BLOQUEIO MILIONÁRIO 30.07.2026 | 07h12

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Divulgação/PJC
As investigações que deram origem à Operação Replay revelaram que uma liderança de facção criminosa continuava comandando a organização mesmo presa em uma unidade de segurança máxima de Mato Grosso. Enquanto isso, outros 14 integrantes e colaboradores mantinham ativa a estrutura financeira e operacional do grupo, segundo a Polícia Civil.
A operação, deflagrada nesta quinta-feira (30) pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), é resultado da continuidade das investigações das operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra, todos ligados a Paulo Witter Farias, o "WT", na liderança que atuava como tesoureiro em uma organização criminosa.
De acordo com a Polícia Civil, a análise de dados telemáticos mostrou que, mesmo após as fases anteriores da investigação, a organização criminosa permaneceu em funcionamento, com divisão de funções, operadores financeiros, movimentação de recursos por meio de terceiros e aquisição de bens em nome de pessoas sem capacidade econômica compatível.
Os 14 investigados são apontados como responsáveis por dar continuidade às atividades da facção, executando tarefas ligadas à movimentação financeira, ocultação de patrimônio, prestação de contas e suporte à estrutura criminosa.
Ordens saíam de dentro da prisão
Um dos principais pontos da investigação aponta que uma das lideranças da facção seguia exercendo o comando financeiro e disciplinar da organização de dentro do sistema prisional.
Segundo a Draco, as mensagens interceptadas mostram que o preso determinava cobranças, autorizava recolhimento de valores, orientava operadores que estavam em liberdade e fazia a conferência de planilhas financeiras da organização.
As comunicações também registraram determinações sobre a distribuição de recursos entre diferentes núcleos da facção e referências à movimentação de grandes quantidades de entorpecentes.
Outro fato que chamou a atenção dos investigadores foi a utilização do mesmo chip telefônico em sete aparelhos celulares diferentes entre setembro de 2025 e março de 2026. Para a Polícia Civil, a troca constante dos dispositivos era uma estratégia para dificultar a identificação das comunicações clandestinas e driblar os mecanismos de fiscalização do sistema penitenciário.
Estrutura financeira
Durante as investigações, a Polícia Civil encontrou planilhas que detalhavam a movimentação financeira da organização criminosa. Em um dos documentos havia referência a R$ 14,093 milhões em valores considerados "congelados" e outros R$ 1,231 milhão relacionados ao período analisado.
Com base nesse material, a Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 15,324 milhões em ativos financeiros dos investigados, além do sequestro de imóveis e veículos avaliados em aproximadamente R$ 17,2 milhões.
Para os investigadores, a descapitalização é uma das principais estratégias para enfraquecer a organização criminosa, impedindo que recursos obtidos de forma ilícita continuem financiando as atividades da facção.
Segundo a Polícia Civil, o nome Replay faz referência justamente à repetição das condutas criminosas após operações anteriores. A nova fase busca interromper a reorganização do grupo, responsabilizar os envolvidos e neutralizar o comando exercido de dentro do cárcere.
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