era a Casa F, no ponto vizinho do Foto Chau, na Ricardo Franco, nos anos 50 e ficou até 76. Aí passou para o meu pai Alberto e teve um tempo que fechou e abriu de novo, depois veio pra cá”, recorda Francisco.

 

Luiz Leite

Armazém Abraão

 Fotografia de Alberto Zaque na parede do Armazém Abraão 

Entre as idas e vindas por mais de 15 anos quem levou o negócio adiante foi Alberto Zaque, filho de seo Abraão. Quando o estabelecimento migrou para a 24 de Outubro, seo Alberto ainda trabalhou até seus últimos dias de vida.

 

Devido ao falecimento, a esposa Célia Monteiro da Silva Zaque manteve o comércio por um curto período até que o fechou.

 

O desejo de dar continuidade ao negócio da família e manter a tradição fez com que Francisco, o único da geração que não tocou o negócio diretamente, reestabelecesse o ponto para o filho Leonardo levar adiante a herança familiar.

 

A reabertura foi bem recebida pela vizinhança e antiga clientela. “Quando a gente reabriu, as pessoas até falavam que estavam com saudade, muita gente passava aqui e falava que queria ver, que sentiam falta e que passavam aqui e viam que estava fechado. Quando reabriu, gostaram, teve uma boa recepção”, diz Leonardo.

 

Viagem no tempo e nas memórias do antigo comércio

Lembranças são revisitadas enquanto Francisco conta a história do local. Ele relembra que o pai, Alberto, acordava às 6 horas da manhã e com disposição já colocava os itens na calçada para atrair a clientela. Organizado e metódico, sempre recolhia tudo ao final da tarde e colocava nos mesmo lugares de onde havia retirado cedo. Assim fez dia após dia.

 

Acervo da família Zaque

armazém abraão

 

Antigamente, o balcão de pagamento quase não se podia enxergar através das pilhas de utensílios sobrepostos e lado a lado. As paredes eram também repletas de itens, uns empilhados, outros pendurados, outros pelo chão. Em meio ao mar de mercadorias, Alberto sabia exatamente onde estava cada peça.

 

Para Francisco, a durabilidade dos itens é o diferencial em relação aos produtos fabricados atualmente. Existem no local mercadorias em perfeito estado que foram encomendadas ainda na época do pai.

 

Dentre alguns dos itens é possível encontrar os clássicos filtros de barro São João, cestos de vime e taquara, vassouras de palha, colheres de madeira, escumadeiras, potes, panelas de ferro, vasos, chapéus de palha, ralador, regadores de plantas, baldes, ratoeiras, pilão, lamparina, lampião e até os penicos.

 

Acervo da família Zaque

armazém abraão

 

Do antigo “secos e molhados” restaram somente os secos, mas pai e filho recordam que antigamente o local vendia desde farinha e cereais, furrundu, compotas e doces tradicionais da baixada cuiabana, iogurte, frios e variedade de itens alimentícios.

 

A queda drástica no movimento nos últimos anos, reflexo da modernização e da tomada da cidade por grandes redes de supermercados e franquias de lojas de utilidades, não é o único percalço para os pequenos negócios.

 

Aquisição dos itens mais artesanais tem ficado cada vez mais complexa, pois os antigos artesãos partiram e são poucos os que têm filhos ou netos com habilidade de manejar as cestas e cestos de taquara, chapéus de palha e os antigos “sucuri”, utensílio de palha para escorrer massa de mandioca para fazer farinha e até produtores de violas de cocho.

 

Mesmo com dificuldades, pai e filho não desanimam. O jeito é fazer adaptações. Em virtude dos novos tempos, a antiga balança Filizola e a caixa registradora hoje dão lugar a máquina de cartão e o QR Code para pix exposto no balcão. Aderir a algumas modernidades ajuda a manter o negócio, que hoje tem até Instagram e Tik Tok.

 

A resistência do espaço marca a memória e tradição da cuiabania.

 

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Comentários

francisco kunze - 02/06/2024

Quase que diariamente passo na loja e bato um papo com os herdeiros da tradicional loja! Compensa visitá-la!

1 comentários

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