Alívio no bolso 31.01.2026 | 08h46
DIRCEU PORTUGAL/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
O ano de 2026 começou com mudanças no ambiente econômico que influenciam diretamente o bolso do trabalhador. A combinação entre a nova tabela do IR (Imposto de Renda) e a recente valorização do real, com a baixa do dólar na última semana, criou um cenário de otimismo para o consumo doméstico.
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Além disso, a sinalização do Banco Central de que a taxa básica de juros pode começar a cair em março, somada à valorização do ouro, redesenha as perspectivas para o início do ano. Embora esses movimentos não sigam uma regra automática, eles ajudam a entender para onde caminham o custo de vida, o crédito e as decisões de consumo no país.
A expectativa de início do ciclo de queda da Selic surge após o Banco Central manter, nesta semana, a taxa básica de juros em 15% ao ano pela quinta vez consecutiva. O cenário abre espaço para um crédito mais barato à frente, mas a mudança no bolso do consumidor tende a acontecer de forma gradual.
Segundo Hulisses Dias, fundador da Beginity Capital, a combinação desses fatores tende a aliviar parte das pressões sobre a economia, mas os efeitos para o consumidor não são imediatos.
“Os efeitos tendem a ser lentos para o consumidor brasileiro, porque as empresas passaram muito tempo com margens de lucro comprimidas e, nesse primeiro momento, a tendência é ampliar essas margens antes de repassar reduções de custos aos preços finais”, afirma.
Ainda assim, segundo ele, a sinalização do BC já influencia o mercado. “O mercado é feito de expectativas, e a melhora delas reduz o custo de capital das empresas e ajuda a criar um ambiente mais favorável para o crédito”, explica.
Nova faixa de isenção do Imposto de Renda
Desde 1º de janeiro, quem recebe até R$ 5.000 teve o Imposto de Renda zerado, o que representa uma economia média de R$ 300 mensais, que passam a circular no comércio.
Professor de economia do Ibmec Brasília, Renan Silva avalia que a isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5.000 mensais é um avanço significativo, uma vez que a faixa de isenção estava congelada desde 2015.
“Com a medida, estima-se que cerca de 15 milhões de brasileiros deixarão de pagar o imposto, gerando uma economia anual de aproximadamente R$ 4.356,89 para quem ganha R$ 5.000 mensais”, estima o economista.
Para Silva, porém, a mudança não recompõe totalmente as perdas inflacionárias dos últimos anos. “A inflação acumulada entre 2015 e 2022 foi superior a 50%, enquanto os salários, em muitos casos, não acompanharam esse ritmo”, analisa.
Dólar em queda
Nos últimos dias, o dólar passou a operar em queda frente ao real, atingindo o menor nível de fechamento desde o fim de maio de 2024, o que reflete a melhora das expectativas em relação à política monetária no Brasil e ajustes no cenário externo.
Na quinta-feira (29), a moeda americana fechou o dia cotada em R$ 5,19. O movimento foi impulsionado por um fluxo recorde de capital estrangeiro e pela volatilidade política enfrentada nos Estados Unidos desde o final do ano passado.
Dias afirma que a desvalorização do dólar tem impacto direto no custo de produção no Brasil, mesmo para quem não consome produtos importados. Insumos essenciais da economia, como trigo, milho, aço e petróleo, são cotados em moeda americana.
“Mesmo que o consumidor não saia do Brasil, muitos itens do dia a dia dependem do dólar. Quando a moeda cai, há uma redução dos custos de produção, o que tende a aliviar a inflação ao longo do tempo”, diz Dias.
Esse movimento ajuda a criar espaço para cortes maiores nos juros no futuro, já que um câmbio mais baixo reduz pressões inflacionárias.
Embora o momento seja propício para a economia nacional, Silva alerta para um risco elevado com o atual cenário: os chamados investimentos de “hot money”. Impulsionado por um real valorizado e juros elevados, o Brasil pode ser alvo desse tipo de aplicações, que são “voláteis” e “podem sair do país rapidamente diante de mudanças no cenário global”.
Ouro em alta
A valorização do ouro, por outro lado, reflete um cenário internacional ainda marcado por incertezas. Tradicionalmente visto como ativo de proteção, o metal sobe em momentos de maior aversão ao risco.
Nos últimos 12 meses, o ouro tem renovado máximas no mercado internacional alcançando a marca histórica de R$ 25,2 mil, impulsionado por tensões geopolíticas, incertezas sobre o ritmo da economia global e pela busca de investidores por ativos considerados mais seguros.
Para o consumidor comum, o impacto é indireto. “O ouro também é usado na indústria. Quando sobe muito, pode pressionar custos de alguns produtos, mas existe um limite, porque outros metais e ligas acabam sendo utilizados como substitutos”, afirma Dias.
Metais como cobre e prata também acompanham esse movimento, mas, segundo Dias, esse efeito tende a se diluir ao longo do tempo.
Riscos e perspectivas no bolso em 2026
Silva projeta um momento de alta no comércio, principalmente no setor de serviços, especialmente aqueles voltados ao consumo doméstico, como turismo, alimentação e entretenimento. O varejo tecnológico, segundo o professor, beneficia-se diretamente da valorização do real, que reduz os custos de importação de produtos.
Ele comenta, porém, que o aumento da demanda pode pressionar os preços dos produtos, reduzindo o ganho real para os consumidores e aumentando a inflação.
“Caso a inflação volte a subir acima das metas estabelecidas, o Banco Central pode ser forçado a manter os juros elevados por mais tempo ou até aumentá-los novamente. Isso criaria um cenário de crescimento econômico limitado, com o custo do crédito permanecendo alto”, afirma.
Sendo assim, embora o cenário atual seja positivo, pode não durar o ano inteiro, principalmente com a chegada das eleições no segundo semestre.
“As eleições de outubro podem introduzir incertezas políticas, afetando a confiança dos investidores e consumidores. Historicamente, períodos eleitorais no Brasil são marcados por volatilidade nos mercados financeiros e maior aversão ao risco”, diz Silva.
“Portanto, embora haja motivos para otimismo, é prudente adotar uma postura conservadora, diversificando investimentos e monitorando de perto os desdobramentos políticos e econômicos ao longo do ano”, completa.
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