‘VAI LARGAR NAS TRAÇAS’ 14.10.2026 | 07h36

fred.moraes@gazetadigital.com.br
Fred Moraes / GD
O ex-assessor especial do Ministério de Agricultura e Pecuária (MAPA) e produtor rural, Carlos Augusto Teti, afirmou que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República representa um risco para o agronegócio brasileiro. Segundo ele, o alinhamento do senador com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode prejudicar as relações comerciais com a China, principal destino de parte importante das exportações do setor em Mato Grosso.
“O Flávio é um problema para a agricultura do Brasil, porque o Flávio vai lamber as botas do Trump, isto desagrada a China. Os Estados Unidos não são o nosso aliado na agricultura, são o nosso concorrente na agricultura. Isso é extremamente perigoso”, declarou.
Na avaliação de Teti, a preocupação vai além do discurso político. Ele alertou que eventuais desgastes com Pequim podem ter consequências diretas para os produtores brasileiros, especialmente diante de medidas que restrinjam a entrada de produtos nacionais no mercado chinês.
“Normalmente a China não se pronuncia sobre isso [relações internacionais], mas se pronuncia quando faz cortes, por exemplo, imagina o volume de carne que o Brasil exporta para a China”, defende.
O produtor rural ainda revelou que no campo há um nível de endividamento dos produtores rurais. Segundo ele, o setor atravessa um momento delicado, com possibilidade de agravamento da situação financeira a partir do próximo ano, como parte do prejuízo do fenômeno climático “El Niño”. Nesse cenário, Teti questionou se um eventual governo de Flávio Bolsonaro teria disposição para negociar soluções e socorrer os agricultores.
“Nós estamos vivendo um momento de endividamento agrícola enorme, uma coisa que vai explodir no ano que vem. Quem vai ter mais sensibilidade para cumprir isso? Um governo extremamente rude, capitalista, ou o governo do Lula? Eu não tenho dúvida, eu já vi o presidente Lula e a presidente Dilma equacionar várias vezes o endividamento agrícola, agora, um governo de capitalismo selvagem não vai acudir o agricultor, vai largar ele nas traças. Realmente me preocupa, estou muito preocupado com isso”, emenda.
Para Teti,o apoio de produtores rurais e lideranças do campo à direita não representa uma novidade. A mudança, segundo sua interpretação, estaria na disposição de grupos que antes evitavam assumir publicamente uma posição mais definida, como, por exemplo, os Maggi.
Na avaliação do ex-ministro, parte desse movimento ocorre porque lideranças do setor acreditam que o campo político escolhido terá força no próximo governo e poderá abrir espaço para a ocupação de cargos estratégicos.
“Claro que a gente sabe que a agricultura brasileira sempre apoiou a direita e sempre apoiou o Bolsonaro. Não tem nada de novo nisso. O que acontece é que o bloco ficava, vamos dizer assim, em cima do muro. E agora ele entendeu que esse lado vai ganhar e eu vou para esse lado para fazer o ministro”, pontua.
Por fim, o produtor lembrou a abertura de mercados internacionais como um dos resultados que, em sua avaliação, foram favorecidos pela relação do Brasil com outros países durante o governo Lula. Teti afirmou ter acompanhado viagens internacionais ao lado do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e disse que a receptividade de governos estrangeiros ao presidente brasileiro contribuiu para as negociações comerciais.
“Dizer que é um tiro no pé para a agricultura, eu tenho certeza disso. Eu viajei o mundo inteiro junto com o ministro Fávoro e eu vi que o grande fenômeno das aberturas do mercado do Brasil foi o fato do presidente Lula ser presidente da república. Os países da Ásia, os países da Europa enxergam de maneira diferente o Lula e o Bolsonaro. Isso foi muito certo”, finaliza.
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