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iniciação no Candomblé 23.09.2020 | 09h27

Mulher denuncia demissão após passar por iniciação no Candomblé

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Reprodução

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Mulher de 41 anos denunciou ter sido vítima de intolerância religiosa e racismo, além de ter passado por constrangimento ilegal dentro da empresa que trabalhava em Cuiabá. Ela foi demitida no começo do mês após chegar careca no trabalho. Questionada se estava tratando um câncer, ela respondeu que não. O corte do cabelo fazia parte do ritual de iniciação no Candomblé, fato que desencadeou uma série de ataques por parte de duas supervisoras da empresa.

 

De acordo com as informações do boletim de ocorrência, Regina Santana da Silva Fernandes é prestadora de serviços gerais e atuava na empresa – que oferta serviço terceirizado de limpeza em Cuiabá e em outros estados – desde junho de 2019.

 

Leia também - Polícia prende quadrilha envolvida em roubo no Atacadão em 2019

 

No final de agosto, ela passou pelo ritual de iniciação no Candomblé e raspou a cabeça – uma tradição na religião de matriz africana. Quando voltou ao trabalho, no dia 8 de setembro, já esperava sofrer algum tipo de discriminação e chegou a colocar 6 toucas na cabeça para disfarçar que estava sem o cabelo.

 

No dia seguinte, ao ir ao banheiro, foi vista sem touca por uma das supervisoras, que questionou o fato. Ela ainda perguntou se a colaboradora estava fazendo tratamento contra o câncer, o que foi negado. A mulher teria respondido apenas um ‘entendi’ e deixou o banheiro.

 

Já no dia 17, Regina foi chamada de volta ao escritório e recebeu a notícia de que estava demitida. Ela precisou esperar 2h30 na recepção antes do anúncio que ela já estava esperando. Na sala da supervisora, ela alegou que foi obrigada a tirar a touca e recebeu olhares de desaprovação da gerência.

 

Em seguida, passou a ser ofendida. A gerente da unidade disse que ‘esse tipo de religião não cabia na empresa’. Ela alegou ainda que a mulher disse que ‘além de negra era macumbeira’. Por fim, a gerente disse que Regina precisava ‘procurar Deus para se salvar’.

 

A mulher disse ainda que não adiantava ela procurar Justiça, já que ‘a empresa possui vários processos e nunca perderam’. A trabalhadora foi obrigada a assinar aviso prévio com data de 11 de setembro, ou seja, 6 dias antes da data que foi comunicada a demissão.

 

Consagração aos Orixás

Raspar o cabelo é um dos primeiros passos da iniciação do Candomblé, simbolizando a consagração aos Orixás. A prática da raspagem também é comum em religiões como o Budismo, mas não gera nenhum questionamento ou desconforto em pessoas já propicias à intolerância religiosa, especialmente com religiões de matrizes africanas.

 

Edna de Oxum, que é Iyalorixá e zeladora espiritual da vítima, afirmou que está indignada com a situação. "Estamos vivendo tempos difíceis de ataques às aos praticantes das religiões de Matriz Africana e de desrespeito ao nosso sagrado. Nós não vamos deixar essa situação impune.

 

"Já temos uma advogada cuidando do caso e queremos a reparação na Justiça de todas as ofensas e crimes praticados contra minha filha de santo". Desde que tomou conhecimento do fato, Edna buscou um advogado e foi orientada a registrar o boletim e ocorrência.

 

“Adeptos das religiões afro não podem se calar diante da situação de racismo religioso e preconceito”, enfatizou ela. Edna afirma que Regina está abalada com a situação e passará por avaliação psiquiátrica para tratar um quadro de depressão.

 

Outro lado

A reportagem do procurou a empresa acusada por Regina de racismo e intolerância religiosa em Cuiabá. Responsáveis pela filial vão levar o caso à matriz, que fica em Mato Grosso do Sul e só depois vão se manifestar.

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