Substância mortal 13.06.2026 | 08h48
Departamento de Polícia da Região de Zhytomy
A polícia da Ucrânia acusa a Rússia de recrutar jovens mulheres, incluindo adolescentes, para executar assassinatos de militares ucranianos por meio de armadilhas amorosas organizadas pela internet. Segundo o chefe da Polícia Nacional da Ucrânia, Ivan Vyhivskyi, pelo menos seis casos desse tipo já foram registrados no país.
De acordo com as autoridades, os supostos recrutadores russos atuariam em plataformas de mensagens, onde prometem dinheiro fácil às jovens e coordenam todas as etapas da operação à distância. As mulheres seriam orientadas a procurar militares ucranianos em sites de relacionamento voltados para adultos e a marcar encontros com eles.
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Ainda segundo a polícia, os agentes russos forneceriam recursos para o aluguel de apartamentos onde os encontros ocorreriam. Antes das reuniões, as jovens receberiam instruções sobre como obter metadona, um opioide sintético utilizado como analgésico, mas que pode ser letal em doses elevadas.
As autoridades afirmam que as participantes eram treinadas para misturar a substância nas bebidas dos militares durante os encontros. Vyhivskyi declarou que os crimes seriam planejados pelos serviços de inteligência russos e executados por cidadãs ucranianas. Segundo ele, apenas um dos seis casos investigados foi impedido antes de ser concluído.
Um dos episódios mais recentes ocorreu na região de Zhytomyr. Na semana passada, a polícia encontrou um soldado de 27 anos morto dentro de uma residência. Investigadores localizaram uma substância em pó em utensílios usados pela vítima.
No dia 4 de junho, uma adolescente de 17 anos da cidade de Berdychiv foi presa sob suspeita de participação no caso. Conforme a polícia, ela afirmou ter recebido instruções por meio do Telegram de um suposto agente ligado aos serviços de segurança russos para envenenar o militar.
A jovem relatou ainda ter recebido uma encomenda contendo uma substância transparente, identificada preliminarmente como metadona. Segundo a investigação, ela teria colocado o produto em uma bebida alcoólica consumida pelo soldado e deixado o local após ele perder a consciência. O militar morreu em seguida.
Ucrânia e Rússia já trocaram acusações anteriormente sobre o recrutamento de cidadãos do país adversário para realizar assassinatos direcionados contra integrantes das forças armadas durante a guerra. Desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022, mais de 1.100 ucranianos foram acusados de cometer atos classificados pelas autoridades como incêndio criminoso, terrorismo ou sabotagem contra o próprio país.
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