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Do filme às redes sociais 28.06.2026 | 13h30

Jornalista 'multimídia' relembra cobertura da Copa entre fitas k7 e moedas telefônicas

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Arquivo Pessoal

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A Copa de 1998 foi disputada na França, quando a internet ainda era discada e ninguém sequer falava em telefone celular e muito menos em redes sociais, YouTube ou streaming. Naquele ano, o Grupo Gazeta de Comunicação enviou o repórter Oliveira Júnior para acompanhar de perto a competição.


Apelidado pelo radialista Edivaldo Ribeiro (já falecido) de "multimídia", Oliveira revelava na época a razão do apelido.


“Viajei com um gravador de áudio de oito cabeças, mas ainda com fita K7, que também funcionava como maleta de transmissão, uma câmera com duas lentes (300m e 80) e um notebook, equipamento que poucos tinham no estado na época. Para falar ao vivo na rádio (Gazeta AM na época), eu colocava umas 30 moedas nos telefones públicos por onde eu passava, dava para falar dois minutos no máximo. Era muito caro", relembra o jornalista.

 

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Naquela Copa, o jornalista passou pelas cidades de Marselha, Paris e Ozzoir-la-Ferrière para acompanhar os jogos e transmitir a Cuiabá todas as atualizações. O país-sede levou o título de campeão.

 

"Não existia essa facilidade que o celular de hoje proporciona, inclusive com imagem. As participações na tevê (hoje TV Vila Real), também eram por telefone. Aliás, foi assim, em 2009, que eu entrevistei o Ricardo Teixeira, na época presidente da CBF, e o Joseph Blatter, então presidente da Fifa, ao vivo, quando Cuiabá foi confirmada sede da Copa de 14, direto de Nassau, nas Bahamas”, conta Oliveira, que soma à sua trajetória várias viagens internacionais para cobrir competições.


Para enviar as fotos e os textos para a redação de A Gazeta, nada do WhatsApp, muito comum nos dias atuais.


“Durante o jogo, uns garotos voluntários passavam pegando os filmes que usávamos. Ele ficava num bolso, nas costas do colete numerado. Quando chegávamos à sala de imprensa, o filme numerado estava revelado, pendurado, secando. A gente cortava e escaneava para tentar enviar pela internet, que ainda era discada. Em média, demorava uns seis minutos para enviar cada foto, sem ter a certeza de que ela chegaria”, relata Oliveira ao .


Para se locomover entre uma cidade e outra ou ir aos treinos da seleção, a imprensa usava trem e metrô.

 

Arquivo Pessoal

oliveira junior copa de 1998 frança

 Mapa do metrô de Paris

“Fiquei num hotel no bairro Port de Clichy, em Paris. De lá, pegava um metrô, com duas trocas, até chegar à estação Gare de Lyon, cujo trem levava até a pequena cidade de Ozoir-la-Ferrière. O prefeito da cidade, muito pequena, a 30 Km de Paris, até trocou o nome do campo onde o Brasil treinava, de Trois Sapin (Três sapos) para Claudio Tatfarel, em homenagem ao goleiro brasileiro. Lá em Ozzoir, cerca de 1.700 jornalistas de todo o mundo se abrigavam numa tenda gigante montada pela Coca-Cola, que oferecia bicos de energia elétrica para ligarmos os equipamentos e água. A volta para o hotel ocorria na boca da noite, e, depois de enviar todo o material, a gente ia dormir lá pelas 22h. No outro dia, às 6h, começava tudo de novo”, detalha.


Oliveira lembra também que, para se deslocar até Marselha, onde o Brasil jogou no lendário Velodrome, contra a Holanda, pela semifinal, usou o trem TGV (Train à Grande Vitesse), que percorreu os 700 km em apenas 3 horas.


“Foi uma festa. Os 30 mil brasileiros que estavam em Paris lotaram o trem. Tinha até escola de samba com mulatas dançando a bordo”, relembra.


A partida aconteceu no dia 7 de julho de 1998. O jogo terminou empatado em 1 a 1 no tempo regulamentar e na prorrogação, e a Seleção Brasileira garantiu a vaga na grande final ao vencer os holandeses por 4 a 2 na disputa de pênaltis, com Taffarel defendendo duas penalidades. A final, contra os franceses, todo mundo sabe a história. O Brasil foi vencido por 3 a 0.

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