SANGRAMENTO PELO NARIZ 08.06.2026 | 10h30

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João Vieira
Olga Beatriz Santos da Silva, 12, foi morta pelo próprio pai após ele flagrar uma conversa da menina com um garoto pelo Instagram, em Várzea Grande. Segundo a Polícia Civil, Claudinei da Silva, 42, enforcou a filha durante uma discussão, provocando sangramento intenso pelo nariz. Mesmo diante da gravidade da situação, ele não acionou socorro e fugiu da residência. Claudinei deixou a delegacia em silêncio.
As informações foram reveladas pelo delegado Nilson Farias, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), responsável pela prisão em flagrante do suspeito, autuado por feminicídio com agravante pelo fato de a vítima ser menor de 14 anos.
De acordo com o delegado, pai e filha haviam passado o domingo em uma confraternização familiar em um clube, onde comemoravam o aniversário do avô da menina. Conforme o relato prestado pelo suspeito, ele consumiu bebida alcoólica durante o evento e, ao retornar para casa, pegou o celular da filha.
Ao acessar o aparelho, encontrou mensagens trocadas entre Olga e um menino por meio do Instagram. Ao repreender a adolescente, os dois iniciaram uma discussão. Em depoimento, o suspeito admitiu ter esganado a filha durante o desentendimento.
Segundo o delegado, o enforcamento foi tão intenso que causou o rompimento de vasos sanguíneos da menina, provocando sangramento nasal. Após as agressões, Claudinei deixou a residência sem prestar qualquer tipo de assistência.
"Quando ele percebeu a gravidade da situação e viu o sangue, ainda havia a possibilidade de acionar socorro. Em vez disso, ele fugiu. Pensou na própria integridade, mas não na vida da filha", afirmou Nilson Farias.
Durante os trabalhos periciais na casa localizada no bairro Serra Dourada, em Várzea Grande, foram encontradas manchas de sangue no quarto onde a adolescente foi localizada e também em uma bermuda pertencente ao suspeito.
A mãe da vítima encontrou Olga caída no chão de um dos cômodos da residência e a levou até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Verdão, em Cuiabá. No entanto, a adolescente já chegou à unidade sem sinais vitais.
O delegado destacou que a autuação foi realizada por feminicídio, e não por lesão corporal seguida de morte, porque o investigado tinha plena consciência do risco de provocar a morte da filha.
"Ele tinha consciência, mesmo sob efeito de álcool, de que um homem forte, apertando o pescoço de uma menina de 12 anos, obviamente poderia matar. Quando ele vê o sangue, ele poderia socorrer, de forma alguma, mas ele foge, pensou na integridade dele, na vida dele, mas não pensou nela. Ele assumiu a responsabilidade de causar a morte dela", disse Farias.
Após fugir, Claudinei se apresentou espontaneamente à polícia. Durante o primeiro contato com os investigadores, demonstrou nervosismo e chegou a mencionar a possibilidade de cometer suicídio. Ele permanece preso e à disposição da Justiça.
A Polícia Civil aguarda os laudos da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), que irão confirmar a causa da morte e auxiliar na conclusão do inquérito.
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