‘EU LEVO PARA O CORAÇÃO’ 08.10.2026 | 15h40

laisa@gazetadigital.com.br
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Reeleita com 205 mil votos, a deputada federal Coronel Fernanda (PL) avaliou sua votação como um marco histórico para o estado de Mato Grosso, em que, segundo ela, superou recordes anteriores em um cenário de maior concorrência e número reduzido de partidos. Apesar do resultado expressivo, a parlamentar revelou que sua expectativa inicial era alcançar 240 mil votos, meta que não foi atingida devido ao cansaço acumulado, além de demandas internas e cumprimento de agendas.
Durante entrevista ao Programa Tribuna da Rádio Vila Real nesta terça-feira (06), Fernanda destacou o amadurecimento adquirido ao longo de seus primeiros quatro anos de mandato na vida pública, contrastando a rigidez da carreira policial com a autonomia decisória do parlamento. No entanto, a deputada não escondeu o desgaste emocional provocado por ataques e ameaças direcionados à sua vida pessoal e familiar durante o pleito.
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“Na hora certa vocês vão saber. Eu já sei quem fez e sei quanto pagou também para fazer isso. [...] Eu vou fazer pagar, porque eu levo para o coração. [...] Então são essas coisas que a gente sofre na vida política. Quando eles não conseguem te atingir na moral, no político, eles tentam te atingir na vida pública, na vida privada. E, para a mulher, isso é muito complicado. [...] E eu combati, e foram muitas pessoas. Porque não aceitavam que uma mulher pudesse se destacar, sendo uma pessoa de bem. Porque eles querem alguém que eles possam manipular, e ninguém manipula”, afirmou sem revelar nomes.
Comparando sua trajetória com a da segunda mais votada, a deputada federal Rosa Neide (PT), que recebeu cerca de 140 mil votos, Fernanda ponderou que, embora tenham visões e ideologias opostas, “no fritar dos ovos, as dificuldades de uma mulher na campanha são iguais”, celebrando o protagonismo feminino na política mato-grossense.
Prioridades para o mandato
A parlamentar detalhou suas principais bandeiras para o novo ciclo, com forte ênfase na defesa do agronegócio e na segurança jurídica do campo. Ela criticou os reflexos da moratória da soja e defendeu uma solução definitiva para a regularização fundiária no estado, relatando as dificuldades enfrentadas por famílias pioneiras que produzem em regiões historicamente isoladas.
Ao abordar discussões trabalhistas nacionais, como o debate sobre o fim da escala 6x1, Coronel Fernanda ponderou que o modelo precisa ser avaliado com cautela e adaptado às particularidades de cada setor econômico.
“Hoje nós temos, por exemplo, as instituições que cuidam de crianças atípicas, que atendem crianças, por exemplo, com autismo. Como é que você faz a escala seis por um? [...] Nós temos que primeiro nos preparar para a escala, para mudar essa escala de acordo com cada setor, para que aí sim não haja um prejuízo nem para o trabalhador e nem para quem contrata”, pontuou, acrescentando como alternativa de modernização das relações de trabalho a adoção de remuneração baseada na hora trabalhada.
Por fim, ao projetar o cenário político nacional e estadual, Fernanda defendeu a necessidade de anistia e liberdade para os presos do 8 de janeiro e para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), argumentando que as penas aplicadas são desproporcionais. Ela também reiterou o compromisso de fiscalizar e combater o que classifica como o esquecimento de Mato Grosso pelo governo federal, enfatizando que os impostos arrecadados devem ser aplicados de maneira correta e séria para garantir o desenvolvimento econômico e social da população cuiabana e mato-grossense.
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