Publicidade

Cuiabá, Sábado 05/09/2026

Polícia - A | + A

LEVANTAMENTO DA CPT 05.09.2026 | 12h00

MT registra 21 conflitos por terra e um assassinato no primeiro semestre

Facebook Print google plus

Tânia Rêgo/Agência Brasil

Tânia Rêgo/Agência Brasil

Mato Grosso registrou 21 ocorrências de violência contra a ocupação e a posse da terra no primeiro semestre de 2026, além de conflitos envolvendo acesso à água, trabalho escravo rural e violência contra pessoas. Os dados fazem parte do levantamento parcial da Comissão Pastoral da Terra (CPT), divulgado na quarta-feira (2), e mostram diferentes formas de conflito envolvendo comunidades indígenas, assentados, sem-terra, quilombolas, pescadores e trabalhadores rurais.

 

Conforme o levantamento, no período, o Estado contabilizou ainda 10 conflitos pela água, que atingiram 494 famílias, e quatro ocorrências de trabalho escravo rural. Também houve duas manifestações de luta, que reuniram 214 participantes.

Em todo o país, a CPT registrou 841 conflitos no campo no primeiro semestre, sendo 711 relacionados à terra, 100 à água e 30 ao trabalho escravo rural.

 

Dos 711 conflitos relacionados à terra registrados no país, 663 correspondem a situações de violência pela ocupação e posse, enquanto outros 48 são classificados como ações de resistência, como ocupações e acampamentos.

 

Em Mato Grosso, as 21 ocorrências de violência pela ocupação e posse envolveram diferentes comunidades e territórios. Entre as formas de violência aparecem invasões, desmatamento ilegal, grilagem, pistolagem, violações das condições de existência e assassinato.

 

Um dos casos de maior dimensão envolve a Terra Indígena Parabubure, do povo Xavante, em Campinápolis, onde o levantamento aponta 7.610 pessoas atingidas.

 

Também aparecem números expressivos em outras terras indígenas, como São Marcos, com 712 pessoas; Pimentel Barbosa, com 440; Areões, com 336; Merure, com 164; Tereza Cristina, com 127; Capoto/Jarinã, com 397; e Sangradouro/Volta Grande, com 225.

 

Na Terra Indígena Sararé, em Conquista D'Oeste, há três registros envolvendo 47 indígenas, relacionados a situações de invasão e desmatamento ilegal por garimpeiros.

 

Em âmbito nacional, a CPT aponta que a contaminação por agrotóxicos foi a forma de violência que mais cresceu no eixo relacionado à terra, seguida por invasões de territórios, desmatamento ilegal e ameaças de despejo.

 

Assassinato em conflito por terra 

O levantamento de violência contra a pessoa registra seis assassinatos em conflitos no campo em todo o Brasil no primeiro semestre. Entre as vítimas está um trabalhador rural sem-terra morto em Mato Grosso.

 

A vítima é Adeildo Gonçalves Calheiro, conhecido como “Flecha”, de 43 anos, assassinado em 23 de janeiro, na região da Fazenda Vale do Pari/Assentamento Pari, em Alto Paraguai.

 

O registro da CPT classifica Adeildo como integrante da categoria dos sem-terra e enquadra o episódio como conflito por terra.

 

Além do caso de Mato Grosso, o levantamento nacional registra um massacre com três vítimas posseiras em Lábrea (AM) e mortes de indígenas em Roraima e Mato Grosso do Sul.

 

Conflitos por água 

Mato Grosso registrou 10 conflitos pela água no primeiro semestre, número que coloca o Estado entre os que mais tiveram ocorrências no país. O Estado aparece empatado com o Amazonas e atrás apenas do Pará, que teve 16 registros, e de Minas Gerais, com 11.

 

Os conflitos envolveram 494 famílias e estão relacionados principalmente à atuação de garimpeiros, com ocorrências de destruição e poluição de recursos hídricos.

 

Em Juruena, o Assentamento Vale do Amanhecer aparece com 225 famílias atingidas. Em Apiacás, a Terra Indígena Kayabi registra 192 famílias, enquanto a Terra Indígena Sararé, em Conquista D'Oeste, aparece com outras 47 famílias. Também há registro no Assentamento Vale da Esperança, em Nova Guarita, envolvendo 24 famílias.

