DEU EM A GAZETA 11.01.2026 | 07h14

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Otmar de Oliveira
Mudanças na resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que retirou a obrigatoriedade de aulas práticas nas autoescolas, derruba preços e redesenha o mercado de formação de condutores em Mato Grosso. A nova realidade já apresenta números expressivos. Pacotes que antes custavam entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil estão sendo oferecidos por menos da metade do preço em algumas regiões do estado. Em Cuiabá, parte das empresas já disponibiliza planos a menos de R$ 600. A redução se deu pela queda na carga horária mínima obrigatória de aulas práticas, que despencou de 20 para 2 horas.
De acordo com o Governo Federal, em apenas um mês foram registrados quase 2 milhões de requerimentos para o documento digital por meio do novo sistema. Esse movimento reflete uma busca imediata da população pela desburocratização e, principalmente, por economia no bolso. Uma das que comemoram os efeitos da mudança é a estudante universitária e assistente administrativa Julia Sousa. Ela destaca que a novidade foi fundamental para adequar o gasto para obter a CNH à realidade do seu orçamento, permitindo que ela investisse apenas no que realmente sentia necessidade técnica.
Com o fim da obrigatoriedade daquele pacote fechado e excessivo, sinto que o novo formato dá mais liberdade na escolha do instrutor e gastos mais eficientes, pois consigo focar meu dinheiro nas aulas que realmente preciso para me sentir segura, sem pagar por uma carga horária que eu já dominava.
Entretanto, o setor vê a queda de preços com cautela e teme pela viabilidade das empresas, especialmente as de menor porte. Segundo o presidente da Associação das Autoescolas de Mato Grosso, Márcio Manoel Campos, o mercado de trabalho já sente os reflexos dessa reestruturação, com a previsão de que muitos instrutores percam seus empregos devido à diminuição da demanda das autoescolas. Em Mato Grosso, das 276 unidades registradas, pelo menos 10 já encerraram as atividades recentemente, enquanto a figura do gateiro - neste contexto, o instrutor autônomo - surge como uma alternativa de mercado, embora ainda carente de fiscalização rigorosa.
A qualidade da formação é outro ponto de preocupação levantado pela associação. O representante critica o que chama de sucateamento do processo. O presidente alerta que, embora a medida beneficie quem já possui habilidade técnica e busca apenas a legalização documental, a população que realmente precisa aprender do zero pode chegar aos exames sem o preparo necessário, elevando o risco de sinistros.
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