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Líder preso no RJ 14.01.2026 | 17h58

Faccionados tinham 'bancos clandestinos' com juros abusivos e terror aos clientes

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Investigação apontou que criminosos faccionados utilizavam esquema de "bancos clandestinos" para esconder origem do dinheiro do tráfico. Os valores eram emprestados aos "clientes" com taxas abusivas e tinha o terror como garantia de pagamento. A megaoperação Cartório Central, da Polícia Civil de Mato Grosso, deflagrada, na manhã desta quarta-feira (14), visou a desarticulação de uma facção criminosa envolvida com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, extorsão, agiotagem e controle territorial em Primavera do Leste (231 km ao Sul) e região. Um dos líderes do esquema foi preso no Rio de Janeiro.

 

Segundo as investigações, a organização criminosa utilizava valores oriundos do tráfico para realizar empréstimos informais a terceiros, principalmente comerciantes locais, com o objetivo de mascarar a origem ilícita do dinheiro. As movimentações financeiras identificadas são compatíveis com a prática de lavagem de capitais.

 

O mecanismo adotado se enquadra no crime de usura pecuniária, previsto no artigo 4º da Lei nº 1.521/1951, que proíbe a cobrança de juros ou comissões acima do limite legal. O esquema era supervisionado por integrantes de alto escalão da facção, apontados como responsáveis externos pelo financiamento ilegal.


Leia também - 'Megaoperação' cumpre 471 mandados e busca prender 225 pessoas em MT e 5 estados

 

As cobranças eram respaldadas pelo chamado “quadro de disciplina” da organização, responsável por articular represálias e até sequestros contra agiotas independentes, além de impor medo a comerciantes que se recusavam a participar do esquema.

De acordo com o delegado Rodolpho Bandeira, responsável pelo inquérito, a apuração sobre as extorsões contra comerciantes ainda será aprofundada em procedimento separado. “A atuação deles é baseada em ameaça e violência, impondo medo a todo mundo. Isso será melhor detalhado em um inquérito apartado, porque são diversos comerciantes em todo o Estado que foram vítimas”, afirmou.

Um dos líderes da facção foi preso, durante a operação, o faccionado estava com mandado de prisão decretado pela 1ª Vara Criminal de Primavera do Leste pelos crimes de tráfico de drogas, usura e lavagem de dinheiro.

As investigações conduzidas pela Delegacia de Primavera do Leste apontam que o investigado possuía função estratégica dentro da facção criminosa, no segmento da agiotagem, atuando como coordenador financeiro e responsável pela administração dos empréstimos ilícitos, cobrança de valores e repasses de recursos do grupo no município e região.

 

Ao todo, a operação cumpriu 471 mandados judiciais, sendo 225 de prisão preventiva, 225 de busca e apreensão domiciliar e 21 medidas de bloqueio e indisponibilidade de valores. As ordens foram expedidas pela 1ª Vara Criminal de Primavera do Leste, com base nas investigações da Polícia Civil.

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