'TECNICAMENTE NÃO É FUGA' 30.10.2026 | 13h35

fred.moraes@gazetadigital.com.br
Fred Moraes/GD
O presidente do PL em Mato Grosso, Ananias Filho, negou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenha fugido do Brasil após deixar o país e desembarcar nos Estados Unidos. O dirigente partidário argumentou que não havia impedimento judicial para a saída do parlamentar e garantiu que a medida optada pelo filho de Jair Bolsonaro (PL), ocorreu diante da tentativa de "revanchismo político" praticada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em referência a determinação da apreensão dos passaportes de Flávio e a proibição de deixar o país.
Na avaliação do liberal, não seria possível caracterizar a partida como fuga porque a determinação do ministro Alexandre de Moraes não havia sido cumprida quando ele deixou o Brasil.
“Tecnicamente, não é fuga. O nosso candidato, que esteve na eleição nacional, Flávio Bolsonaro, de forma alguma empreendeu fuga. Fuga é quando você tem o seu cerceamento do direito de ir e vir, cerceado por uma medida cautelatória. E isso não aconteceu. Tinha a situação de busca dos passaportes, que não tinha sido efetivada também. Foi uma cautelar para a pressão dos passaportes”, afirmou.
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O dirigente também questionou a temporalidade da decisão do ministro. Segundo ele, a determinação da retensão sete minutos após a divulgação do resultado do segundo turno da eleição presidencial, no qual Flávio foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), é suspeita.
“É muito triste a Justiça brasileira, o STF, ser comandada por uma parte política da forma que foi. Após o término das eleições, emitir a medida cautelatória contra o candidato que disputou a Presidência da República. Claramente, era uma medida de cerceamento e uma medida de revanchismo. Eu não vejo de outra forma”, declarou.
Apesar de reconhecer que Flávio deixou o país, Ananias afirmou que eventuais consequências judiciais devem ser individuais e não podem atingir outras pessoas por declarações ou atitudes de terceiros, já que a decisão de Moraes foi baseada em uma fala de Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos, que teve o mandato de deputado federal cassado, defendeu que Flávio deveria deixar o Brasil se perdesse a eleição.
“Uma opinião emitida por um irmão que está fora do Brasil, e aí ele vai sofrer as consequências. Se a lei penal não pune por ato de outras pessoas, a punição de um ato é ação individual de cada um. Ninguém é punido por ação de outras pessoas”, concluiu.
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil na terça-feira (27), acompanhado da esposa e das duas filhas. A família passou pela Argentina e seguiu em um avião particular até Guayaquil, no Equador. De lá, embarcou para os Estados Unidos, onde chegou na manhã de quarta-feira (28), em Miami.
A viagem ocorreu após Alexandre de Moraes determinar que o senador entregasse os passaportes à Polícia Federal (PF) e proibir sua saída do território nacional. A ordem foi expedida no âmbito de uma investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz. Ambos negam irregularidades.
A PF informou posteriormente que Flávio descumpriu a determinação judicial e que investiga as circunstâncias da saída do parlamentar, já que não encontrou registro de passagem dele por postos de controle migratório brasileiros.
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