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preso há 5 dias 11.03.2020 | 10h12

Ronaldinho Gaúcho entregou vida 'civil' a irmão Assis. E foi com ele para o xilindró

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Ronaldinho Gaúcho, um dos maiores craques do futebol mundial em todos os tempos, completará 40 anos no próximo dia 21 de março. As chances de riscar o último pauzinho das quatro décadas de vida no xilindró são reais.

 

Em mais uma amostra da naturalidade vulgar com que glória e pecado sucumbem à tentação de caminhar de braços dados na América Latina, policiais da Agrupación Especializada da Polícia Nacional do Paraguai, onde estão presos Ronaldinho e seu irmão mais velho, o pensa-e-faz-tudo Assis, permitiram que crianças acompanhadas dos pais visitassem o craque nesta terça-feira (10).

 

Leia também - Fotógrafa afirma que imagem é mesmo de Ronaldinho Gaúcho em cadeia do Paraguai

 

Com os celulares barrados pela meganhada, restou à molecada enlouquecida esquecer selfies e disputar autógrafos do malabarista da bola eleito por duas vezes o melhor do mundo.

 

Na saída, em conversa com alguns jornalistas, a mãe de um dos moleques resumiu o estado de espírito da dupla: “Assis estava com a expressão fechada, parecia irritado. Ronaldinho, ao contrário, sorriu e se distraiu com os meninos o tempo todo”.

 

Detalhe: a sessão improvisada de autógrafos rolou pouco depois de Ronaldinho e Assis saberem que o ministério público paraguaio negara a transferência dos dois para uma prisão domiciliar. Os promotores consideraram insuficientes as garantias de que não haveria fuga daquele país apresentadas pela defesa.

 

Assis ficou indignado com a decisão. Ronaldinho, ao contrário, olhou prum lado, tocou pro outro, ligou o não é comigo, passou pelo tô nem aí, meteu pro gol e correu pro abraço com a pivetada encantada.

 

A diferença de reações diante do mesmo revés, aparentemente até positiva para o humor do craque, simboliza também, com um bom toque de ironia, a decisão de Ronaldinho de abrir mão, na condução da vida, de todo o protagonismo brilhantemente exercido por ele dentro de campo.

 

Fora dos retângulos de grama, o craque toca seu barco alegremente entre pagodes, pandeiros e uma mulherada de responsa. Mas quem incorpora o ‘Ronaldinho civil’ é Assis.

 

Desde sempre, o irmão mais velho cuida de todas as rendas, negócios, parcerias e ações do caçula. Negocia contratos. Cuida e faz investimentos com os ganhos do ‘menino’ como lhe dá na telha. Decide onde, como e em quais circunstâncias Ronaldinho vai morar e viver para cumprir temporadas e compromissos.

 

Nos tempos do caçula na Europa, Assis modulava até mesmo o ‘fluxo de caixa’ do mano, controlando entrada e saída nas contas bancárias pessoais usadas pelo craque em suas esticadas e estilingadas que se tornaram célebres sobretudo pela intensidade e duração. Saldos de grana que o próprio Ronaldinho dizia a amigos fazer questão de desconhecer.

 

“Quem decide tudo isso é meu irmão”, repete como mantra Ronaldinho em entrevistas desde que se entende por gente.

“Quem decide tudo isso é o Assis”, repete como mantra qualquer assessor ou colaborador de Ronaldinho desde que começa a se entender como assessor ou colaborador de Ronaldinho (ou a rigor seria de Assis?).

 

Em janeiro de 2019, o craque, embaixador do turismo nacional, foi proibido pela justiça brasileira de embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e teve seu passaporte apreendido por não ter pagado uma multa de dois milhões de euros (cerca de R$10,52 milhões) por um crime ambiental.

 

A bronca: ter sido condenado (ao lado de Assis, como não?) pela construção ilegal de um trapiche, um ancoradouro e uma plataforma de pesca no Instituto Ronaldinho Gaúcho, inaugurado em 2007 e fechado em 2010 numa Área de Preservação Permanente (APP) do Rio Guaíba, em Porto Alegre. Meses depois, fez um acordo com a Justiça, pagou R$ 5 milhões e recebeu de volta o seu passaporte brasileiro.

 

Ronaldinho saiu do Grêmio e de Porto Alegre em 2001. Jogou fora da cidade até 2015. Deve ter recebido poucas informações sobre o trapiche que, a exemplo do passaporte paraguaio falso da atualidade, foi capaz de gerar tantos problemas.

Para o bem ou para o mal, as duas coisas devem ter sido obras da providência de Assis, o ‘Ronaldinho civil’.

 

É evidente que Assis não pretendia apenas levar o caçula Gaúcho a um passeio ou mesmo evento no Paraguai ao portar passaportes com o registro “nacionalidade paraguaia naturalizada”. Para isso, como se sabe, poderiam ingressar naquele país com os brasileiros ou mesmo com as carteiras de identidade.

 

A cidadania e o passaporte do Paraguai pavimentam o caminho para ações, negócios e investimentos naquele país e em outras nações.

 

Assis e Ronaldinho possuem todo o direito de desejar esses atributos desde que tenham seguido os caminhos legais para os dois objetivos. Caberá à justiça paraguaia dizer o que de fato ocorreu.

 

Enquanto isso, o Ronaldinho que decidiu entregar a condução da própria vida ao irmão mais velho, parece não se importar.

Para o bem ou para o mal, quem decide minha vida – a vida de uma estrela mundial a escassos dez dias de completar 40 anos – como sempre disse e vocês bem sabem, é meu irmão.

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