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Cuiabá, Domingo 13/09/2026

Entrevista da Semana - A | + A

COMBATE AO CRIME ORGANIZADO 13.09.2026 | 08h00

Do tráfico ao patrimônio; como a polícia está sufocando as facções em Mato Grosso

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Vithória Sampaio

redacao@gazetadigital.com.br

Vithória Sampaio

Vithória Sampaio

O crime organizado vem avançando em Mato Grosso com o domínio territorial das facções. Mesmo com integrantes presos, lideranças continuam operando, muitas vezes de outros estados, e o dinheiro do tráfico segue alimentando uma rede que envolve armas, lavagem de dinheiro, empresas de fachada e ocultação de patrimônio.

 

A realidade também é agravada pela posição estratégica de Mato Grosso, que possui mais de 500 quilômetros de fronteira seca com a Bolívia, uma das principais rotas de entrada de drogas no país. Somente em 2026, as ações da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DRACO) em Mato Grosso já resultaram na recuperação de mais de R$ 20 milhões em ativos, mostrando uma mudança de estratégia no enfrentamento ao crime organizado.

 

Em entrevista ao , o delegado Victor Hugo Caetano explicou os desafios enfrentados pelas forças de segurança, as estratégias para seguir o caminho do dinheiro e atingir aqueles que permanecem no comando, mesmo longe das ruas.

 

Gazeta Digital - Como a Polícia Civil tem atuado para combater o avanço das organizações criminosas em Mato Grosso e quais são hoje os principais desafios enfrentados?

 

Delegado Victor - A Polícia Civil de Mato Grosso tem focado não apenas na prisão de integrantes, mas em atingir a estrutura e o patrimônio das organizações criminosas. O objetivo é identificar lideranças, rastrear o dinheiro e descapitalizar as facções, reduzindo sua capacidade de atuação.

 

Um dos principais desafios é localizar lideranças que estão foragidas em comunidades do Rio de Janeiro, áreas de alta complexidade e forte domínio territorial das facções. Por isso, o combate exige investigação, inteligência e integração entre as polícias para alcançar criminosos e recursos, mesmo fora de Mato Grosso.

 

Gazeta Digital - O tráfico de drogas continua sendo uma das principais fontes de financiamento das facções. Quais estratégias estão sendo adotadas para atingir não apenas os integrantes, mas também o patrimônio e o dinheiro dessas organizações?

 

Delegado Victor -  A principal estratégia tem sido a asfixia financeira das organizações criminosas. As investigações buscam identificar o patrimônio e, inclusive, quando os bens e recursos estão registrados em nome de pessoas interpostas, utilizadas para ocultar a verdadeira titularidade. Com isso, buscamos não apenas prender os integrantes, mas também bloquear, apreender e sequestrar os recursos que financiam a atividade criminosa, reduzindo a capacidade financeira e operacional das facções.

 

 

Gazeta Digital - Mato Grosso faz fronteira com a Bolívia. De que forma a localização estratégica do Estado influencia a atuação das organizações criminosas e o trabalho das forças de segurança? 

 

Delegado Victor - A localização de Mato Grosso é um fator estratégico para as organizações criminosas. A Bolívia é um dos principais produtores da matéria-prima utilizada na produção de cocaína, e Mato Grosso possui mais de 500 quilômetros de fronteira seca com o país vizinho. Essa extensão de fronteira facilita a entrada de drogas e armas e torna a fiscalização um grande desafio para as forças de segurança. Por isso, além do trabalho realizado dentro do Estado, é fundamental estreitar a cooperação com as autoridades policiais bolivianas, especialmente para o compartilhamento de informações e a realização de ações coordenadas que permitam maior efetividade no combate às organizações criminosas.  

 

Gazeta Digital - As investigações têm identificado novas formas de atuação das facções, como lavagem de dinheiro, uso de empresas de fachada e crimes praticados no ambiente digital? Como a polícia tem acompanhado essa evolução?


Delegado Victor -  A Polícia Civil não apenas tem identificado essas novas formas de atuação das organizações criminosas, como também tem se especializado no enfrentamento desses crimes, especialmente na lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e utilização de pessoas interpostas para esconder a origem dos recursos. Esse modelo de investigação permite identificar a estrutura financeira por trás da organização criminosa e alcançar bens e valores que antes permaneciam ocultos. Como resultado, temos conseguido promover a recuperação de ativos, com a reversão desses recursos aos fundos estatais, permitindo que sejam utilizados pelo Estado em benefício do interesse público.

 

Gazeta Digital - O senhor considera que o combate ao crime organizado em Mato Grosso está conseguindo enfraquecer as facções? Quais resultados recentes demonstram esse avanço e o que ainda precisa ser feito?

 

Delegado Victor -  Com certeza. Considero que os resultados obtidos têm sido bastante expressivos. Somente em 2026, nas ações da DRACO em Mato Grosso, já podemos falar em uma recuperação de ativos superior a R$ 20 milhões. Além disso, temos realizado diversas operações de grande repercussão, que resultaram na prisão de integrantes ligados às lideranças das organizações criminosas, bem como de pessoas responsáveis pela administração e ocultação do patrimônio desses agentes. Esses resultados demonstram que o combate ao crime organizado precisa ir além da prisão: é necessário atingir as lideranças, desarticular a estrutura financeira e retirar das organizações os recursos que permitem a continuidade de suas atividades.  

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