11.06.2017 | 09h00
Arquivo Pessoal![]() 'Subiram encima da minha barriga', relata Rosa |
Violência obstétrica ainda é uma realidade silenciosa em Mato Grosso, que o caso envolvendo o médico Jarbes Balieiro Damasceno, de Cáceres ( 225 km a Oeste), traz à tona.
Leia mais - 4 mulheres acusam obstetra por 'terror' no parto
A informação é da coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher da Defensoria Pública de Mato Grosso, Rosana Barros. A defensora explica que esta é uma preocupação que surgiu quando as mulheres começaram a observar as demais agressões que sofrem, em um contexto machista, e vem ganhando expressão há cerca de apenas 5 anos.
Reprodução![]() Parto é hora delicada |
"É mais uma violência de gênero detectada, que causa sofrimento somente por ser mulher", realça.
Ela critica o procedimento obstétrico usado em pelo menos duas das parturientes que acusam o médico Jarbes, que é a Manobra de Kristeller.
Defensoria Pública![]() Muitas desconhecem procedimentos médico, destaca defensora Rosana Barros |
Esta manobra consiste na aplicação de pressão no fundo do útero com o objetivo de facilitar a saída do bebê.
Pesquisa "Nascer no Breasil", da Fiocruz, aponta que 36% das brasileiras que fazem parto normal passam por isso, mas não né recomendável pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
"Subiram em cima da minha barriga para o bebê sair à força", narra a dona de casa Rosa Maria Martins Pires, 27, de Cáceres. A filha dela, Vitória, morreu 7 dias após o parto.
Já uma estudante também de Cáceres, de 25 anos, conta que passou por rodízio de toques. "Esse senhor fez o toque nas pacientes e inclusive em mim como se fôssemos animais, ele me machucou mesmo", lamenta.
A defensora ressalta que em algumas circunstâncias de violência obstétrica é configurado o crime e em outras, o direito à indenização por danos morais.
"É falta de respeito à mulher neste momento que é tão importante para a vida dela", condena.
"Para algumas, o parto normal, por exemplo, é mais fácil, e para outras não. Há que se respeitar o organismo de cada qual, e como cada uma lida com as dores da contração", diz a defensora.
"É importante falar em que momento acontece a violência obstétrica. Que pode acontecer durante a gestação, no momento do parto, assim entendido o trabalho do parto em si é o pós parto", pontua.
"Tudo isso é mais frequente do que se imagina, pois muitas não entendem sobre procedimentos médicos", ressalta Rosana Barros. "Justamente no momento que para algumas é esperado por toda a vida. Para algumas é um sonho realizar a maternidade, e passar por situações dessa maneira é desagradável e traumático".
São variadas as formas de agressão à parturientes: verbais, recusa de atendimento, privação de acompanhante, lavagem intestinal, raspagem de pelos, jejum, episiotomia, separação do bebê da mãe, manobras desnecessárias.
As agressões mais comuns
1 - Manobra de Kristeller
2 - Impedir a mulher que fique em posição vertical (90% das brasileiras dão à luz deitadas)
3 - Impedir que faça barulho em momento de intensa dor.
4 - Toques para conferência de dilatação sem o menor cuidado.
5 - Xingamentos: você é chata, mole, arrogante, mimada, agressiva, não pensou nisso na hora do bom, entre outros termos de baixo calão.
6 - Enquanto sente dor, a equipe médica mostra-se alheia, falando de futebol, compras de produtos, como carro, da moda, da novela, menos do momento em questão.
7 - Episotomia, que é corte cirúrgico feito no períneo, região entre a vagina e o ânus, formada por músculos, por onde sai o bebê. Estudos mostram que corte têm sido bem maior do que o que seria feito pela cabeça do bebê, então não é recomendável pela OMS.
Veja relatos de parturientes
Facebook![]() 'Denuncie', orienta Jocilene |
É preciso denunciar
Presidente do Conselho Estadual da Mulher, Jocilene Barboza dos Santos, informa que o entidade não recebeu denúncia específica disso. "Mas recomenda que as mulheres denunciem em ouvidorias da Saúde, Ministério Público, Conselho Regional de Medicina, ao próprio Conselho que solicitará apuração de órgãos competentes para apuração e punição", afirma.
Para ela, "essas iniciativas são importantes para previsão legal que explicite essa violência e que subsidie melhor as mulheres na busca de amenizar os danos que lhes foram causados".
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Adalberto Ferreira da Silva - 11/06/2017
Existe um aspecto que precisa ser seriamente investigado, pois existe pressão do SUS para que os médicos evitem partos cesarianas para não gastar recursos, e isso certamente também contribui para problemas graves de saúde para mulheres grávidas que dão a luz em hospitais públicos, ou morte...
1 comentários