 

Além dos conflitos relacionados ao garimpo, o levantamento aponta situações envolvendo hidrelétricas e comunidades de pescadores. Em Barão de Melgaço, cinco comunidades aparecem entre as atingidas: Croará, Estirão Comprido, Porto Brandão, Rancharia e Ribeirinha de Piúva. Há ainda registro na Comunidade Padilha, em Chapada dos Guimarães.

 

Nesses casos, a situação apontada pela CPT é de diminuição do acesso à água.

 

No cenário nacional, os conflitos pela água mais que dobraram em relação ao primeiro semestre de 2025, passando de 47 para 100 registros, distribuídos por 20 estados.

 

Trabalho escravo 

Os dados da CPT também registram quatro ocorrências de trabalho escravo rural em Mato Grosso no primeiro semestre de 2026.

 

Os casos foram identificados em Alta Floresta, Alto Taquari, Campo Novo do Parecis e Peixoto de Azevedo e envolveram atividades como serviços gerais, produção de carvão, lavoura de algodão e criação de gado. Ao todo, os registros com número informado apontam 72 trabalhadores resgatados.

 

O maior caso ocorreu em Campo Novo do Parecis, onde 35 trabalhadores foram resgatados de uma lavoura de algodão.

Em Peixoto de Azevedo, foram 25 trabalhadores resgatados em uma ocorrência relacionada à criação de gado. Já em Alto Taquari, outros 12 trabalhadores foram resgatados de uma atividade de produção de carvão.

 

Em Alta Floresta, o levantamento registra a ocorrência, mas não informa o número de trabalhadores resgatados na respectiva coluna.

 

Em todo o Brasil, foram registrados 30 casos de trabalho escravo rural e 355 trabalhadores resgatados no primeiro semestre. A CPT ressalta, porém, que os números são parciais e podem aumentar devido ao atraso no fornecimento de informações da Secretaria de Inspeção do Trabalho, principal fonte utilizada pela entidade para esse eixo.

 

Manifestações  

Além dos conflitos contabilizados pela CPT, o levantamento registra duas manifestações de luta em Mato Grosso, que reuniram 214 pessoas.

 

Em 13 de maio, cerca de 200 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) participaram de uma ocupação do prédio do Incra, em Cuiabá. Entre as reivindicações estavam o assentamento de famílias e a reforma agrária.

Já em 7 de junho, em Juscimeira, 14 pessoas participaram da Jornada Nacional em Defesa da Natureza e seus Povos. O ato incluiu caminhada e teve, entre as reivindicações, o assentamento de famílias, a defesa da água e do meio ambiente e a reforma agrária.

 

Segundo a CPT, as manifestações de luta não entram no cálculo dos conflitos no campo, mas são registradas como estratégias de resistência das comunidades para denunciar violências e reivindicar direitos.

 

No Brasil, esse tipo de mobilização passou de 253 registros no primeiro semestre de 2025 para 284 em 2026.

 

Dados são parciais 

A CPT ressalta que os dados do primeiro semestre são parciais e servem para identificar possíveis tendências dos conflitos no campo ao longo de 2026. O levantamento também será utilizado na elaboração do relatório anual Conflitos no Campo Brasil, previsto para ser divulgado em 2027.

 

Os registros são produzidos a partir de informações coletadas por agentes da CPT em todo o país, além de dados obtidos por meio de monitoramento da imprensa, órgãos públicos, movimentos sociais e organizações parceiras.

 

A entidade destaca ainda que, para a CPT, conflito não é sinônimo de violência. O conceito envolve o contexto de disputa pela terra, água, direitos e meios de trabalho ou produção, incluindo tanto as violências sofridas pelas comunidades quanto as ações de resistência e enfrentamento.

Voltar Imprimir

Publicidade

Comentários

Enquete

Você sabe as atribuições de cada cargo em dispura este ano?

Parcial

Publicidade

Edição digital

Sexta-feira, 04/09/2026

imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
btn-4

Indicadores

Milho Disponível R$ 66,90 0,75%

Algodão R$ 164,95 1,41%

Boi à vista R$ 285,25 0,14%

Soja Disponível R$ 153,20 1,06%

Publicidade

Classi fácil
btn-loja-virtual

Publicidade

Mais lidas

O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real 10.1, TV Pantanal 22.1, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados e o Portal Gazeta Digital.

Copyright© 2022 - Gazeta Digital - Todos os direitos reservados Logo Trinix Internet

É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.