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rotina de medo 03.11.2019 | 07h21

Vídeo mostra Patrulha que ajuda mulheres vítimas de violência

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Ana Flávia Corrêa

anaflavia@gazetadigital.com.br

Luiz Leite

Luiz Leite

Enquanto a reportagem conversava com a diarista Elena*, encostada em seu pé a cachorra Belinha observava a tudo, atenta. Companheira fiel da mulher, ela foi a única sobrevivente entre 9 cachorros que foram envenenados e mortos por Thiago*, ex-namorado da diarista.

 

No final do relacionamento, que durou 4 meses, por não aceitar o término o eletricista ameaçava Elena, os cachorros e os 5 filhos de morte. "Fiz de tudo para evitar uma tragédia, você não acreditou. Agora é tarde, você não vai ver seus filhos crescerem. É uma pena, eu gostava tanto de você", disse em uma das dezenas de mensagens que enviou para a mulher. 

 

Mesmo com uma medida protetiva em seu desfavor, Thiago desrespeitava a decisão da Justiça e se aproximava da mulher e de seus filhos. No dia em que matou os cachorros, em agosto deste ano, foi até o quintal da casa da mulher e jogou pedaços de carne envenenada. Quando a diarista acordou às 4h30, passou o café, se arrumou e abriu a porta para enfrentar mais um dia de trabalho, se deparou com alguns cachorros já mortos e outros ainda agonizando. 

 

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Na ocasião, o homem foi preso por descumprimento da medida, maus-tratos, ameaça e, ainda, divulgação de cena de nudez. Isto porque também publicou na internet vídeos íntimos gravados sem o consentimento de Elena.  As imagens chegaram no celular dos filhos, que têm 20, 18, 15, 13 e 10 anos. 

 

Com medo das ameaças, a vítma faz parte do grupo de mulheres atendidas pela Patrulha Maria da Penha, iniciativa da Polícia Militar (PM) que visa assegurar o cumprimento das medidas protetivas e a integridade física das mulheres vítimas de violência doméstica e de tentativas de feminicídio. 

 

"De lá para cá minha vida acabou, porque eu tenho medo. Eu tenho muita proteção deles [Patrulha], eles me ajudam muito, me acompanham, mas a minha tranquilidade, a minha paz já foi. Não tenho mais a vida que eu tinha antes. Ele acabou com a minha vida. Destruiu a minha vida e a da minha família. Hoje nem eu e nem as crianças nos sentimos mais seguras", declarou Elena. 

 

A tenente Denyse Valadão, do 1º Comando Regional, explicou à reportagem que as medidas protetivas chegam à polícia por meio da 1ª e 2ª Vara de Violência Doméstica da Capital. A partir disso, eles fazem a primeira visita para a vítima onde constatam a classificação de risco e questionam se a mulher deseja ser atendida pelo projeto.

 

"Com base na classificação de risco é definido a quantidade de visitas que vão ser feitas para aquela vítima. Depende de cada caso. Tem situações em que é necessário fazer visitas uma vez por semana, ou a cada 15 dias, depende de cada caso. Além da visita para a vítima, é realizada uma visita ao agressor para informar que ele também será monitorado", disse. 

 

Ainda que no caso de Elena o agressor esteja preso, a manutenção do acompanhamento se dá pela possibilidade de que o homem seja solto e também porque as ameaças podem continuar por meio de terceiros, influenciados pelo homem de dentro da prisão. A diarista segue amedrontada e zela por sua segurança e das crianças. 

 

Por meio de dois grupos, a patrulha atende 10 bairros na Capital que têm maior incidência de violência doméstica. Entre eles estão Pedra 90, Dom Aquino, Tijucal, Doutor Fábio, CPA 3, Porto, Osmar Cabral, Santa Isabel, CPA 4 e Centro Norte. Nos casos mais graves, em que há tentativa de feminicídio, os policiais ultrapassam os limites do bairro e atendem a mulher vulnerável. Desde outubro de 2018, cerca de 200 vítimas foram acompanhadas.

 

"Nas visitas são feitas perguntas relativas ao cumprimento da medida. Se o agressor se aproximou, se ele foi em algum lugar em que a vítima estava, se ele mandou mensagem. Tudo no sentido de se houve um fato novo relativo à medida protetiva. O acompanhamento é feito até ser verificado que não existe mais o risco", explicou a policiail.

 

Recomeço 

No ápice das ameaças, Elena não conseguia ir trabalhar. Durante um mês, se recolheu em casa junto aos filhos e se alimentava graças às doações de cesta básica dos vizinhos. Nas vezes em que precisou ir atrás de seu sustento, chegou a voltar correndo para casa depois de uma mensagem com ofensas. 

 

"Eu cansei de deixar a casa dos meus patrões cheia de água e vinha correndo, pegava o ônibus desesperada. Porque ele falava certinho a roupa que meus filhos estavam, dizia que estava no fundo de casa e que iria pegar as crianças para torturar e matar", relatou. 

 

O relacionamento com Thiago era a esperança de ser amada e ter um relacionamento menos conturbado do que o primeiro, em que viveu por 27 anos com um marido agressor e abusivo. A princípio, o homem demonstrava que era "o certo". Ela decidiu terminar apenas ao descobrir que ele tinha envolvimento com drogas. 

 

Agora, pouco menos de 3 meses após a morte dos animais, ela tenta recuperar a confiança na vida e a autoestima que perdeu durante o relacionamento. Adotou outros três cachorros, Belinha e dois filhotes sem nome, apelidados carinhosamente de "Neném" e "Bebê". 

 

"Eu chegava aqui e não via meus cachorros, o desespero tomava conta. Quando eu chegava do trabalho eles iam me encontrar lá na esquina. Eram meus companheiros e eu perdi tudo. Ele quis me atingir tirando o que eu mais gostava, os meus bens mais preciosos. Mas tudo está voltando aos eixos", finalizou, enquanto neném e bebê dormiam despreocupados ao pé do sofá em que estava sentada.

 

Veja vídeo 

 

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