LAVAGEM DE DINHEIRO DO CRIME 30.07.2026 | 10h49

redacao@gazetadigital.com.br
Vithória Sampaio
Delegado Vitor Hugo Caetano destacou que a Operação Replay tem como objetivo desarticular o núcleo financeiro da facção criminosa, que estava ocultando e lavando dinheiro do crime, e ressaltou que, mesmo preso, Paulo Winter Paelo Farias, o 'W.T.', continuava comandando a organização na compra de imóveis e carros de luxo.
Até o momento, além de W.T, a reportagem do
identificou outros 4 presos, sendo eles: a advogada Dayane Karol Moreira, o assessor parlamentar Bruno Passos da Silva, o Brunninho, o jogador Alex Júnior, o Soldado, e Emerson Ferreira Lima, o Gordão.
A investigação é conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e desencadeada nas cidades de Cuiabá (MT), Várzea Grande (MT), Balneário Camburiú (SC), Itapema (SC) e Rio de Janeiro (RJ).
Conforme o delegado, cada um dos investigados exercia uma função específica para manter a estrutura financeira da facção, como por exemplo, a advogada Dayane, segundo a investigação, atuava na regularização documental de imóveis adquiridos pela organização criminosa em nome de terceiros.
"Ela figurava como procuradora de imóveis registrados em nome de pessoas interpostas, principalmente em Itapema. A função era dar aparência de legalidade aos bens e ocultar o verdadeiro proprietário", explicou Vitor Hugo. Já o jogador Alex Júnior, é apontado como um dos principais operadores de W.T. fora do sistema prisional.
"Ele já foi alvo de outras operações e continuava atuando como um dos braços direitos do tesoureiro da facção, auxiliando na lavagem de dinheiro e na prática de atos em favor da organização criminosa", disse o delegado.
Brunninho, jogador de futebol e assessor parlamentar no gabinete do vereador Jeferson Siqueira, também é apontado pela polícia como integrante da estrutura financeira da organização criminosa.
Segundo a investigação, ele mantinha contato direto com W.T. e auxiliava na execução das atividades ilícitas determinadas pelo líder da facção.
Ordens de dentro da cadeia
Mesmo preso na Penitenciária Central do Estado (PCE), W.T. continuava exercendo o comando financeiro e disciplinar da facção, conforme a Polícia Civil. De acordo com o delegado, o investigado utilizava aparelhos celulares dentro da unidade prisional para transmitir ordens aos comparsas.
"As investigações mostram que ele tinha acesso a celulares dentro do presídio e, por meio deles, determinava a compra de bens, a ocultação de patrimônio, a movimentação financeira da organização e até ordenava a prática de outros crimes", afirmou.
A Draco identificou ainda que o mesmo chip telefônico foi utilizado em diversos aparelhos diferentes durante o período investigado, estratégia que, segundo a Polícia Civil, era utilizada para dificultar o rastreamento das comunicações clandestinas.
Patrimônio milionário
A operação também atingiu o patrimônio da organização criminosa. Segundo Vitor Hugo, foram sequestrados aproximadamente R$ 20 milhões em imóveis e veículos de luxo.
Entre os bens estão dois apartamentos e uma residência em condomínio de alto padrão em Santa Catarina. Um apartamento de frente para o mar em Balneário Camboriú e uma casa em condomínio de luxo foram avaliados em cerca de R$ 6 milhões cada.
"O foco da Draco é atacar o dinheiro da facção. Quando atingimos o patrimônio, enfraquecemos quem ocupa o alto escalão da organização criminosa e impede que esses recursos continuem financiando o tráfico e outras atividades criminosas", destacou.
Além do sequestro dos bens, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 18 milhões em ativos financeiros vinculados aos investigados.
Nova fase
A Replay é um desdobramento das operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra. Conforme a Polícia Civil, mesmo após as ações anteriores e a prisão de W.T., a investigação comprovou que a organização criminosa permaneceu ativa.
"As operações anteriores reduziram a atuação do grupo, mas ele continuou liderando a facção de dentro da prisão. As provas obtidas por meio da análise de dados telemáticos demonstraram que a lavagem de dinheiro e as demais atividades criminosas nunca deixaram de acontecer", concluiu o delegado.
Ao todo, sete pessoas foram presas na operação desta quinta-feira. Cinco foram capturadas em liberdade e duas já estavam presas, entre elas W.T., que teve um novo mandado de prisão preventiva cumprido na Penitenciária Central do Estado (PCE).
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