Novas gerações 21.05.2026 | 10h01
YAMIL LAGE / AFP
Cuba parece estar à beira do colapso. Sem petróleo desde a queda de Nicolás Maduro na Venezuela em janeiro, sem o apoio político de muitos de seus antigos aliados e no meio de uma perpétua crise econômica, o país comunista atravessa uma de suas crises mais importantes desde a revolução de 1959.
E, embora a ilha tenha estado muitas vezes em situações precárias — especialmente após a queda da União Soviética, seu principal aliado e parceiro comercial, em 1991 —, desta vez a pressão dos Estados Unidos, seu principal rival, pelo menos desde a crise dos mísseis, atingiu níveis nunca antes vistos. Isso corre apenas dois meses depois de Washington derrubar o presidente da Venezuela e logo em seguida lançar uma campanha de bombardeio aéreo sobre o Irã.
“Cuba cairá muito em breve. Estão desejando chegar a um acordo”, disse no começo de março o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Dana Bash, da CNN Internacional, em uma entrevista telefônica.
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Apenas um dia antes, Trump falou de uma “tomada de controle amistosa” de Cuba e sugeriu que a ilha seria o objetivo de sua atenção depois do Irã.
“O que está acontecendo com Cuba é incrível, e achamos que queremos consertar… terminar isso primeiro, mas será apenas uma questão de tempo”, disse o mandatário estadunidense.
“Poderíamos muito bem terminar com uma tomada de controle amistosa de Cuba depois de muitos, muitos anos”, acrescentou.
Mas Cuba ainda não cai, e o governo mantém o controle sobre a ilha.
Enquanto isso, os EUA preparam um anúncio no marco de uma cerimônia para lembrar a derrubada de aviões da organização de exilados cubano-americanos Irmãos ao Resgate, ocorrida em 1996, e no meio de seus esforços para apresentar acusações penais contra o ex-presidente cubano Raúl Castro.
Este é um vislumbre da estrutura de poder na ilha.
O mais importante dos tripulantes do Granma — o iate no qual 82 revolucionários, sob o comando do falecido Fidel Castro, chegaram às costas de Cuba em 1956 — que ainda segue vivo e ocupa um lugar na estrutura de poder cubana é Raúl Castro, ex-presidente e precisamente irmão de Fidel.
Raúl, de 94 anos, foi o primeiro ministro da Defesa de Cuba após o triunfo da Revolução em 1959 e ocupou o cargo até 2008, quando Fidel deu um passo ao lado e seu irmão chegou à presidência. Dez anos depois, Raúl fez o mesmo e deixou o posto para o atual presidente, Miguel Díaz-Canel, mas, mesmo apesar de deixar formalmente o poder e de sua idade, continua sendo uma das figuras políticas mais importantes em Cuba e um símbolo — para o bem e para o mal — da Revolução e do comunismo latino-americano.
Ramiro Valdés, também tripulante do Granma e revolucionário histórico, é outro dos membros da Velha Guarda que mantêm influência em Cuba.
Valdés tem 93 anos e ocupou diversos cargos no governo cubano, entre eles ministro do Interior e de Informática e Comunicações, e atualmente é vice-primeiro-ministro de Cuba.
Díaz-Canel é o atual presidente, mas, desde a saída dos Castro, o cargo não concentra o poder em Cuba de maneira tão clara, e também existem outros políticos com influência no governo.
Mesmo assim, a figura de Díaz-Canel ficou no centro desta crise, especialmente depois que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que Cuba precisa de “nova gente no comando”.
“Nem o presidente nem o cargo de nenhum dirigente em Cuba é objeto de negociação com os Estados Unidos”, disse em resposta o vice-ministro de Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossio.
Antes de ser eleito pela ANPP (Assembleia Nacional do Poder Popular de Cuba) em 2018, Díaz-Canel, de 65 anos, tinha sido ministro da Educação e primeiro-vice-presidente.
Outra figura influente é Manuel Marrero, designado primeiro-ministro de Cuba em 2019, um ano após a ascensão de Díaz-Canel. Fazia quatro décadas que Cuba não tinha este cargo, e a volta da pasta nas mãos de um coronel reformado pareceu uma tentativa de distribuir funções.
Dentro do gabinete de Díaz-Canel, nos últimos anos, ganharam força também o chanceler Bruno Rodríguez e o vice-chanceler Carlos Fernández de Cossio, um pouco mais visíveis na última crise com os Estados Unidos.
FAR (Forças Armadas Revolucionárias)
As FAR (Forças Armadas Revolucionárias), surgidas da guerrilha que combateu na Sierra Maestra contra o governo do ditador Fulgencio Batista entre 1956 e 1959, desempenharam um papel transcendental nos assuntos políticos de Cuba.
Resulta difícil definir onde termina o Estado cubano e começam as FAR, que, entre 1959 e 2008, foram lideradas precisamente por Raúl Castro.
Atualmente, as FAR estão comandadas pelo ministro Álvaro López Miera, um militar de carreira de 82 anos que participou das campanhas cubanas em Angola e Etiópia, duas das operações militares no exterior mais emblemáticas de Cuba, em plena Guerra Fria.
Além de López Miera, a outra figura influente do mundo militar cubano é Ania Lastres Morera, presidente executiva do Gaesa (Grupo de Administração Empresarial das FAR S.A.) desde 2022.
A Gaesa controla importantes setores da economia cubana, incluindo boa parte do turismo — principal fonte de divisas estrangeiras — por meio de sua filial hoteleira Gaviota.
O Tesouro dos EUA sancionou a Gaesa em 2020 por supostamente ter sido utilizada para evadir outras sanções de Washington contra Havana.
Lastres Morera tem 64 anos, é licenciada em Planejamento da Economia e realizou toda a sua carreira nas FAR.
Nas novas gerações políticas de Cuba, destaca-se, por sua linhagem e influência, a figura de Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto de Raúl.
Apelidado de “o Caranguejo”, Rodríguez Castro ganhou notoriedade no final de fevereiro, quando o portal estadunidense Axios reportou que mantinha contatos secretos com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, no meio das tensões entre EUA e Cuba.
O governo de Cuba qualificou o relatório de “especulação”, embora sem negá-lo, enquanto Washington não se pronunciou.
A CNN Internacional contatou o Departamento de Estado para consultar sobre estes contatos, mas não recebeu resposta.
Além deste relatório e do parentesco com o “Caranguejo”, pouco se sabe com certeza sobre o neto de Raúl Castro.
Mas não é o único membro da família Castro a ter influência: Alejandro Castro Espín, filho de Raúl Castro; Oscar Pérez Oliva Fraga, sobrinho-neto de Raúl e Fidel; e Mariela Castro Espín, filha de Raúl e deputada também, emergem como figuras de reposição no governo cubano.
Engenheiro e doutor em Ciências Políticas, Alejandro Castro Espín tem 60 anos e se mostrou sempre perto de seu pai, Raúl, e de seu tio Fidel.
Castro Espín foi associado em 2014, durante a aproximação com Cuba buscada pelo ex-presidente americano Barack Obama, com negociações entre Cuba e EUA para a troca de espiões.
Por outro lado, sua irmã Mariela Castro Espín tem 63 anos, é licenciada em Educação e deputada na Assembleia Nacional do Poder Popular de Cuba.
Enquanto Oscar Pérez-Oliva Fraga, de 55 anos, é vice-primeiro-ministro e ministro do Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro, e também foi deputado na ANPP.
No meio de março, Pérez-Oliva Fraga ganhou maior notoriedade quando anunciou uma série de reformas econômicas para tentar atrair investimentos de cubanos residentes fora da ilha.
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