AÇÃO VIOLENTA EM CONFRESA 09.04.2026 | 10h39

redacao@gazetadigital.com.br
Reprodução
Investigação da Polícia Civil apontou que Francivaldo Moreira Pontes, o Velho Ban, foi a principal liderança econômica e operacional dos ataques violentos registrados em 9 de abril de 2023 na cidade de Confresa (1.160 km ao nordeste de Cuiabá). A operação Pentágono, deflagrada nesta quinta-feira (9), apresentou uma série de respostas ao crime e busca prender 27 criminosos, sendo que 15 já foram capturados.
De acordo com o delegado Gustavo Belão, titular da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), um “consórcio de criminosos” investiu cerca de R$ 3 milhões para realizar o ataque na cidade mato-grossense. Francivaldo foi o que mais movimentou dinheiro.
Para mobilizar os financiadores para o crime em Mato Grosso, o delegado explica que “a promessa era de que eles iriam acessar o cofre da empresa Brinks e tirar o valor que eles achavam que tinham lá dentro. Uns falaram de R$ 40 milhões, outros R$ 60 milhões, mas isso é o que repercutiu na mídia”.
Apesar das especulações, o delegado ressalta que em nenhum momentos dos 3 anos de investigação ele teve acesso, por questões de segurança, sobre o valor que tinha na empresa.
Velho Ban foi morto no dia 26 de novembro de 2024, durante uma ação policial que buscava prendê-lo, no interior do Pará.
Preso envolvido em ‘mega-assalto’ no Paraguai
Outro assaltante que participou do crime em MT, mas que não teve a identidade confirmada, está preso em São Paulo. Ele foi um dos responsável pelo roubo de 11 milhões de dólares na Cidade do Leste, no Paraguai, em 2017.
O crime aconteceu no dia 24 de abril. Mais de 40 assaltantes atacaram uma transportadora de valores e fugiram com o valor já citado. “Isso demonstra uma organização complexa, espalhada e bem financiada”, destacou o delegado.
Nenhum dos alvos é de Mato Grosso. Apesar dos alvos terem ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), a polícia descarta que o crime tenha sido financiado pela facção.
Divisão por núcleos
As investigações revelaram a participação de pelo menos 50 pessoas no crime, com a existência de lideranças responsáveis pelo comando operacional e financeiro, além da divisão do grupo em 6 núcleos, sendo eles: comando e financeiro; planejamento e logística; execução, apoio e suporte no Pará; apoio e suporte no Tocantins e locação veícular - pensado na fuga.
Segundo a Polícia Civil, a organização criminosa atuava em várias cidades de diferentes estados.
Financiamento dos crimes
Foi apontado que os valores movimentados pelo grupo são oriundos de outros roubos de grande magnitude contra bancos e transportadoras de valores em diferentes regiões do país.
Além disso, armas apreendidas e alguns investigados teriam ligação com outras ações criminosas, incluindo delitos de menor porte usados como crimes antecedentes para lavagem de dinheiro.
“São criminosos que planejaram, financiaram e executaram a logística do terror vivenciado naquele dia na cidade de Confresa, sendo que pelo menos quatro alvos estiveram na linha de frente do crime. O trabalho demonstra que não há fronteiras para a Justiça, seja ele o financiador do Sudeste ou o financiador no Norte, todos serão responsabilizados”, afirmou Belão.
O caso
No dia 9 de abril de 2023, cerca de 20 criminosos fortemente armados sitiaram o município de Confresa, localizado a 1.050 quilômetros de Cuiabá, em uma ação coordenada.
Parte do grupo invadiu o quartel da Polícia Militar, rendeu policiais e incendiou o prédio. Outras frentes destruíram veículos e prédios públicos, criando um cenário de terror na cidade.
O principal alvo era a transportadora de valores Brinks. O grupo utilizou explosivos de alta potência para tentar arrombar o cofre, mas não conseguiu e fugiu abandonando veículos e equipamentos.
Novo Cangaço e domínio de cidades
A modalidade criminosa é caracterizada pelo uso extremo de violência, armamento pesado, explosivos e ocupação estratégica do município para dificultar a reação das forças de segurança.
O ataque em Confresa foi marcado por incêndios, explosões, disparos de armas de grosso calibre e restrição da liberdade de moradores, além de ações coordenadas para impedir a resposta policial.
Operação Pentágono
Na primeira fase da investigação, 3 suspeitos foram presos nos estados do Pará e Tocantins. As equipes também identificaram imóveis usados como base do grupo na cidade de Redenção (PA).
Nos dias seguintes ao crime, 18 integrantes da quadrilha morreram durante confrontos com forças de segurança na região de Pium (TO), no âmbito da Operação Canguçu.
Já na segunda fase, realizada em outubro de 2023, foram cumpridos 35 mandados de busca e apreensão em seis estados. Durante as ações, a polícia apreendeu um fuzil, 360 munições, veículos e equipamentos utilizados pelo grupo.
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