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'Intensificar as negociações' 03.06.2026 | 10h29

O rápido encontro de Mauro Vieira com auxiliar de Trump em Paris

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Antonio Cruz/Agência Brasil

Antonio Cruz/Agência Brasil

Durante reunião do Conselho Ministerial da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) em Paris, na manhã desta quarta-feira (3), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, teve um rápido encontro com o representante de comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

 

Fontes ouvidas pelo R7 Planalto detalham que Greer se aproximou de Vieira para cumprimentá-lo antes do início de um dos painéis na plenária do evento. O norte-americano afirmou que dialoga com o Brasil, que há um contato fluido entre as duas nações e que quer manter essa conexão.

 

Interlocutores também informaram à coluna que o ministro reforçou a disposição do Brasil e o interesse em intensificar as negociações com os EUA. Mauro Vieira lembrou que o governo federal ainda está “dentro do prazo de 30 dias dado pelos presidentes [Lula e Donald Trump]”, após a última reunião entre os dois líderes, em Washington.

 

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O encontro entre Mauro Vieira e Jamieson Greer ocorreu em meio aos anúncios das possíveis novas taxas aplicadas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Nessa terça-feira (2), o USTR (Escritório de Comércio dos Estados Unidos) propôs uma sobretaxa de 12,5% a todos os itens exportados pelo país sulamericano, por suposta falha no combate ao trabalho forçado.

 

A economia brasileira faz parte de uma lista de 60 países que, segundo alegado pelos EUA, não teriam conseguido proibir práticas “inaceitáveis” na produção.

 

A sugestão do novo tarifaço partiu do mesmo órgão que, na segunda-feira (1º), recomendou uma sobretaxa de 25% a mercadorias brasileiras, por “práticas desleais” no comércio digital e até por desmatamento ilegal. Caso um produto esteja nas duas listas, haverá taxa de até 37,5% sobre ele para importação pelos Estados Unidos.

 

“A falha de nossos parceiros comerciais mais importantes em abordar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado é inaceitável. Isso cria uma dinâmica em que os trabalhadores norte-americanos são forçados a competir globalmente em condições desiguais”, justificou Jamieson Greer sobre o tema.

 

O representante dos EUA acrescentou que o governo Trump não vai “tolerar mais essa disparidade”. “Alguns parceiros comerciais tomaram medidas iniciais para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. No entanto, cada um deles deve fazer mais para garantir que o comércio não incentive e perpetue essa prática em nível global”, completou.

 

A sugestão do órgão de comércio americano leva em conta a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que estabelece que atos, políticas e práticas nas transações. O tarifaço não é automático. A recomendação ainda passará por consulta pública no dia 6 de julho e audiência no Escritório de Comércio americano no dia 7.


Novo tarifaço dos EUA

O escritório estadunidense de comércio teria demonstrado alívio diante de um grupo de países aliados que, supostamente, tomou medidas para coibir as práticas desleais nas fábricas. Mas, por estarem incluídas na lista de trabalho forçado, essas nações terão 10% de sobretaxa.

 

“Para as economias que impuserem uma proibição à importação de produtos provenientes de trabalho forçado que se comprometerem a fazer cumprir tal proibição por meio de um acordo sobre comércio recíproco ou para aquelas que adotarem um regime parcial a fim de impedir a importação de certos produtos provenientes de trabalho forçado, o representante comercial dos EUA propõe uma alíquota de 10% para as tarifas”, informa um comunicado do governo dos EUA.

 

O Brasil, porém, não entrou nesse grupo e, por isso, estará sujeito a uma alíquota de 12,5%.

 

Países sujeitos à alíquota de 10% por trabalho forçado: Canadá, Equador, União Europeia, Indonésia, México e Paquistão, por terem algum veto parcial à prática ou por se comprometerem em acordos de reciprocidade com os EUA.


Países com recomendação de tarifa de 12,5%: Brasil, China, Índia, Reino Unido e outras 50 nações, por supostamente falharem ao impor e efetivamente reforçar a proibição à importação pelos EUA de mercadorias produzidas por meio de trabalho forçado.

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