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Peso no bolso 08.02.2022 | 10h06

Trabalhador já compromete metade do salário mínimo na compra da cesta básica

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Chico Ferreira

Chico Ferreira

O trabalhador que recebe um salário mínimo comprometeu em média, em janeiro de 2022, mais da metade (55,20%) do rendimento para comprar a cesta básica, mesmo com o reajuste de 10,18%, que elevou o piso nacional de R$ 1.100 para R$ 1.212, no começo deste ano. No caso de São Paulo, que tem a cesta básica mais cara do país, de R$ R$ 713,86, o comprometimento da renda chegou a 63,27%.

 

É o que mostra a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), que analisa o valor dos produtos básicos em 17 capitais e compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, após o desconto de 7,5% referente à Previdência Social.

 

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Em 2021, quando o salário mínimo era de R$ 1.100,00, o percentual que comprometia a remuneração foi de 58,91%, em dezembro, e de 54,93%, em janeiro. Em São Paulo, o percentual em 2021 foi de 67,86%, em dezembro, e de 64,29%, em janeiro.

 

Salário ideal 

 

O Dieese também calcula qual seria o salário mínimo ideal para a manutenção de uma família de quatro pessoas. Em janeiro de 2022, deveria equivaler a R$ 5.997,14. O valor é 4,95 vezes o mínimo de R$ 1.212. Em dezembro de 2021, quando o piso nacional equivalia a R$ 1.100, o mínimo necessário calculado pelo Dieese ficou em R$ 5.800,98 ou 5,27 vezes o piso em vigor e, em janeiro, em R$ 5.495,52, ou cinco vezes o valor vigente.

 

A pesquisa mostrou ainda que, em janeiro de 2022, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica foi de 112 horas e 20 minutos. Em dezembro de 2021, a jornada necessária foi calculada em 119 horas e 53 minutos e, em janeiro do mesmo ano, a média foi de 111 horas e 46 minutos.

 

Confira o ranking da cesta básica

 

Reprodução/Dieese

Cesta básica janeiro

 

 
 

A capital paulista, que lidera o ranking da cesta mais cara, de R$ 713,86, é seguida de Florianópolis (R$ 695,59), Rio de Janeiro (R$ 692,83), Vitória (R$ 677,54) e Porto Alegre (R$ 673). Entre as cidades do Norte e do Nordeste, que têm uma composição da cesta diferente, o custo mais baixo foi observado em Aracaju, cujo valor ficou em R$ 507,82; João pessoa, R$ 538,65; e Salvador, 540,01.

 

A pesquisa também constatou que em janeiro deste ano houve aumento em 16 capitais. Brasília  (6,36%),  Aracaju  (6,23%),  João  Pessoa  (5,45%), Fortaleza  (4,89%)  e  Goiânia  (4,63%) tiveram as altas mais expressivas na variação mensal.

Entre os destaques no levantamento deste mês, o preço do quilo do café em pó subiu em todas as capitais analisadas na comparação com dezembro. Segundo o Dieese, “a expectativa de quebra da safra 2022/2023 e os menores estoques globais de café elevaram tanto os preços internacionais quanto os preços internos”.

 

O açúcar também ficou em destaque, com o valor do quilo mais alto em 15 capitais. Em Brasília, o custo do produto ficou 4,66% mais alto. Apenas Florianópolis e Porto Alegre tiveram queda, de 1,09% e 0,22%, respectivamente. A entressafra é a justificativa para o aumento dos preços.

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