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TRÁFICO HUMANO 16.05.2026 | 09h05

Cidadãos do Zimbábue são atraídos para Rússia para atuar na guerra com a Ucrânia

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Reprodução/RECORD NEWS

Reprodução/RECORD NEWS

Uma rede de tráfico humano estaria recrutando e enviar cidadãos do Zimbábue para lutar ao lado das forças russas na guerra contra a Ucrânia.

 

Segundo a Al Jazeera, quatro homens compareceram no fim de março ao Tribunal de Magistrados de Harare acusados pelo crime. De acordo com a investigação, o grupo teria enviado as vítimas à Rússia em parceria com um cidadão do país identificado apenas como Ivan.

 
As autoridades também citam um caso recente no aeroporto internacional Joshua Mqabuko Nkomo, onde dois irmãos foram barrados ao tentar embarcar para Moscou. Eles alegaram que participariam de um evento universitário, mas a justificativa levantou suspeitas entre os agentes de segurança.

 

De acordo com o porta-voz do governo do Zimbábue, Nick Mangwana, ao menos 18 cidadãos do país morreram no exterior após serem vítimas de tráfico humano para atuar como combatentes estrangeiros. Ele afirmou ainda que, até o momento, o governo conseguiu repatriar apenas quatro corpos devido a problemas de documentação.

 

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Já o ministro da Informação do Zimbábue, Zhemu Soda, acusou agências de recrutamento de se aproveitarem da vulnerabilidade econômica da população com falsas promessas de emprego e salários elevados. “Nossos cidadãos estão sendo vítimas de redes inescrupulosas que operam com total desprezo pela vida humana”, declarou durante coletiva de imprensa.

 

Falsas promessas de trabalho
De acordo com investigações conduzidas pelo jornalista Ezra Sibanda, muitos dos recrutados acreditavam que trabalhariam como caminhoneiros ou na construção civil na Rússia.

 

Ao chegarem ao país, porém, teriam os passaportes confiscados e seriam levados para quartéis militares, onde passariam por treinamento com duração de 10 dias a 1 mês antes de serem enviados à linha de frente.

 

Conforme relatado por Sibanda à Al Jazeera, a rede atua principalmente entre zimbabuanos que vivem na África do Sul e oferece bônus de contratação que podem chegar a US$ 37 mil (R$ 184,2 mil), além de salários mensais próximos de US$ 4 mil (R$ 19,9 mil).

 

“Muitos entram nisso por desespero econômico. A maioria das promessas feitas a eles não são cumpridas. Em alguns casos, uma pequena quantia, em torno de US$ 2.000 (R$ 9,9 mil), é supostamente enviada para suas famílias na África do Sul, mas depois disso, muitos não recebem mais nada”, acrescentou Sibanda.

 

O jornalista também aponta que soldados enviados para a guerra procuraram ajuda para tentar retornar ao Zimbábue. O governo local também informou que está reunindo dados para identificar cidadãos recrutados sem autorização oficial e avaliar possíveis formas de assistência.

 

 

 

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