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SUSTENTABILIDADE 16.05.2026 | 17h00

'Florestas plantadas' abrem nova rota verde e de preservação em MT

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Helena Werneck - Especial para o GD

redacao@gazetadigital

HELENA WERNECK

HELENA WERNECK

Fazendas que investem em reflorestamento regular começam a ganhar espaço em Mato Grosso como alternativa para produzir madeira, biomassa e energia sem ampliar a pressão sobre florestas nativas. O tema foi debatido no workshop “Por Dentro do Reflorestamento”, promovido pela Associação de Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta), que apresentou o setor florestal como peça estratégica para a economia verde, a descarbonização e a regularização ambiental, em que o esteve presente e pôde acompanhar de perto todos os processos do plantio de eucalipto.

 

Um dos exemplos é a Fazenda Girassol, localizada em Jaciara, que mantém áreas de florestas replantadas e também atua na geração e comercialização de créditos de reposição florestal para outras empresas. Na prática, o modelo transforma a árvore em parte do planejamento econômico da propriedade: em vez de retirar madeira nativa sem reposição, o produtor planta, maneja, comprova a origem e pode gerar créditos usados por empresas que precisam compensar o consumo de matéria-prima florestal.

 

Para o presidente da Arefloresta, Fausto Takizawa, Mato Grosso vive um momento em que há área disponível, demanda de mercado e necessidade ambiental para ampliar a base florestal plantada.

 

“Hoje o Estado tem como meta recuperar áreas degradadas, pastagens com baixa aptidão, uma área que supera a ordem de 3,82 milhões de hectares. São áreas de baixa produtividade e passíveis de recuperação. Então, a gente vive um cenário de área disponível para plantar floresta, ampliar lavoura e tornar mais produtivas essas áreas que nós temos”, afirmou.

Segundo ele, a demanda por biomassa também cresce com o avanço da agroindústria em Mato Grosso.

HELENA WERNECK

EUCALIPTO FAZENDA GIRASSOL

 

 

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“Nós temos um mercado consumidor pujante para comprar essa biomassa do eucalipto. Toda agroindústria precisa de energia: usina de etanol de milho, frigorífico, enfim, toda agroindústria precisa de energia. E a energia mais competitiva e sustentável é plantar árvore”, destacou.

 

Conceitos para entender

 

Reflorestamento é o plantio de árvores em áreas que já foram florestadas ou degradadas, com objetivo de recuperação ambiental ou produção sustentável. Quando o plantio ocorre em uma área onde antes não havia floresta, o termo mais correto é florestamento. Já floresta plantada é uma área formada por espécies nativas ou exóticas, como eucalipto e teca, manejadas para fins econômicos, sociais e ambientais.

 

Isso não é o mesmo que desmatamento. Desmatamento é a retirada da cobertura vegetal, especialmente de floresta nativa, podendo ser autorizado ou ilegal. O reflorestamento, por outro lado, busca recompor áreas, produzir matéria-prima e reduzir a dependência da exploração de florestas naturais.

 

Também há diferença entre preservação e conservação. Preservar é manter áreas naturais sem intervenção humana. Conservar permite o uso sustentável dos recursos, com manejo responsável e respeito à legislação. É nesse ponto que as florestas plantadas entram como aliadas das nativas: produzem madeira, energia e outros produtos em áreas planejadas, diminuindo a pressão sobre ecossistemas naturais.

HELENA WERNECK

EUCALIPTO FAZENDA GIRASSOL 2

 

 

Madeira nobre e energia

Entre as principais espécies plantadas em Mato Grosso estão o eucalipto e a teca. O eucalipto tem crescimento rápido, ciclo de cinco a sete anos e é usado na produção de celulose, papel, energia, biomassa, carvão vegetal, construção civil e móveis. Já a teca é considerada madeira nobre, de alto valor, resistente e durável, com ciclo produtivo mais longo, de 20 a 25 anos, voltada principalmente para móveis, pisos, portas, artefatos e exportação.

 

“Mato Grosso tem destaque na plantação de teca, na exportação, uma madeira de alto valor. É um grande exportador dessa madeira para a Ásia, principalmente para a Índia. Então, a gente vive esse contexto. Há muito espaço para plantar floresta e dizer que floresta é uma ótima atividade, uma cadeia econômica muito positiva”, disse Fausto.


O presidente da Arefloresta também destacou que o Brasil é referência na produção de eucalipto.


“O Brasil é líder na plantação de floresta de eucalipto, principalmente em tecnologia e produtos ligados ao eucalipto. O Brasil tem isso como negócio e também na parte técnica da silvicultura. É uma cadeia produtiva muito positiva para a mitigação das mudanças climáticas, muito positiva em sequestrar carbono”, completou.

 

Origem legal

A origem da madeira se tornou um dos pontos centrais do setor. Produtos florestais precisam ter rastreabilidade, ou seja, comprovação de que vêm de áreas manejadas de forma legal e sustentável. Essa certificação ajuda a separar a produção regular do desmatamento ilegal e aumenta o valor da madeira no mercado.

 

Fausto defende que o setor deve ser pautado pela legalidade e pelo cumprimento da legislação ambiental e trabalhista.
“O papel da Arefloresta é criar um ambiente de negócios favorável e enfrentar as adversidades para se plantar floresta em Mato Grosso. A gente defende a legalidade. É uma atividade que tem que ser pautada em respeitar a legislação ambiental, a legislação trabalhista, não só respeitar, mas executar o que está na legislação”, afirmou.

 

Segundo ele, um dos entraves está na fiscalização e no cumprimento das regras já previstas.


