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de 2008 E 2022 17.01.2026 | 13h15

Várzea Grande está entre as cidades com mais resgates de sucuris do Brasil

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Aline Costa - Especial para o GD

redacao@gazetadigital

Reprodução/ Instituto Butantan

Reprodução/ Instituto Butantan

Várzea Grande está entre as 5 cidades do país com mais registros de sucuris resgatadas em centros urbanos entre 2008 e 2022, aponta pesquisa apresentada em revista científica internacional, desenvolvida pelo mato-grossense Bruno Câmera. Dentre os 189 animais resgatados no período em todo o Brasil, 12 deles estavam no município. O mapeamento traz atenção para a necessidade de centros de resgate especializados em locais estratégicos.

 

O estudo foi realizado pelo biólogo e Doutor em Biodiversidade e Evolução, Bruno Câmera, que passou cerca de 3 meses apenas na etapa de coleta de dados sobre o encontro desses animais em centros urbanos. Várzea Grande ocupou o 4° lugar no ranking com o maior número de registros no Brasil, atrás apenas de Salvador (BA), Porto Velho (RO) e Manaus (AM).

 

“Eu recuperei, 189 registros de resgates de sucuris que estavam distribuídos em 84 cidades de 18 estados do Brasil”, afirmou. 

 

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Ao , Câmera explicou que umas das hipóteses levantadas para existir uma quantidade maior nessas cidades é que todas elas são centros urbanos antigos, com início sem planejamento, e próximas a rios, com cursos de água espalhados. A presença de córregos facilita a movimentação das serpentes, o que torna propício o aparecimento.

 

“A gente discute que são cidades muito antigas, com mais de 200 anos. Salvador tem mais de 400 anos de existência. Algumas coisas que a gente elenca aqui é que essas cidades são marcadas por um processo de urbanização não controlado, que cresceram basicamente conforme a população foi chegando sem um controle. Essas cidades foram crescendo ao longo de áreas ripárias, ribeirinhas, na beira de rios, com presença de grandes corpos d'água”, afirma ele.

 

Um fato interessante é que a pesquisa não apresentou registros expressivos em Cuiabá, mesmo sendo próxima à Várzea Grande.

Reprodução

Bruno Câmera, biólogo especialista em sucuris

Formado em Ciências Biológicas pela UNEMAT, mestre em Zoologia pela UFMT e doutor em Biodiversidade e Evolução pelo Museu Paraense Emílio Goeldi

 

Entender se essas sucuris encontradas têm os ambientes urbanos como morada ou se estão apenas transitando é algo que as pesquisas ainda não desenvolveram. Existem hipóteses de que este aparecimento seja fruto da movimentação dos animais até cabeceiras de rios, mas as pesquisas sobre isso têm uma dificuldade maior em ser realizada.

 

Câmera explica que os registros de resgate ocorrem em espaços variados, como dentro de canos, em postes de luz ou enroladas em pneus de caminhões. Apesar de aparecem nesses espaços, as sucuris não oferecem riscos à população No período estudado, foi encontrado um único registro de ataque desses animais a humanos nos meios urbanos, sem vítima fatal.

 

As sucuris nas cidades também podem ser algo benéfico, pois elas se alimentam de pragas urbanas, como ratos, o que pode auxiliar no controle de zoonoses. Além dos roedores, elas podem se alimentar de pombos, se conseguirem capturar, patos e até de gatos e cachorros.

 

Por outro lado, esses animais, ao serem encontrados nas cidades, correm risco de serem assassinados. O pesquisador afirma que a presença dos registros de resgate é algo positivo, pois significa que eles tiveram uma chance de sobrevivência.

O estudo sobre a presença de sucuris foi publicado na revista científica internacional “Studies on Neotropical Fauna and Environment” (Estudos da Fauna e Flora Neotropical), no Reino Unido, em 2025.

 

Os resgates dos animais

Divulgação

Sucuri resgatada em sorriso em outrubro de 2025

Sucuri resgatada pelo Corpo de Bombeiros no perímetro urbano de Sorriso, em outubro de 2025

Bruno Câmera destaca que a pesquisa mostrou que os resgates dos animais geralmente são realizados pelo Corpo de Bombeiros ou equipes de polícia e são soltos em regiões de mata. No Brasil são esses profissionais que realizam esses procedimentos por ainda não existirem equipes especializadas apenas no resgate de animais e posterior soltura, formadas por biólogos e outros profissionais da área.

 

Essa lacuna formada pelas faltas de equipes pode gerar um problema a longo prazo, uma vez que animais resgatados, antes de serem devolvidos ao meio ambiente, devem passar por exames de zoonoses e mapeamento genético, assim como o local que os recebe.

 

“Quando essas sucuris são resgatadas e levadas para outros lugares, existe um risco de morte muito grande. Elas geralmente são muito sensíveis a essa situação de translocamento. Além disso, sem um estudo prévio, a gente pode estar levando patógenos, ou doenças de um lugar para outro. A gente tem que entender também que existem populações genéticas. Será que aquela população é compatível com essa população genética desse animal que foi resgatado?”, explicou o biólogo.

 

Ele explica que, além disso, seria importante que os animais fossem acompanhados a longo prazo após a soltura e que isto também poderia auxiliar na pesquisa e no entendimentos dos hábitos. Essa política já existe em outros países e, além do cuidado com os animais, também poderia empregar profissionais da área ambiental.

 

“A gente deveria pensar nisso como uma política de longo prazo, com um aumento do número de Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), por exemplo, ou Centro de Reabilitação e Tratamento de Fauna Silvestre”, finaliza ele.

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