Aliança Internacional 06.05.2026 | 08h32
Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viaja para os Estados Unidos nesta quarta-feira (6) com dois eixos principais para a conversa com o presidente Donald Trump, prevista para quinta (7): o tarifaço — tema central da reunião — e o combate ao crime organizado, assunto de maior apelo político no momento. A expectativa é que ambos estejam no centro da agenda bilateral, que também deve incluir minerais críticos e terras raras.
Em uma das ligações entre os dois presidentes, Lula fez questão de introduzir o tema da segurança pública. Após a conversa, o Palácio do Planalto enviou à Casa Branca um documento com propostas de cooperação no combate ao crime organizado, que já recebeu resposta do governo americano. O material está sendo analisado pelo Brasil e deve embasar a posição brasileira em uma próxima reunião.
Segundo apurou a RECORD, o presidente decidiu priorizar o tema por dois motivos principais:
Apelo político e eleitoral: a segurança pública tem forte impacto interno e também ressoa junto a Trump. Uma cooperação visível entre Brasil e Estados Unidos pode ajudar a conter a atuação de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro nos EUA e reduzir riscos de interferência externa no processo eleitoral brasileiro;
Antecipação geopolítica: avançar em uma parceria na área é visto como forma de se antecipar a eventuais iniciativas dos Estados Unidos na América do Sul sob o argumento de combate ao tráfico de drogas, como já ocorreu em outros países da região.
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PCC e CV fora do foco imediato
A possibilidade de os Estados Unidos classificarem o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas não deve ser, neste momento, tema de debate entre Lula e Trump.
Segundo apuração da reportagem, o Brasil acompanha o tema, mas avalia que não deve haver desdobramentos no curto prazo.
A discussão dentro do governo americano sobre mudar o enquadramento das facções ganhou força no início do ano. O Departamento de Estado considera que “organizações criminosas brasileiras, incluindo o PCC e o Comando Vermelho, representam ameaças significativas à segurança regional devido ao seu envolvimento com tráfico de drogas, violência e crime transnacional”.
Terras raras e estratégia brasileira
O governo brasileiro não pretende puxar o debate sobre terras raras, mas espera que o assunto seja levantado por Trump — já que minerais críticos estão entre os interesses estratégicos dos EUA.
Caso isso aconteça, a diplomacia brasileira já tem um documento preparado. O texto não configura proposta formal, mas apresenta as diretrizes do país para o setor, com dois eixos principais:
Ausência de exclusividade na exploração;
Obrigatoriedade de processamento dos minerais em território nacional.
O Palácio do Planalto monitora de perto as movimentações dos Estados Unidos com o estado de Goiás e do ex-governador Ronaldo Caiado em torno das terras raras. Embora considere juridicamente inválidos eventuais acordos locais com os EUA, o governo vê a iniciativa como um movimento diplomático sensível.
Outro ponto de atenção é a venda da mineradora Serra Verde para a empresa americana USA Rare Earth, em um negócio bilionário que reacendeu o debate sobre soberania e controle de recursos estratégicos.
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