'ACHANDO QUE PRETO TEM DIREITO' 06.10.2026 | 10h43

redacao@gazetadigital.com.br
Divulgação
Dois estudantes de Economia, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), foram denunciados após uma discussão por política terminar com ofensas racistas e machistas em grupos de WhatsApp. O caso foi registrado na Polícia Civil no final da manhã desta segunda-feira (5) e segue sendo investigado. Em uma das falas, um dos suspeitos diz que "por causa de você, os preto lá tá achando que tem direito agora".
Conforme apurado pelo
, a confusão começou no sábado (3), em um grupo voltado a discussões acadêmicas e de economia, administrado pelo Centro Acadêmico de Ciências Econômicas. Durante a conversa sobre política, um dos estudantes enviou uma figurinha racista, associando características raciais do presidente da República a atos ilícitos. Ele foi retirado do grupo pelos administradores.
Na sequência, outro estudante direcionou uma ofensa racista a um colega e também acabou sendo retirado. Diante da sequência de mensagens, os administradores restringiram o grupo “Informes Economia”, deixando apenas para os administradores enviar. Mesmo com a restrição, a discussão continuou em outro grupo, administrado pela Associação Atlética Acadêmica Monopólio.
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Segundo uma das participantes do grupo, um dos estudantes teria cobrado um terceiro colega, atribuindo a ele responsabilidade pelas punições aplicadas aos demais integrantes, fazendo ameaças. Um dos suspeitos continuou comentando as ofensas, dessa vez compartilhando áudios e figurinhas com conteúdo considerado racista e misógino.
Entre os materiais estaria uma imagem manipulada de um exame de ultrassom, na qual o feto aparece representado como um macaco. Áudios enviados pelo estudante também foram anexados à investigação por meio de um link com provas digitais. Em uma das gravações, ele teria feito comentários sobre injúria racial e proferido ofensas contra mulheres. O caso foi levado às autoridades e as mensagens e demais arquivos compartilhados nos grupos deverão ser analisados durante a apuração.
Em nota oficial, a Associação Atlética Acadêmica Monopólio afirmou repudiar as manifestações de cunho racista e misógino ocorridas no grupo “GERAL”, entre a noite de sábado (3) e a madrugada de domingo (4). A entidade declarou que não considera aceitável qualquer conduta que atente contra a dignidade das pessoas e afirmou que racismo e misoginia não representam os valores da associação. A Atlética também reforçou o compromisso com um ambiente esportivo e acadêmico baseado no respeito, segurança e inclusão.
O Centro Acadêmico de Ciências Econômicas também publicou uma nota de repúdio. A entidade classificou as manifestações como formas de violência e discriminação e defendeu a apuração dos fatos e eventual responsabilização dos envolvidos, conforme as normas institucionais. O centro acadêmico afirmou ainda que não vai se calar diante de manifestações de racismo e misoginia dentro de espaços vinculados à comunidade universitária.
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