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PROCURADO DESDE SÁBADO 17.08.2026 | 10h04

PM conversa por 8 minutos com assassino da namorada e não avisa DHPP; ele é ouvido

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João Vieira

João Vieira

Equipes da Delegacia de Homicídios (DHPP) descobriram que um subtenente da PM falou com Fabiano Oliveira Borges, que matou a namorada Ana Cristina Pacheco Matos, 20, no sábado (15), por cerca de 8 minutos. Mesmo sabendo do crime, ele não avisou a DHPP, nem mesmo a Polícia Militar, que manteve o contato com o 'amigo'. Ele está sendo ouvido na DHPP nesta manhã, após os investigadores fazerem buscas na loja do suspeito, Pépi Cell, no Alvorada, e encontrarem o local revirado e alvo de furto. 

 

Os policiais, liderados pelo delegado Bruno Abreu, estiveram na loja e encontraram o local arrombado e revirado. Vários produtos foram furtados. Delegado chamou atenção para uma situação considerada “estranha” durante as investigações. 

Segundo ele, um policial militar teria mantido contato com Pépí mesmo após receber a informação de que o homem era procurado pelo crime.

 

De acordo com o delegado, durante as diligências, a equipe encontrou o computador do suspeito ligado e com o WhatsApp Web conectado.“Foi um fato estranho, pontual. A gente tentou fazer o flagrante, foi intenso, mas chegou uma hora em que precisávamos fazer outros trabalhos. O que chamou nossa atenção foi que o computador do suspeito estava aberto, com o WhatsApp Web conectado e uma conversa com um policial militar”, explicou Bruno.

 

Conforme o delegado, o militar recebeu, por volta das 10h40, a informação de que o suspeito estava sendo procurado por feminicídio. A notícia, segundo Abreu, já havia sido amplamente divulgada. “Ele recebe a informação às 10h40 de que o suspeito estava sendo procurado por feminicídio. Todo mundo já sabia, estava em todos os sites. Ele teve ciência e, imediatamente, ligou para o suspeito”, afirmou.

 

O delegado relatou que o suspeito não atendeu à primeira ligação, mas teria retornado cerca de 10 minutos depois. A chamada durou aproximadamente 8 minutos. “Ele liga, o suspeito não atende. Depois, manda um áudio. Nós não ouvimos esse áudio porque seria prova ilícita e não mexemos nisso. Cerca de 10 minutos depois, o suspeito retorna a ligação e eles ficam aproximadamente oito minutos conversando”, disse.

 

Chico Ferreira

Feminicídio - Ana Cristina - delegado Bruno Abreu

 

A principal dúvida levantada pela investigação, segundo Abreu, é sobre o conteúdo da conversa e o fato de o policial não ter comunicado imediatamente o contato ao superior hierárquico. “Não sabemos o que ele falou. O que me chama atenção é que ele não comunica ao superior imediato que estava conversando com o suspeito, enquanto toda a Polícia Militar estava procurando esse homem naquele dia”, destacou o delegado.

 

Ainda conforme Bruno Abreu, equipes do 9º Batalhão da Polícia Militar estavam empenhadas na localização do suspeito. Para o delegado, a decisão do policial de entrar em contato diretamente com o procurado, em vez de comunicar a informação aos superiores, precisa ser esclarecida. "Ele só foi comunicar horas depois, quando descobriu que nós já sabíamos que ele tinha conversado com o suspeito”, afirmou.

 

Abreu ressaltou que a investigação ainda não permite afirmar o que foi tratado durante os oito minutos de ligação. Porém, o militar está na sede da DHPP, nesta segunda, onde vai ser ouvido. “Se esse policial, no momento em que descobriu que o suspeito era procurado, em vez de ligar para ele, tivesse ligado para a equipe ou para o superior, seria uma situação completamente diferente. Nós não sabemos o que ele falou durante esses 8 minutos. É uma ligação muito longa para alguém que acabou de praticar um feminicídio”, concluiu Bruno Abreu.

 

A conversa e as circunstâncias do contato deverão ser analisadas pela investigação para esclarecer a conduta do policial e verificar se houve alguma tentativa de favorecer ou alertar o suspeito.

 

Crime

Ana Cristina Pacheco Matos, de 20 anos, foi morta com um tiro na nuca na manhã deste sábado (15), no bairro Alvorada. O principal suspeito é o namorado da vítima, conhecido como “Pépi”, que teria chegado à residência por volta das 5h, efetuado o disparo e fugido de motocicleta após trancar a porta.

 

Segundo o delegado Bruno Abreu, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Ana Cristina chegou a ser socorrida e encaminhada para uma unidade de saúde, mas não resistiu.

 

No local, os investigadores encontraram uma mala com roupas prontas para uma possível viagem, levantando a suspeita de que o homem tenha tentado criar um álibi para indicar que estaria fora da cidade no momento do crime.

 

A Polícia Civil também investiga a possibilidade de o filho da vítima, de 3 anos, ter presenciado parte do assassinato. A criança foi encontrada acordada e em estado de choque após o crime.

 

Ana Cristina trabalhava com Pépi e se envolveram há pelo menos duas semanas. Caso segue sob investigação. 

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