bets proibidas 28.09.2026 | 18h37

redacao@gazetadigital.com.br
Sarah Máximo
O Ministério da Saúde registrou aumento na procura por atendimento de pessoas com problemas relacionados a apostas online, as chamadas bets. Segundo o secretário-adjunto da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Jérzey Timóteo, houve crescimento da demanda tanto na atenção primária quanto nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
Durante visita ao Hospital Universitário Julio Muller, nesta segunda-feira (28), Timóteo afirmou que o avanço das apostas tem provocado impactos na saúde mental, na renda e nas relações familiares dos brasileiros.
“Em 2023 regulamentou as bets e vamos dizer que ficou num período de avaliação do impacto das bets junto à população brasileira. De lá para cá, nós percebemos um aumento vertiginoso de acesso, tanto à saúde da família como aos CAPs, de pessoas com transtorno, que a gente fala transtorno de jogo patológico, mania de aposta, um aumento importante.”, afirmou ao
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O secretário também citou a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, criada pelo governo federal para permitir que o cidadão bloqueie voluntariamente o acesso às plataformas de apostas autorizadas. Segundo dados do Ministério da Saúde, mais de um milhão de pessoas já solicitaram a autoexclusão, e 35% apontaram a perda de controle sobre o jogo como motivo para o bloqueio.
Timóteo afirmou que o problema pode atingir diretamente o orçamento das famílias e provocar perda de patrimônio.
“É um impacto na família, é um impacto na renda daquela família, pessoas têm perdido o patrimônio. Para vocês terem noção, a população mais vulnerável vê nas apostas uma perspectiva de investimento, enquanto, por trás daquele jogo, tudo é desenhado para perder. Então, do lado da saúde, nós vimos um aumento do número de consultas por transtorno de jogos, na atenção primária e nos CAPs. Na plataforma de autoexclusão, nós vimos 1,3 milhão, 35% dessa autoexclusão relacionada a um problema de saúde mental.”, disse.
Atendimento pelo SUS
Diante do aumento da procura, o SUS ampliou a oferta de atendimento remoto para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas e também para familiares. Desde agosto, o serviço tem capacidade para realizar até 100 mil teleatendimentos mensais por meio do aplicativo Meu SUS Digital.
A iniciativa começou em março, com capacidade inicial de 600 atendimentos mensais. Segundo o Ministério da Saúde, a estrutura foi ampliada devido à alta procura pelo serviço.
O atendimento é realizado por profissionais de saúde, incluindo psicólogos, e pode servir como porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Dependendo da avaliação, o paciente pode receber acompanhamento por teleconsulta ou ser encaminhado para atendimento presencial.
Ainda em julho, o Ministério da Saúde lançou uma campanha nacional de prevenção aos danos causados pelas apostas online. A orientação é que pessoas que percebam dificuldade para reduzir ou interromper as apostas procurem uma Unidade Básica de Saúde ou um CAPS.
Além do atendimento, a plataforma de autoexclusão permite bloquear o CPF de uma só vez nas plataformas autorizadas e impede a abertura de novas contas durante o período escolhido pelo usuário.
Na entrevista, Timóteo também destacou a criação de ferramentas digitais de autoteste e de atendimento psicológico para pessoas que identificam problemas relacionados às apostas.
“Nós vimos também o nosso aplicativo, no SUS Digital, que é onde a pessoa faz um autoteste para saber se tem de fato um problema de saúde mental relacionado a bets, o fluxo aumentou, por isso que a gente criou um programa de psicoterapia para quem tem esse vício, para que a gente possa, junto com um profissional da psicologia ou da psiquiatria, apoiar esse cidadão ou cidadã que está nesse problema difícil de saúde e tirá-lo dessa.”, finalizou.
Bets recorrem
Enquanto o Ministério da Saúde aponta aumento na procura por atendimento relacionado ao vício em apostas, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (28), para tentar suspender a medida provisória que proibiu as bets no Brasil.
Assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira (25), a MP proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa em todo o território nacional. As plataformas já estão impedidas de receber novas apostas. As entidades do setor alegam que a medida foi adotada de forma abrupta e questionam a urgência utilizada pelo governo para editar a MP.
O pedido foi distribuído ao ministro Luiz Fux. A Advocacia-Geral da União (AGU) solicitou prazo de 72 horas para apresentar manifestação antes de uma eventual decisão. A MP tem vigência inicial de 60 dias, prorrogável por mais 60, e precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional para se tornar definitiva.
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