quatro vítimas identificadas 20.10.2026 | 15h03

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O médico Lucas Danillo Moreira de Jesus foi indiciado pela Polícia Civil de Mato Grosso após a conclusão de um inquérito que apurou falhas graves e sequelas decorrentes de cirurgias plásticas realizadas no município de Barra do Garças (509 km a Leste). Ele responderá pelos crimes de lesão corporal gravíssima e falsidade ideológica. O relatório final da investigação, conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia local, já foi enviado à Justiça.
O caso começou a ser investigado quando quatro mulheres procuraram a delegacia para denunciar complicações severas ocorridas após procedimentos estéticos como lipoaspiração, mastopexia e implante ou troca de próteses de silicone. A maior parte das cirurgias sob apuração foi executada durante o ano de 2023 na cidade.
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Para fundamentar a acusação, a Polícia Civil colheu os depoimentos das pacientes e juntou aos autos prontuários médicos, comprovantes hospitalares, exames e fotografias das lesões. Também foram colhidos os depoimentos de profissionais de saúde que acompanharam a rotina de internação e o pós-operatório das vítimas, além das análises feitas pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).
Os depoimentos das vítimas detalham episódios de dores constantes, deformidades nas mamas, assimetrias acentuadas e falhas na cicatrização. Em um dos episódios relatados, uma paciente sofreu necrose nas aréolas após passar por dois procedimentos cirúrgicos consecutivos entre 2023 e 2024.
Os laudos elaborados pela perícia oficial confirmaram a permanência de deformidades e lesões estéticas definitivas nas mamas e mamilos em duas das quatro denunciantes. Nos outros dois casos analisados, os exames técnicos da Politec não constataram enquadramento para lesão corporal.
Apuração sobre prontuário médico
Além das lesões corporais investigadas, a Polícia Civil apurou indícios de falsidade ideológica relacionados ao prontuário médico de uma das pacientes. Conforme o relatório policial, durante a retirada de uma prótese mamária ocorreu o rompimento do implante, fato que, segundo os elementos reunidos, não foi registrado no relatório cirúrgico correspondente.
A investigação considerou as declarações da paciente, a prótese apresentada para exame e a documentação médica. Embora a perícia não tenha estabelecido relação causal direta entre o rompimento do implante e as dores persistentes relatadas pela mulher, a autoridade policial apontou indícios de omissão de informação relevante no documento médico.
Em interrogatório, o médico negou ter agido com negligência, imprudência ou imperícia. Ele afirmou que as intercorrências decorreram de fatores relacionados aos procedimentos cirúrgicos, às particularidades de cada organismo e ao processo de cicatrização, além de declarar que prestou acompanhamento pós-operatório e se colocou à disposição para realizar procedimentos reparadores quando necessários.
Com a conclusão do inquérito, a autoridade policial formalizou o indiciamento pelos crimes de lesão corporal de natureza gravíssima e falsidade ideológica. Os autos foram encaminhados ao Poder Judiciário para o oferecimento da denúncia por parte do Ministério Público.
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