“A gente reconhece que o Estado não tem dado a atenção devida ao respeito ao Código Florestal. O órgão ambiental não tem atuado de forma a trazer um resultado prático. Ao permitir o uso da biomassa nativa de supressão para consumo industrial em grande escala, isso cria um risco para a plantação florestal e causa desequilíbrio no mercado”, avaliou.

 

Desmatamento e oportunidade

O avanço das florestas plantadas ocorre em um estado que ainda convive com o peso histórico do desmatamento. Para o presidente da Arefloresta, a redução desse problema passa pela aplicação mais rígida do Código Florestal e pelo uso eficiente das ferramentas de controle ambiental.

 

“O que precisa mudar para diminuir o desmatamento é a aplicação rígida do que está no Código Florestal. O Estado não tem implementado as ferramentas do Código em sua plenitude e as ferramentas de controle estão sendo ineficientes. Hoje, com todas as tecnologias disponíveis, há condição de uma atuação mais eficiente, mas o resultado prático não está acontecendo”, pontuou.

 

Fausto também vê contradição entre metas ambientais e políticas públicas ainda pouco efetivas. Segundo ele, Mato Grosso possui áreas já abertas, degradadas ou subutilizadas que poderiam receber floresta plantada, ampliar produtividade e reduzir a pressão por novas aberturas.

 

“É contraditório. Ao mesmo tempo em que se tem uma meta na agricultura de baixo carbono para recuperar 3,82 milhões de hectares de áreas degradadas no Estado, estamos falando de áreas que já estão abertas, com baixa produtividade. Em vez de fomentar floresta, aumentar produção de carne, soja e milho nessas áreas, ainda faltam políticas efetivas que possibilitem ao produtor ter maior produtividade”, disse.

 

Floresta em pé e mercado de carbono

Outro ponto citado por Fausto é a possibilidade de Mato Grosso perder oportunidades econômicas caso não avance em políticas de controle, incentivo e valorização da floresta em pé. Para ele, o mercado regulado de carbono pode trazer benefícios ao produtor rural, mas isso depende de regras claras e de áreas preservadas.

 

“O Estado também tem que entender que, ao deixar muito frouxo o controle do desmatamento, pode estar perdendo uma oportunidade ótima de desenvolvimento. Algumas regiões no Brasil já estão vendo que a floresta em pé pode ter muito valor. Com a regulamentação do crédito de carbono, Mato Grosso pode estar perdendo uma oportunidade se não adotar políticas de avanço”, afirmou.

 

Segundo ele, o risco é que áreas passíveis de gerar benefícios econômicos e ambientais deixem de existir.


“A partir do momento em que esse mercado regulado de carbono vier de fato trazer benefício econômico, o produtor rural pode não ter mais a oportunidade de ter esse benefício, porque toda área de floresta passível de crédito de carbono pode não estar mais existente”, completou.

HELENA WERNECK

EUCALIPTO FAZENDA GIRASSOL 3

 

 

Florestas como futuro

As apresentações do workshop também apontaram que as florestas plantadas podem ajudar a recuperar solos erodidos, pastagens degradadas e áreas improdutivas. Além disso, contribuem para a captura de carbono, proteção do solo, regulação do clima, infiltração da água, manutenção de nascentes e geração de empregos.

 

A meta discutida para Mato Grosso é ampliar a base de suprimento sustentável, com expansão das florestas plantadas, manejo florestal sustentável e aproveitamento de resíduos industriais e agroindustriais, como cavacos, serragem e cascas, dentro de uma lógica de economia circular.

 

No caso de fazendas como a Girassol, o reflorestamento mostra que sustentabilidade também pode ser negócio. A árvore plantada vira energia, renda, crédito, regularização e reputação. Em um Estado marcado pela força do agronegócio, a nova fronteira não está apenas em abrir áreas, mas em recompor, plantar, manejar e provar a origem.

 

Ao ser questionada, a Sema (Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso) revelou que o Plano de Desenvolvimento Florestal e Biomassa 2026–2040, estratégia que aposta na floresta como fonte de renda e desenvolvimento sustentável, foi lançado no dia 30 de março deste ano. Elaborado pela Sema e pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Social (Sedec-MT), o plano prevê a expansão da produção de madeira, o uso energético da biomassa e a industrialização da cadeia florestal, buscando diversificar a economia do Estado e gerar novas oportunidades de emprego, embora o questionamento dos reflorestadores seja que esse plano ainda permita muito tempo de irregularidades. Acesse o plano: (AQUI).


A Sema ainda reitera que a fiscalização dos alertas de desmatamento ilegal é superior a 87%. A média é maior do que a nacional, que atualmente é de 50%. Na Amazônia Legal, o percentual de atuação em relação a esses alertas é de 28%.
Segundo a pasta, dados do MapBiomas revelam que, a cada 100 hectares desmatados em Mato Grosso, 82,6% tiveram a intervenção do estado, seja por meio da autuação por desmatamento ilegal ou da concessão da autorização para desmate. O percentual de atuação, calculado com base nos últimos seis anos, é superior à média nacional, que gira em torno de 54%. Segundo a lei, quem desmata ilegalmente é multado, tem a área embargada e responde nas esferas administrativa, civil e criminal.


A Sema salienta que o estado realiza o monitoramento contínuo de todos os seus biomas por imagens de satélite, gera alertas de desmatamento em tempo real e age com rapidez para impedir o avanço do dano ambiental. Por meio do monitoramento e alertas, são identificados os municípios que mais desmatam e as operações são intensificadas nessas regiões.


A luta dos reflorestadores continua para que mais florestas plantadas existam e diminua o desmatamento no estado de Mato Grosso, mas, para isso, é importante que mais informação chegue a quem mais precisa saber: a população mato-grossense.

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